O CEO da Empiricus, Felipe Miranda, declarou nesta segunda-feira (2), que o Brasil não é ruim para investir, mas está em um ciclo ruim e longo. A fala ocorreu durante um painel voltado exclusivamente para investidores no evento “Economia em Debate”, promovido pelo Monitor do Mercado em parceria com a Wiser Investimentos.
Miranda afirmou, ainda, que apesar do momento desafiador para a economia, há chance de uma virada em 2026, com um impacto potencialmente forte.
Em uma análise do cenário atual, ele destaca que diante da taxa Selic em 14,75% não há como escapar de um ajuste fiscal, independentemente de quem esteja no governo, pois considera que “o problema do mercado não são as pessoas, nem o governo, mas sim as políticas adotadas”.
Nesse contexto, ressaltou as vantagens de investir em renda fixa, que se apresenta como uma boa opção, especialmente em tempos de inflação elevada.
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Ao lado de André Ribeiro, CEO da Wise Asset, Miranda também compartilhou estratégias de investimento e projeções para o atual ambiente desafiador da economia.
O Ibovespa não reflete a realidade da Bolsa
André Ribeiro ressaltou que o atual patamar do Ibovespa em 140 mil pontos está dissociado da realidade da Bolsa brasileira e que “o investidor tende a tomar decisões emocionais.”
Segundo ele, o investidor brasileiro tem amadurecido, mas as captações costumam ocorrer quando os preços já deixaram de ser atrativos.
Para enfrentar os ciclos, que podem ser positivos ou negativos, ele recomenda que o investidor esteja atento ao cenário de riscos, ciclo de juros, tarifas comerciais e ao clima de incerteza. Ressalta como ponto principal a diversificação de portfólio.
Explicou, ainda, o cenário de subalocação de risco: “Quando o mercado melhora, é natural que ocorra uma migração dos investimentos para os EUA”, assim como em situações de risco, o capital estrangeiro tende a procurar por ativos mais seguros.”, explicou Ribeiro.
Investir em Small Caps e iShares Small Cap
Em uma conversa com os investidors sobre possibilidades para a diversificação da carteira de investimentos, Felipe Miranda também apontou o potencial de crescimento das Small Caps — empresas com baixa capitalização de mercado — como uma oportunidade estratégica.
Ele mencionou o desempenho do iShares Small Cap Fundo de Índice (ETF), que desde sua criação em 2008 acumula rentabilidade superior a 370% e administra mais de R$ 2 bilhões em patrimônio líquido.
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Maiores riscos de investir em 2025
Quando questionado sobre as projeções para o mercado externo e os maiores riscos possíveis para a economia, Miranda chamou atenção para riscos vindos da economia internacional.
Ele comparou o atual cenário de tarifas comerciais adotadas por Donald Trump com o período da Grande Depressão, nos anos 1930, durante o governo Hoover nos EUA.
“O grande risco externo é repetir o que ocorreu na década de 30, com tarifas comerciais tão altas quanto as atuais”, afirmou.
Já internamente, o maior risco apontado por Miranda é o descontrole fiscal, com potencial de gerar impactos irreversíveis para a economia brasileira.
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Nota da Moody’s pressiona cenário fiscal
Na última sexta-feira (30), a agência de classificação de risco Moody’s alterou a perspectiva do rating soberano do Brasil, que passou de “positiva” para “estável”. A nota de crédito foi mantida em Ba1, um nível abaixo do grau de investimento.
Segundo a Moody’s, a mudança reflete progresso mais lento que o esperado na construção da credibilidade da política fiscal e na resolução da rigidez dos gastos públicos. A agência também destacou a redução dos riscos positivos e uma deterioração da capacidade de pagamento da dívida.
Por outro lado, a reafirmação do rating considera o crescimento sólido da economia brasileira, um histórico de implementação de reformas e vulnerabilidade externa limitada.
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A Moody’s agora espera que a dívida pública se estabilize em torno de 88% do PIB nos próximos cinco anos, acima dos 82% projetados anteriormente. A agência também destacou que a estrutura de gastos rígida e os pagamentos elevados de juros limitam a capacidade do governo de responder a choques econômicos.
Em nota oficial, o Ministério da Fazenda disse ter compromisso com a melhoria contínua dos resultados fiscais e com o aprofundamento do processo de reformas estruturais, em articulação com os demais Poderes da República.











