O primeiro trimestre da Embraer (EMBJ3) trouxe sinais mistos para o mercado. Embora tenha registrado receita recorde para o período e avanço relevante nos indicadores operacionais, a fabricante brasileira de aeronaves viu o lucro encolher mais da metade nos três primeiros meses deste ano.
A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões, equivalente à queda de 51,4% na comparação anual, quando havia registrado ganho de R$ 299,9 milhões. O desempenho foi impactado por mudanças contábeis na base de comparação e pelos efeitos das tarifas de importação dos Estados Unidos.
Às 11h22 (horário de Brasília), as ações EMBJ3 despencavam 9,37%, negociadas a R$ 75,51, após abrirem o pregão a R$ 82,01. Investidores repercutiram principalmente a retração do lucro líquido e os ajustes contábeis realizados pela empresa nos resultados anteriores.
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Segundo a Embraer, o resultado do primeiro trimestre de 2025 foi revisado após uma adequação metodológica — inicialmente, a empresa havia reportado prejuízo líquido de R$ 418,5 milhões no período.
A partir de 2026, porém, a empresa decidiu deixar de classificar impostos diferidos como item extraordinário, ajustando assim a base comparativa dos números anteriores. A fabricante informou ainda que as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos tiveram impacto de US$ 13 milhões no trimestre.
Maior receita da história para um 1º trimestre
Em segundo plano devido à queda das ações na Bolsa, a receita líquida consolidada da Embraer atingiu R$ 7,5 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 18% em relação ao mesmo período de 2025 e o maior valor já registrado pela companhia em um primeiro trimestre. Em dólares, a receita chegou a US$ 1,4 bilhão, avanço anual de 31%.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelas divisões de Defesa & Segurança e Aviação Comercial, segmentos que vêm ganhando relevância diante do aumento global da demanda por aeronaves e equipamentos estratégicos.
Defesa lidera crescimento entre divisões da Embraer
Entre as unidades de negócios, a área de Defesa & Segurança apresentou crescimento de 47% na receita na comparação anual. A divisão de Aviação Comercial avançou 32%, enquanto a Aviação Executiva registrou alta de 17%.
O segmento de Serviços & Suporte também manteve trajetória de expansão, com crescimento de 4%.
Segundo a empresa, os resultados reforçam seu momento operacional positivo em meio ao cenário favorável para a indústria aeroespacial global.
A retomada das entregas, a expansão da carteira de pedidos e o fortalecimento da divisão de defesa têm sustentado as perspectivas de crescimento da companhia na Bolsa brasileira.
Ebitda e margem operacional também avançam
Mesmo com a retração do lucro líquido, os indicadores operacionais mostraram evolução. O Ebitda ajustado alcançou R$ 749,4 milhões entre janeiro e março, alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Ebit ajustado, que representa o lucro operacional antes do resultado financeiro e dos impostos, somou R$ 488,6 milhões, avanço de 36% na comparação anual. Já a margem Ebit ajustada passou de 5,6% para 6,4%.
Investimentos somam US$ 148,6 milhões
A empresa reportou investimentos de US$ 98,8 milhões entre janeiro e março deste ano.
Considerando os aportes realizados na Eve, subsidiária de mobilidade aérea urbana responsável pelo desenvolvimento do chamado carro voador, o volume total investido alcançou US$ 148,6 milhões.
Carteira de pedidos marca o sexto recorde consecutivo
A carteira consolidada de pedidos da Embraer cresceu 21,6% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo a fabricante, o volume de pedidos atingiu US$ 32,1 bilhões, marcando o sexto recorde consecutivo da companhia. O segmento de Aviação Comercial foi o principal destaque, com crescimento de 50% na carteira de encomendas em relação ao ano passado.
Em relação à entrega, a Embraer entregou 44 aeronaves no primeiro trimestre de 2026, 14 unidades a mais do que no mesmo período do ano passado, quando haviam sido entregues 30 aeronaves. O crescimento foi de 47%.
Do total entregue neste ano, foram: 10 jatos comerciais, 29 jatos executivos e 5 aeronaves de defesa, sendo um KC-390 Millennium e quatro A-29 Super Tucano.
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Embraer mantém projeções para 2026
A Embraer manteve as projeções divulgadas anteriormente para 2026. A companhia espera entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais ao longo do ano e entre 160 e 170 aeronaves no segmento de aviação executiva.
A fabricante também prevê receita entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões em 2026. A estimativa para a margem Ebit ajustada segue entre 8,7% e 9,3%, enquanto a projeção para o fluxo de caixa livre ajustado permanece em US$ 200 milhões ou mais.











