As ações da SpaceX (SPCX) voam em sua estreia na Nasdaq, em alta superior a 25% nesta sexta-feira (12), impulsionadas pela forte demanda após a conclusão da maior oferta de ações (IPO) da história. No início da tarde, os papéis eram negociados a US$ 168,75, bem acima do preço de US$ 135 definido na oferta realizada na véspera.
A fabricante de foguetes, satélites e soluções de inteligência artificial de Elon Musk estreou no mercado americano após captar US$ 75 bilhões em sua abertura de capital. Os papéis abriram o pregão a US$ 150, já com valorização de 11,1% em relação ao preço do IPO.
A operação avaliou a companhia em US$ 1,77 trilhão, o equivalente a mais de R$ 9 trilhões. Esse valor corresponde a quase o dobro da soma do valor de mercado de todas as empresas listadas na Bolsa de Valores brasileira, a B3.
Oferta da SpaceX supera Aramco e amplia fortuna de Musk
A operação ultrapassou com ampla margem o recorde anterior da petroleira Saudi Aramco, que captou cerca de US$ 25,6 bilhões em sua abertura de capital em 2019.
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O sucesso da oferta colocou Elon Musk, apontado como o homem mais rico do mundo, na posição de primeiro trilionário da história, segundo a avaliação decorrente da operação.
A demanda dos investidores foi expressiva. Segundo informações citadas pela Bloomberg, os pedidos teriam alcançado aproximadamente US$ 250 bilhões, mais de três vezes o valor efetivamente ofertado.
Para Dema Oliveira, fundador da Goshen Land e especialista em negócios, o valor de um negócio não está apenas no capital, mas na forma como você resolve um problema real. Ele avalia que o verdadeiro aprendizado está na forma como a SpaceX transformou um setor inteiro ao atacar um dos seus maiores gargalos: o alto custo para acessar o espaço.
O desenvolvimento de foguetes reutilizáveis permitiu reduzir drasticamente os custos dos lançamentos e mudou a lógica econômica da indústria aeroespacial.
“Muita gente olha para a SpaceX e só vê a tecnologia de ponta ou os investimentos bilionários. Mas o que transformou a empresa em uma potência não foi o dinheiro, foi ter encarado um problema gigantesco: o custo da exploração espacial, de uma forma que ninguém tinha tentado antes”, afirma Dema.
Para o especialista, essa é a chave para negócios de qualquer tamanho. Em vez de tentar copiar o que os outros fazem ou entrar em guerras de preço, o caminho é identificar a dor real do cliente e entregar valor de um jeito único.
“A pergunta que todo dono de negócio deveria fazer não é ‘como ser a próxima SpaceX?’ A pergunta certa é: “Qual problema do meu mercado eu consigo resolver melhor que os meus concorrentes?’. É ali que nasce o crescimento de verdade”, explica.
Segundo Oliveira, “as empresas mais valiosas do futuro não serão necessariamente as que têm mais dinheiro, mas as que entenderem melhor a dor do cliente e tiverem coragem de desafiar o convencional”.
Volume intenso marca primeiro dia de negociação da SpaceX na Nasdaq
Até o início da tarde, mais de 277 milhões de ações haviam sido negociadas desde a abertura do mercado. O volume corresponde a quase metade dos 555,6 milhões de papéis distribuídos no IPO.
Nos primeiros 20 minutos de negociação, a SpaceX já aparecia na segunda posição entre as ações mais compradas por investidores de varejo, atrás apenas da Nvidia, de acordo com levantamento da Vanda Research.
A participação das pessoas físicas também chamou atenção durante a oferta. Entre 25% e 30% das ações foram destinadas a esse público, percentual significativamente superior aos cerca de 10% normalmente reservados aos investidores individuais em operações semelhantes. De acordo com a Bloomberg, a demanda desse segmento ultrapassou US$ 100 bilhões.
A distribuição da oferta mobilizou uma ampla rede de instituições financeiras e intenso trabalho dos bancos de investimento. Entre os 21 coordenadores da operação, o BTG Pactual foi o único banco brasileiro participante. O espanhol Santander também integrou o grupo responsável pelas vendas.
BDRs da SpaceX sobem forte na B3
A estreia da companhia nos Estados Unidos também movimentou a Bolsa brasileira. A partir desta sexta-feira, investidores locais passaram a ter acesso aos BDRs (Brazilian Depositary Receipts) da SpaceX, recibos que representam ações negociadas no exterior.
O produto foi lançado com preço de referência de R$ 50. A estrutura adotada prevê paridade de um papel da SpaceX para 15 BDRs negociados na B3, considerando uma avaliação de R$ 675 por ação.
Ao longo do pregão, os recibos acompanharam a valorização observada nos Estados Unidos. Por volta das 13h, avançavam 18,71%, cotados a R$ 55. Na máxima do dia, atingiram R$ 57,74, alta de 24,6%. Na mínima, foram negociados a R$ 54,50.
“Estamos ampliando o leque de opções para quem busca diversificação geográfica e exposição a empresas globais de inovação sem sair do ambiente da bolsa do Brasil”, afirmou o vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão, em comunicado divulgado nesta semana.
Musk manterá controle da companhia
Apesar da abertura de capital, Elon Musk continuará concentrando cerca de 85% do poder de voto da SpaceX. A companhia adotou uma estrutura de ações com supervoto, que concede dez votos por papel.
Além disso, o empresário não poderá vender suas ações durante 366 dias após o IPO. Nos Estados Unidos, o prazo mais comum de restrição para venda após uma oferta é de 180 dias.
Outro ponto que gerou discussões entre analistas foi o baixo percentual de ações em circulação. Apenas 5% do capital ficará disponível para negociação no mercado, condição que pode aumentar a volatilidade e provocar distorções nos preços dos papéis.
Starlink lidera receitas e IA concentra estratégia de crescimento
Segundo o prospecto da oferta, a Starlink, rede global de internet via satélite da SpaceX, é atualmente a principal fonte de lucro da companhia.A principal aposta de expansão está na integração entre conectividade global, inteligência artificial e infraestrutura espacial. Os investimentos permanecem elevados, especialmente em inteligência artificial.
A empresa optou por não detalhar a destinação específica dos recursos captados. No documento enviado aos reguladores americanos, informou apenas que o caixa será utilizado para expandir a infraestrutura de IA, desenvolver sistemas de lançamento, ampliar a constelação de satélites Starlink e atender finalidades corporativas gerais, preservando flexibilidade para a administração.
Fusão com xAI reforça aposta em inteligência artificial
Em mais um passo de sua estratégia de crescimento, a SpaceX também se fundiu à xAI, startup de inteligência artificial de Elon Musk responsável pelo chatbot Grok, disponível na plataforma X. Segundo o texto, a operação avaliou a empresa espacial em US$ 1 trilhão e a xAI em US$ 250 bilhões.
Após o anúncio, investidores individuais demonstraram forte interesse pelos papéis da companhia. O texto informa que houve demanda de US$ 75 bilhões por parte das pessoas físicas, que buscavam participação na empresa.
A forte procura é apontada como um dos fatores que podem sustentar ou ampliar o valor de mercado da SpaceX, atualmente estimado em US$ 1,77 trilhão após a abertura de capital.
Mega IPO pode abrir caminho para novas estreias bilionárias
A operação da SpaceX é vista como o início de uma nova safra de mega IPOs nos Estados Unidos. Entre as empresas apontadas como candidatas a abrir capital estão a OpenAI e a Anthropic, que também buscam avaliações superiores a US$ 1 trilhão.
Atualmente, apenas 11 empresas integrantes do índice S&P 500 possuem valor de mercado acima desse patamar, entre elas Nvidia, Apple e Microsoft.
A Oppenheimer tornou-se a primeira corretora global a iniciar cobertura das ações da SpaceX. Em relatório divulgado na quinta-feira, a instituição atribuiu recomendação “outperform” aos papéis e estabeleceu preço-alvo de US$ 190.











