A economia do Reino Unido começou 2026 em ritmo mais forte, surpreendendo o mercado ao superar o desempenho dos Estados Unidos e de parte das principais economias europeias no primeiro trimestre. O avanço da atividade, no entanto, ocorre em um momento de crescente tensão política no país e de pressão sobre a Bolsa local.
Dados divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) britânico cresceu 0,6% entre janeiro e março, acelerando em relação à alta de 0,2% registrada no trimestre anterior, em dado revisado.
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O resultado veio em linha com as estimativas de economistas consultados pelo The Wall Street Journal e reforça os sinais de recuperação da economia britânica após um período de crescimento mais fraco e inflação elevada.
Ao mesmo tempo em que acontece o avanço da atividade, o mercado financeiro britânico enfrenta uma deterioração do cenário político com a crise envolvendo Keir Starmer após derrotas eleitorais do Partido Trabalhista e do aumento das divergências no governo.
Serviços e construção sustentam avanço da economia no Reino Unido
O crescimento da atividade britânica no primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pelos serviços, que avançaram 0,8% no trimestre.
A construção civil também contribuiu para o resultado, com expansão de 0,4%. Já a produção industrial cresceu 0,2%, indicando avanço em diferentes segmentos da economia britânica.
Os dados oficiais também mostraram melhora da renda média da população. O PIB real per capita avançou 0,6% em relação ao trimestre anterior e subiu 0,9% na comparação anual.
Na comparação anual, a economia do Reino Unido avançou 1,4%, impulsionada principalmente pelo setor de serviços, que também registrou crescimento de 1,4%.
Reino Unido supera EUA, mas riscos externos pressionam
Segundo os dados divulgados pelo ONS, o desempenho da economia britânica superou o dos Estados Unidos e de seus pares europeus nos três primeiros meses do ano.
Ainda assim, o mercado segue atento aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz e da alta dos preços da energia, fatores que podem pressionar a inflação e reduzir o ritmo de recuperação da economia do Reino Unido.
O tema ganhou relevância porque o aumento dos custos de energia tende a afetar consumo, indústria e política monetária, especialmente em economias mais dependentes de importações energéticas.
Crise política pressiona mercados
Ao mesmo tempo em que acontece o avanço da atividade, o mercado financeiro britânico enfrenta uma deterioração do cenário político. Os custos de financiamento do governo dispararam nesta terça-feira (12) em meio ao agravamento da crise envolvendo Keir Starmer.
Investidores passaram a vender os chamados “gilts”, títulos da dívida pública do país, após rumores de que integrantes do gabinete pressionaram o premiê a considerar sua renúncia. O movimento ocorre após derrotas eleitorais recentes do Partido Trabalhista e do aumento das divergências internas dentro do governo.
Segundo o Financial Times, os rendimentos dos títulos britânicos de 30 anos chegaram a 5,8%, maior nível registrado neste século. Os papéis de 10 anos avançaram para cerca de 5,1%, próximos dos níveis observados durante a crise do governo de Liz Truss, em 2022. A libra esterlina também perdeu valor frente ao dólar e ao euro.
Pressão sobre Starmer aumenta
Segundo a BBC, 81 parlamentares trabalhistas já pediram publicamente a renúncia de Keir Starmer. Pelas regras internas do partido, um concorrente precisa do apoio de 20% da bancada trabalhista, atualmente o equivalente a 81 deputados, para desafiar formalmente a liderança.
Apesar da pressão, os parlamentares ainda não chegaram a um consenso sobre um nome capaz de disputar o comando do partido.
A crise política marca uma mudança na percepção do mercado sobre o governo trabalhista. Quando venceu as eleições de 2024, Keir Starmer era visto por investidores como uma liderança moderada, capaz de trazer estabilidade após anos de turbulência política, impactos do Brexit e inflação elevada.
Nos últimos meses, porém, o governo passou a enfrentar mais dificuldades para equilibrar crescimento fraco, pressão sobre serviços públicos e disputas internas relacionadas a gastos sociais e tributação.
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Risco de deterioração fiscal no Reino Unido
A alta dos rendimentos dos títulos reflete a piora da confiança do mercado na capacidade do governo de estabilizar a economia e controlar o déficit público.
Para investidores, o avanço dos juros da dívida aumenta o custo de financiamento do Tesouro britânico. Quanto maior o rendimento exigido pelo mercado, mais caro fica refinanciar a dívida pública, que já supera 95% do PIB do país. O cenário preocupa porque o Reino Unido enfrenta crescimento econômico limitado, produtividade estagnada e inflação persistente.
Analistas citados pela imprensa britânica afirmam que o temor do mercado não está apenas relacionado a uma eventual saída de Keir Starmer, mas também à incerteza sobre quem poderia substituí-lo.
Parte dos investidores teme uma mudança de direção dentro do Partido Trabalhista, com ampliação dos gastos públicos e maior intervenção do Estado na economia.











