Existem vilas do Nordeste que carregam a marca de um filho da terra que virou lenda. No litoral sul do Rio Grande do Norte, o município mais oriental do estado reúne as ondas onde treinou o primeiro campeão olímpico brasileiro do surfe, uma reserva com o maior remanescente de Mata Atlântica sobre dunas do Brasil e uma lagoa de águas escuras batizada com o nome de um refrigerante mundial.
Como uma vila de pescadores virou terra do campeão olímpico Ítalo Ferreira?
Baía Formosa é o município mais oriental do Rio Grande do Norte, a cerca de 95 km de Natal e 110 km de João Pessoa. Faz divisa com a Paraíba, separada pelo Rio Guaju. Foi batizada por navegadores portugueses que se maravilharam com o formato da enseada e a natureza exuberante da região.
A vila de pescadores ganhou projeção internacional em 2021, quando Ítalo Ferreira, natural da cidade, conquistou a medalha de ouro no surfe masculino nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Foi a primeira medalha olímpica do Brasil no esporte. Depois do feito, o município passou a ser incluído em roteiros pelo litoral sul potiguar e recebeu escolinhas de surfe, novas pousadas e obras de acesso.

Por que a Mata Estrela é o maior fragmento de Mata Atlântica sobre dunas do Brasil?
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Mata da Estrela preserva **2.039,93 hectares** de Mata Atlântica à beira-mar. É apontada como o maior fragmento desse bioma sobre dunas do estado e um dos mais setentrionais do Brasil.
A unidade foi criada oficialmente em 22 de dezembro de 1990, por portaria estadual, e ratificada pelo Decreto Federal nº 20/2000, em 20 de março de 2000, sob o nome oficial de Reserva Particular do Patrimônio Natural Senador Antônio Farias. Sua administração fica a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal responsável pelas Reservas Particulares do Patrimônio Natural. A vegetação inclui pau-brasil, sucupira e gameleiras de grande porte, além de dunas, lagunas, rios e praias em estado semisselvagem.

O que ver na Lagoa da Coca-Cola dentro da reserva?
A Lagoa Araraquara, mais conhecida como Lagoa da Coca-Cola, é a atração mais fotografada dentro da Mata Estrela. Recebeu o apelido pela coloração escura de suas águas, semelhante ao refrigerante, causada pela vegetação nativa rica em iodo. Apesar da tonalidade, a água é limpa e indicada para banho.
O acesso costuma ser feito por passeios guiados de buggy, com paradas em mirantes naturais ao longo do trajeto. As bordas da lagoa são de areia branca fina, o que forma um contraste marcante com o tom escuro da água. Trilhas ecológicas dentro da reserva mostram a fauna e a flora locais, com painéis explicativos sobre o bioma. O acesso é controlado, o que ajuda a preservar o ambiente e limita o número de visitantes por dia.
Que praias formam o extremo oriental do Rio Grande do Norte?
A cidade tem cerca de dez praias em sequência, boa parte delas ainda desertas. Confira abaixo os destaques:
- Praia da Baía Formosa: cartão-postal urbano, com faixa de areia extensa, falésias e infraestrutura de restaurantes e pousadas.
- Praia do Pontal: considerada uma das melhores ondas de “direita” do país para o surfe. Foi ali que Ítalo Ferreira treinou nos primeiros anos.
- Praia da Cacimba: uma das mais famosas para a prática do surfe, com ondas consistentes entre novembro e março.
- Praia do Porto: mirante para avistamento de golfinhos, com boas ondas e passeios de barco.
- Praia de Bacupari: tranquila e reservada, com vista privilegiada das falésias.
- Praia do Farol: nome inspirado no farol movido a energia solar, com dunas ao fundo.
Este vídeo do canal Joilson Garcia, com 26 mil visualizações, apresenta um roteiro repleto de ecoturismo e praias deslumbrantes em Baía Formosa (Rio Grande do Norte), um destino tranquilo e famoso por ser a terra natal do surfista campeão olímpico Ítalo Ferreira.
Como é a Praia do Sagi no encontro do Rio Guaju com o mar?
A Praia do Sagi fica a cerca de 12 km do centro urbano, no extremo sul do Rio Grande do Norte. Divide o estado da Paraíba pela travessia do Rio Guaju, do outro lado fica o município paraibano de Mataraca. O encontro entre o rio e o mar forma um cenário raro no litoral brasileiro.
O acesso é feito por passeios de buggy que atravessam a Mata Estrela e passam pelo Santuário das Tartarugas. O trecho é considerado um dos mais preservados do litoral, com quilômetros de areia deserta, dunas e coqueirais. O rio muda de curso conforme as marés, criando piscinas naturais próximas à foz, ideais para banho. Barracas de nativos servem peixes e frutos do mar direto na beira do rio, no ambiente rústico das vilas tradicionais.
Como é o clima em Baía Formosa?
A cidade tem clima tropical quente e úmido, com chuvas concentradas entre outono e inverno. Confira abaixo as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Baía Formosa?
A cidade fica a cerca de 95 km de Natal e 110 km de João Pessoa, com acesso principal pela BR-101. O trajeto de carro leva em média uma hora e meia partindo da capital potiguar, com percurso similar ao de Pipa, o mais famoso balneário do litoral sul do estado.
O Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, é o mais próximo, com voos regulares das principais capitais brasileiras. O Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em João Pessoa, também atende bem quem chega pelo litoral norte da Paraíba. A cidade permite roteiros combinados com Pipa, Barra do Cunhaú e Sagi.
Uma cidade onde as ondas do campeão dividiram o mesmo endereço com a Mata Atlântica sobre dunas
Poucos endereços do litoral brasileiro conseguem juntar em pouco espaço as ondas onde treinou o primeiro campeão olímpico de surfe do Brasil, o maior fragmento de Mata Atlântica sobre dunas do país, uma lagoa de águas escuras cercada de areia branca e o ponto mais oriental do Rio Grande do Norte. A combinação faz de Baía Formosa um destino sensorial e completo no litoral sul potiguar, com camadas que atravessam da tradição pesqueira ao ritmo contemporâneo do turismo esportivo.











