O Banco Central (BC) decretou nesta sexta-feira (26) a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada em São Paulo, somando-se aos mais de dez casos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Segundo a autoridade monetária, a decisão foi tomada após identificar um comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, quadro que passou a expor seus credores quirografários — aqueles que não possuem garantias específicas para o recebimento de seus créditos — a risco anormal.
Ao justificar a liquidação, o BC informou que, além da deterioração financeira, a instituição cometeu graves violações às normas que regem a atividade de distribuidoras de títulos e valores mobiliários.
A distribuidora está enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, grupo que reúne instituições financeiras de menor porte dentro do Sistema Financeiro Nacional (SFN). De acordo com o Banco Central, a Sefer possui baixa representatividade no sistema financeiro, respondendo por menos de 0,0004% do total de ativos do SFN e por cerca de 0,17% dos recursos de terceiros sob administração.
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Em nota, o Banco Central informou que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”.
A instituição designou o auditor aposentado Edison Benedito Alexandre para conduzir o processo de liquidação extrajudicial. Ele já exerceu a mesma função na liquidação da Companhia Hipotecária Brasileira (CHB).
Bens de controladores e ex-administradores da Sefer ficam indisponíveis
Como consequência da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da Sefer Investimentos tornaram-se imediatamente indisponíveis.
Além de Benjamin Botelho de Almeida (dono da Sefer), tiveram os bens indisponíveis: Sefer Participações em Instituições Financeiras Ltda., Seferpar Participações e Investimentos S.A., Brazilpar Investments LLC e Lyon Investments LLC.
Outros 12 administradores e ex-administradores também foram incluídos:
- Alan Dain Gandelman
- Ana Cristina Guerreiro Bezerra
- Antonio José Gonçalves Mota
- Beniamino Gaiofatto
- Daniel dos Santos Nascimento
- Diego Gomes Ferreira
- Fernanda Silva Herrera
- Fernando Daruj Torres
- Jason Cristiano Cardoso Lima
- Ricardo Veles
- Roberto Eduardo Ferranty Mac Lennan
- Talitha Angelo da Silva.
Sefer Investimentos é investigada por ligação com o caso Banco Master
A Sefer Investimentos foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero e administrava fundos relacionados aos possíveis esquemas de fraude envolvendo o Banco Master. Segundo o Ministério Público, a distribuidora é controlada por Benjamin Botelho.
A corretora também foi alvo de mandados de busca e apreensão em janeiro, durante a segunda etapa da operação conduzida para investigar supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou que uma offshore vinculada à Sefer, a Faex Fund, sediada em Nassau, registrou um CNPJ na Receita Federal apenas nove dias após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. Conforme o cadastro da Receita, a empresa informou o mesmo endereço de e-mail e o mesmo telefone utilizados pela Sefer Investimentos.
Histórico de investigações por fraudes
Fundada em 1994, a Sefer Investimentos operava anteriormente sob o nome Foco DTVM e, antes disso, chamava-se Índigo. As alterações de nome ocorreram nos últimos anos em meio a operações da Polícia Federal e processos sancionadores conduzidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo seus controladores.
O proprietário da corretora, Benjamim Botelho de Almeida, é apontado pelas investigações como operador financeiro de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, a distribuidora adquiria imóveis e outros ativos, elevava artificialmente seus preços e, posteriormente, revendia esses ativos para empresas ligadas a Vorcaro e a seus familiares.
Vorcaro e Botelho também já haviam sido investigados na Operação Fundo Fake, deflagrada pela Polícia Federal em 2020. Na ocasião, as autoridades apuraram um suposto esquema de gestão fraudulenta de recursos aplicados por um regime próprio de previdência de um município do interior de Rondônia.











