O Banco da Inglaterra (BoE) manteve nesta quinta-feira (18) sua taxa básica de juros em 3,75% ao ano. A decisão, no entanto, veio acompanhada de sinais de que o debate sobre os próximos passos da política monetária segue longe de um consenso. A decisão foi aprovada por sete votos a dois no Comitê de Política Monetária.
Embora a desaceleração da inflação, a queda recente dos preços globais de energia e o enfraquecimento da economia tenham sustentado a manutenção da taxa, parte dos dirigentes do BoE continua preocupada com o risco de novas pressões inflacionárias.
O economista-chefe Huw Pill e a dirigente Megan Greene defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual, para 4%, reforçando a divisão interna sobre os impactos do choque energético na economia britânica.
Segundo o Banco Central, os preços globais de energia recuaram desde a reunião anterior em resposta aos acontecimentos no Oriente Médio. Apesar disso, seguem acima dos níveis observados antes do conflito e continuam voláteis. Diante desse cenário, o BoE afirmou que continuará monitorando os desdobramentos geopolíticos e seus reflexos sobre a economia do Reino Unido.
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Inflação continua no centro das atenções
O Banco da Inglaterra destacou que a política monetária não tem capacidade de influenciar diretamente os preços da energia. Seu papel, segundo a instituição, é garantir que os efeitos desse choque sejam compatíveis com o retorno da inflação à meta de 2% no médio prazo.
A autoridade monetária afirmou que “a postura política necessária para atingir esse objetivo dependerá da escala e da duração do choque e de como ele se propaga pela economia”. O comitê reiterou que está preparado para agir sempre que necessário para assegurar o cumprimento da meta inflacionária.
A inflação ao consumidor desacelerou para 2,8%, mas o banco projeta nova aceleração ao longo do ano. A expectativa é de que o índice de preços ao consumidor (CPI) alcance pouco mais de 3,25% no quarto trimestre.
O BoE alertou que a persistência de preços elevados de energia pode gerar pressões indiretas sobre a inflação por meio de salários e preços de bens e serviços. Ao mesmo tempo, destacou que o mercado de trabalho segue perdendo força e que os sinais de desaceleração econômica podem ajudar a conter essas pressões.
Bailey vê avanço da desinflação, mas mantém cautela
O presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmou que a queda recente dos preços da energia aumentou a confiança de que o processo de desinflação continua em andamento, em meio aos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho e da demanda.
“Estou satisfeito, no momento, em manter a taxa de juros, embora reconheça que os riscos para a inflação e as taxas de juros são de alta”, afirmou Bailey.
O dirigente destacou que os preços mais elevados da energia observados nos últimos quatro meses provocaram pressão inflacionária, mas ressaltou que o papel do Banco Central é impedir que esse movimento se transforme em inflação persistente.
“Dado o contexto atual de fragilidade na economia real e incerteza em relação à escala e duração do choque nos preços da energia, tolerar uma inflação temporariamente acima da meta como parte de um retorno à meta é uma maneira apropriada de abordar o equilíbrio, desde que as expectativas de inflação permaneçam controladas”, completou.
Mercado ainda aposta em alta dos juros pelo BoE e PIB moderado
Apesar da manutenção da taxa básica, os mercados continuam projetando uma elevação dos juros no Reino Unido até o fim do ano.
A combinação entre inflação ainda acima da meta, incertezas relacionadas aos preços da energia e a divisão observada dentro do Comitê de Política Monetária mantém abertas as expectativas de novos ajustes na política monetária britânica nos próximos meses.
O Banco da Inglaterra revisou sua estimativa para o crescimento subjacente do Produto Interno Bruto (PIB) britânico no segundo trimestre para cerca de 0,2%, acima da projeção de 0,1% divulgada em abril.
A instituição observou que os indicadores recentes apontam para o enfraquecimento da atividade econômica e da demanda, fatores que ajudam a explicar a decisão de manter os juros inalterados, apesar das preocupações com a inflação.
Libra recua após decisão sobre os juros
No câmbio, a libra esterlina caiu ao menor nível desde o início de abril, rompendo a marca de US$ 1,33. O movimento refletiu tanto a sinalização cautelosa do Banco da Inglaterra quanto o suporte dado ao dólar pela postura mais dura do Federal Reserve (Fed) na véspera.
Às 13h10, a moeda britânica operava em queda de 0,53%, cotada a US$ 1,32. Já o EUR/USD recuava 0,28%, para 1,14.
Segundo análise do ING, há pouco espaço para uma queda sustentada do euro abaixo da região de 1,15, apesar da valorização recente da moeda americana. O banco afirma que as atenções dos investidores estão cada vez mais voltadas para o Banco Central Europeu (BCE) e para a possibilidade de uma nova alta de juros durante o verão europeu.
A instituição avalia que o EUR/USD deve encontrar suporte entre 1,14 e 1,15, especialmente porque a redução dos preços de energia associada ao acordo entre Estados Unidos e Irã tende a aliviar pressões sobre a economia da zona do euro e melhorar o ambiente global de risco.
Para a libra esterlina, o ING manteve uma visão cautelosa. Na avaliação do banco, o Banco da Inglaterra busca atravessar o atual choque inflacionário sem responder com um aperto monetário adicional, estratégia que contribuiu para a fraqueza da moeda britânica após a decisão.











