A Equatorial (EQTL3) ganhou companhia na concorrência pela privatização da Copasa (CSMG3). Nesta segunda-feira (25), um consórcio formado por Equipav, pelo fundo soberano de Singapura GIC e pela Itaúsa (ITSA4), com acionistas da Aegea, entrou na briga por 30% da empresa.
Conforme publicado pelo Valor Econômico, os grupos apresentaram propostas para assumir a posição de acionista de referência da companhia mineira de saneamento, em uma transação que pode redefinir o controle da estatal e movimentar o setor de infraestrutura no país.
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A confirmação da oferta por parte da Aegea e da Itaúsa foi publicada via fato relevante publicado na noite desta segunda-feira (25). A Equatorial, no entanto, ainda não comentou sobre a proposta.
Disputa pela Copasa será definida pelo maior preço por ação
A definição do vencedor está prevista para esta quarta-feira (27). Levará a fatia de 30% da Copasa o grupo que apresentar o maior valor por ação. Em caso de empate, os concorrentes participarão de uma rodada presencial adicional para elevar suas ofertas.
Já na quinta-feira (28), começa o processo de “bookbuilding”, mecanismo utilizado para medir a demanda dos investidores e definir o preço final dos papéis ofertados ao mercado.
Nessa fase, outros 15% das ações da Copasa serão distribuídos. O processo deverá seguir até segunda-feira (1º), enquanto a precificação está prevista para terça-feira (2).
Equatorial disputa sem a Sabesp
A entrada da Equatorial ocorre sem a participação da Sabesp, parceira da companhia desde a privatização da empresa paulista.
O mercado esperava uma atuação conjunta das duas empresas na disputa pela Copasa, mas a Sabesp acabou ficando fora do processo. Segundo fontes, a decisão ocorreu para que a companhia paulista concentre investimentos em São Paulo, principalmente nas concessões regionais de saneamento que vêm sendo estruturadas pelo governo estadual, que ainda segue como acionista relevante da ex-estatal.
Ainda de acordo com fontes, a Equatorial contratou o Bradesco BBI como assessor financeiro na operação.
A desistência da Sabesp gerou dúvidas no mercado sobre a permanência da Equatorial na disputa, já que as duas empresas vinham estudando a operação em conjunto.
Estrutura do consórcio reduz participação da Aegea
A participação do consórcio ligado à Aegea já era considerada certa por agentes do mercado. A principal dúvida estava relacionada ao tamanho da fatia da operadora de saneamento na composição do grupo.
Segundo comunicado divulgado pela Itaúsa, Equipav, GIC e Itaúsa terão participações iguais de 33%, enquanto a Aegea ficará com apenas 1%.
A estrutura reduzida da operadora ocorre em meio à elevada alavancagem financeira da companhia, situação que vinha sendo monitorada por investidores.
IPO reverso aparece como possibilidade
Além da escala operacional da Copasa e da avaliação do negócio, fontes afirmam que um dos fatores que despertaram interesse do consórcio é a possibilidade de utilizar a estatal em um eventual IPO reverso.
Nesse modelo, uma empresa de capital fechado consegue acessar a Bolsa de Valores por meio da aquisição de uma companhia já listada, encurtando o processo tradicional de abertura de capital.
A Aegea já é apontada há alguns anos como candidata a realizar um IPO. A empresa chegou a avaliar a operação para este ano, mas decidiu adiar os planos após a crise provocada pelo atraso na divulgação de seus balanços financeiros.
Governo pode deixar totalmente o capital da Copasa
Apesar da definição de um acionista de referência, o modelo da operação ainda permite que a Copasa se transforme em uma “corporation”, estrutura em que não existe controlador definido.
Esse cenário poderá ocorrer caso o preço das ações obtido na segunda rodada da oferta — referente aos 15% destinados ao mercado — supere a proposta apresentada pelo investidor estratégico.
Se isso acontecer, o acionista de referência será retirado da operação e o governo de Minas Gerais também venderá integralmente sua participação na companhia. Caso contrário, o Estado deverá manter cerca de 5% do capital da empresa.
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Atualmente, o governo mineiro possui 50,03% da Copasa. O processo de privatização prevê a venda de pelo menos 45% dessa fatia.
Outro acionista relevante da estatal é a gestora Perfin, que vem ampliando sua posição na companhia e possui cerca de 18% das ações. Além disso, o investidor estratégico vencedor poderá aumentar sua participação durante a oferta ao mercado.











