A Usiminas (USIM5) reportou um prejuízo líquido de R$ 117 milhões no quarto trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 975 milhões registrado no mesmo período de 2023. Segundo a companhia, o resultado foi impactado principalmente por perdas cambiais líquidas.
Os números da companhia também ficaram abaixo das estimativas. As projeções do BTG Pactual eram de um lucro líquido de R$ 200 milhões no período.
No acumulado de 2024, a Usiminas teve lucro líquido de apenas R$ 3 milhões, montante que representa uma forte queda ante R$ 1,6 bilhão obtido no ano anterior. Esse resultado, portanto, é atribuído às oscilações cambiais e às dificuldades do setor.
Com a repercussão negativa do balanço, a Usiminas passou a cair na Bolsa, chegando a desvalorizar 2,56% na manhã desta sexta-feira (14). Às 13h50 (horário de Brasília) as ações USIM5 registravam a terceira maior queda do Ibovespa, com recuo de 1,02%, negociadas a R$ 5,81.
Desempenho operacional da Usiminas
As vendas de aço cresceram 2% no trimestre, totalizando 1,05 milhão de toneladas. No entanto, na mineração, o volume de vendas caiu 8%, para 2,20 milhões de toneladas.
A produção de minério recuou 7,3% em 2024 devido a uma parada operacional, mas a receita da unidade foi compensada pela alta do preço internacional e pela valorização do dólar.
Já no setor de siderurgia, a produção cresceu 54% no período, mas a receita líquida por tonelada caiu 9,6%, refletindo a desvalorização do preço do aço. No 4º trimestre, também foi registrada uma leve alta de 0,4% na receita por tonelada em relação ao trimestre anterior.
Ebitda e receita sofrem pressão
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,6 bilhão em 2024, queda de 8,3% em relação ao ano anterior. No 4º trimestre, o indicador somou R$ 518 milhões, mostrando uma retração de 17% na comparação anual.
A receita líquida totalizou R$ 25,9 bilhões em 2024, queda de 6,4% na comparação anual. A unidade de Mineração foi a mais afetada, com recuo de 16,1% na receita líquida, devido à queda dos preços internacionais do minério e menor volume de vendas.
Na siderurgia, apesar do aumento de 5,8% no volume vendido, a receita por tonelada caiu 9,7%.
Endividamento cresce com alta do dólar
A dívida líquida da Usiminas aumentou consideravelmente, principalmente devido à valorização do dólar sobre os passivos da empresa.
Os débitos subiram para R$ 937 milhões no 4º trimestre, contrastando com os R$ 644 milhões no trimestre anterior. Já o indicador de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) passou de 0,38x em setembro para 0,58x no final de 2024.
Esses resultados ainda foram amenizados por iniciativas da companhia, que concluiu, em setembro a emissão de R$ 1,8 bilhão em debêntures para quitar dívidas externas e em janeiro deste ano, realizou uma nova emissão de bonds de US$ 500 milhões, com vencimento em 2032, para refinanciamento de títulos antigos e capital de giro.
Projeções da Usiminas para 2025
Para 2025, a Usiminas projeta investimentos (Capex) entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,6 bilhão e afirma que está preparada para atender à demanda do mercado. A empresa, no entanto, alerta que a alta dos juros pode afetar o crescimento econômico, assim como os possíveis impactos da taxação de 25% dos Estados Unidos sobre importações de aço e alumínio, anunciada nesta semana.
Segundo o BTG Pactual, as exportações da Usiminas para os EUA são muito pequenas, com grande parte direcionada para a Argentina. As exportações de aço, por exemplo, representam apenas cerca de 5% das receitas consolidadas totais, segundo o banco.
A empresa também defende medidas de proteção comercial contra importações subsidiadas, que impactam a competitividade da indústria nacional.
No setor de mineração, a previsão é de estabilidade no volume de vendas. Já na siderurgia, a Usiminas espera melhora no custo por tonelada, impulsionada por ganhos de eficiência operacional.











