A China anunciou nesta segunda-feira (22) novas restrições de exportação contra 10 empresas dos Estados Unidos, incluindo companhias dos setores de defesa, aeroespacial e mineração de terras raras. A medida determina a suspensão do envio de produtos e tecnologias chinesas que podem ter utilização tanto civil quanto militar para as empresas incluídas na lista.
A medida é uma resposta direta à lista negra criada pelos Estados Unidos com empresas chinesas. O país também proibiu dezenas de empresas americanas de participarem de contratos governamentais.
O Ministério do Comércio da China informou que a nova regra tem aplicação imediata. Em comunicado, o órgão determinou que “é proibida a exportação de itens de dupla utilização para as 10 entidades mencionadas, e qualquer organização ou indivíduo de qualquer país ou região está proibido de transferir ou fornecer itens de dupla utilização originários da China para as entidades mencionadas anteriormente; quaisquer atividades de exportação relacionadas em andamento devem ser imediatamente interrompidas”.
Os chamados itens de dupla utilização são produtos, tecnologias ou equipamentos que podem ser empregados em atividades comerciais e também em aplicações militares.
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Em nota, a Embaixada da China em Washington criticou a criação de listas de restrição contra empresas chinesas. Segundo o comunicado, “os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas”.
Medidas ocorrem após novas sanções contra empresas da China
A decisão de Pequim ocorre aproximadamente um mês após a visita do presidente americano Donald Trump à China, realizada com o objetivo de estabilizar as relações entre os Estados Unidos e o país asiático, marcadas por tensões comerciais.
Após o encontro, porém, Washington divulgou uma lista negra com 80 empresas chinesas e suas subsidiárias que, segundo o governo norte-americano, apoiam as Forças Armadas da China. A medida levou Pequim a sinalizar uma possível retaliação.
Em comunicado, o Ministério do Comércio chinês afirmou que os novos controles representam uma resposta ao que classificou como “ato flagrante do governo americano de adicionar empresas à sua chamada “lista de empresas militares chinesas”.
O ministério também declarou que as restrições têm como objetivo “salvaguardar a segurança nacional da China”.
Empresas de defesa e terras raras estão na lista
Entre as empresas americanas afetadas estão a Aveox, que possui contratos aeroespaciais com as Forças Armadas dos Estados Unidos, e a Oshkosh Defense, fabricante de veículos militares.
Também foram incluídas duas companhias relacionadas ao setor de terras raras, materiais utilizados na produção de eletrônicos e equipamentos de defesa: a MP Materials e a USA Rare Earth.
A lista completa das 10 empresas atingidas pelos controles chineses inclui:
- Aveox, Inc.
- Red Cat Holdings, Inc.
- Teal Drones, Inc.
- IMSAR, LLC (EUA)
- Jaia Robotics, Inc.
- Ball Aerospace & Technologies Corp.
- Oshkosh Defense, LLC
- L3 Harris Maritime Services, Inc.
- MP Materials Corp.
- USA Rare Earth, Inc.
China também impede empresas americanas de disputar contratos públicos
Além das restrições de exportação, Pequim anunciou sanções contra outras 46 empresas dos Estados Unidos, com limitações para a participação em compras governamentais e contratos públicos na China.
A medida foi anunciada pelo Ministério das Finanças chinês e inclui empresas como a Lockheed Martin, a Raytheon e a divisão de defesa da Boeing.
A China informou que compradores do país estão proibidos de adquirir produtos dessas companhias. No entanto, empresas que operam na China e possuem financiamento de capital americano continuam autorizadas a comprar produtos das empresas afetadas.
As restrições chinesas ocorrem após a lista elaborada pelos Estados Unidos atingir grandes companhias chinesas, incluindo Alibaba, Baidu e BYD.











