O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, iniciou a semana em tom positivo e voltou a flertar com os 162 mil pontos, ao avançar 0,83% nesta segunda-feira (5), aos 161.869,76 pontos, em um pregão marcado pelo forte desempenho dos bancos e pela alta das ações da Vale.
O Bradesco teve forte valorização, com alta de 3,39% (ON) e de 4,23% (PN), enquanto o Itaú também contribuiu para o movimento positivo, com avanço de 1,46% (PN). A Vale fechou em alta de 1,02%, reforçando o fôlego do índice.
Na contramão, a Petrobras exerceu pressão negativa sobre a Bolsa, mesmo em um cenário de petróleo mais caro nos mercados de Londres e Nova York. A estatal registrou queda de 1,67% (ON) e 1,66% (PN). Segundo analistas, o movimento reflete a leitura de que uma eventual reabertura do mercado de petróleo na Venezuela para empresas dos EUA pode ampliar a oferta regional, aumentando a concorrência no setor de energia.
Entre os destaques individuais do pregão, o setor imobiliário chamou atenção. As ações da MRV dispararam 6,09%, enquanto a Cyrela avançou 5,47%. No lado oposto, a C&A registrou a maior queda do dia, com recuo de 15,71%.
No câmbio, o dólar encerrou a sessão em baixa de 0,37%, cotado a R$ 5,40, no menor nível de fechamento desde 11 de dezembro. A desvalorização da moeda americana refletiu o enfraquecimento global do dólar e a melhora do apetite por risco nos mercados internacionais.
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No cenário internacional, após um movimento inicial de forte valorização das ações de petrolíferas impulsionado pela operação conduzida pelo governo Trump na Venezuela, a volatilidade gerada pelo episódio vem sendo gradualmente absorvida, enquanto diminuem as apostas em uma escalada militar.
A crise envolvendo o governo de Nicolás Maduro segue no radar dos investidores, mas, por ora, tende a ser tratada de forma mais cautelosa, em compasso de espera.
No Brasil, o caso envolvendo o Banco Master ganha novos desdobramentos. O ministro Jhonatan de Jesus autorizou o Tribunal de Contas da União (TCU) a realizar inspeções com “máxima urgência” nas dependências do Banco Central (BC), com o objetivo de apurar todas as etapas do processo de liquidação da instituição financeira.
O TCU busca acesso integral ao processo para avaliar se houve precipitação por parte do BC. A iniciativa provocou reação do setor financeiro, que divulgou nota conjunta em defesa da atuação da autoridade monetária. O documento reafirma a “plena confiança” nas decisões técnicas do BC e ressalta a necessidade de preservar a independência da autarquia.
Auditores do próprio Banco Central avaliam que a inspeção é atípica e contribui para elevar a insegurança jurídica, ao avançar sobre questões de mérito regulatório e aspectos correicionais que, segundo eles, não costumam ser tratados por órgãos dessa natureza.
Em nota, a associação que representa os auditores afirma que colocar o regulador sob investigação cria um precedente que enfraquece a supervisão bancária, reduz a previsibilidade regulatória e pode afetar a confiança no sistema financeiro.
Ao Estadão, especialistas e técnicos do próprio TCU afirmaram que o tribunal não teria competência para interferir em uma liquidação determinada pelo Banco Central, nem para atuar no sentido de reverter uma decisão da autoridade monetária.
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Manchetes desta manhã
- Trump sugere reembolsar petroleiras americanas que investirem na Venezuela (Valor)
- Tarifa do transporte sobe em SP e mais 12 cidades da região metropolitana (Folha)
- Banco Central questiona inspeção de Jhonatan de Jesus no caso Master e pede decisão colegiada do TCU (Estadão)
- Wilson Sons compra outra metade da Allink (O Globo)
- BC rastreia dinheiro do Banco Master e liga fraudes do BRB e Reag (Valor)
Mercado global
As Bolsas da Europa operam mistas, com atenção ao quadro geopolítico. Apesar de o setor de energia ter reagido pontualmente à ação militar dos EUA na Venezuela, o efeito foi contido, e os mercados seguem guiados mais pelo movimento recente dos ativos do que por temores geopolíticos.
O foco dos investidores também se desloca para a divulgação de novos indicadores econômicos. Na França, a inflação surpreendeu ao desacelerar para 0,8%, enquanto, na Espanha, o PMI de serviços sinalizou um ritmo mais intenso de expansão da atividade.
No mercado acionário, as principais mineradoras registraram ganhos: a Rio Tinto avançou 0,39%, a Glencore subiu 0,56% e a Anglo American teve alta de 0,32%.
Na Ásia, os índices avançaram pelo segundo pregão consecutivo, impulsionados por papéis do setor de defesa, que seguem em valorização e levaram Tóquio e Seul a renovarem máximas. O movimento ganhou força após a prisão de Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos no fim de semana.
Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 1,31%, enquanto Seul registrou alta de 1,52%. Na China continental, Xangai subiu 1,5% e Shenzhen teve ganho de 1,4%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,38%, e, em Taiwan, o Taiex fechou o pregão com valorização de 1,57%.
Em Nova York, os índices futuros recuam nesta terça-feira, depois do avanço expressivo do pregão anterior, enquanto o mercado deixa em segundo plano as tensões envolvendo a Venezuela e volta a atenção às perspectivas de expansão da economia americana e aos impactos sobre os resultados das empresas.
Confira os principais índices do mercado:
- Dow Jones Futuro: -0,16%
- S&P 500 Futuro: -0,05%
- Nikkei (Japão): +1,31%
- Hang Seng Index (Hong Kong): +1,38%
- Shenzhen: +1,4%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,71%
- CAC 40 (França): -0,49%
- STOXX 600: +0,16%
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Commodities
- Petróleo: avança depois de um pregão instável na segunda-feira, quando o mercado incorporou um aumento no prêmio de risco diante das tensões no cenário internacional. Os mercados ainda tentam mensurar os efeitos de uma eventual interferência dos Estados Unidos no controle do setor petrolífero da Venezuela.
O Brent/março avança 0,42%, cotado a US$ 62,02 e o WTI/jan sobe 0,34%, a US$ 58,52. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,69% em Dalian, na China, cotado a US$ 114,68/ton.
Em Singapura, os contratos futuros estão valorizam 0,80%, cotados a US$ 106,65/ton e o mercado à vista sobe 0,66%, cotado a US$ 106,70/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, o mercado volta as atenções nesta sessão para a divulgação dos índices de gerentes de compras (PMIs) composto e de serviços de dezembro, que sinalizam o ritmo da atividade econômica.
Os investidores também monitoram a agenda de autoridades monetárias. O destaque fica para o discurso de Thomas Barkin, dirigente do Federal Reserve (Fed), previsto para as 10h, em busca de sinais sobre os próximos passos da política de juros.
No noticiário geopolítico, a Venezuela segue no centro das atenções globais. Em audiência realizada em um tribunal de Manhattan, Nicolás Maduro declarou-se inocente das quatro acusações criminais apresentadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Paralelamente, a vice-presidente e ministra do Petróleo, Delcy Rodríguez, foi oficialmente empossada nesta segunda-feira como presidente interina do país.
A crise também chegou ao Conselho de Segurança da ONU. Em reunião emergencial para tratar do tema, Rússia, China, Brasil e outros países criticaram a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do ex-presidente, ampliando a dimensão diplomática do episódio.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica tem como principal destaque a divulgação dos dados da balança comercial de dezembro, prevista para as 15h. A expectativa é de um superávit de US$ 7,4 bilhões no mês, acima do registrado em dezembro de 2024, quando o saldo foi de US$ 4,6 bilhões, e também superior ao resultado de novembro, de US$ 5,8 bilhões.
O avanço do saldo comercial reflete um desempenho mais robusto das exportações, impulsionado principalmente pelos embarques de carnes e de minério de ferro.
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Destaques do mercado corporativo
- PicPay: protocolou pedido de IPO nos EUA junto à SEC, com operação que pode movimentar cerca de US$ 500 milhões.
- Localiza: aprovou aumento de capital de R$ 2,065 bilhões via bonificação em ações e informou elevação de participação da Capital Research.
- Multiplan: assinou MOU para vender 10% do BH Shopping por R$ 285 milhões.
- JHSF: anunciou aumento de capital de R$ 13,1 milhões com exercício de opções de ações.
- Equatorial: ajustou o valor unitário dos JCP, mantendo o montante total de R$ 167,7 milhões.
- Copel: GQG Partners passou a deter 2,37% das ações ordinárias da companhia.
- Totvs: concluiu a aquisição da TBDC por R$ 80 milhões por meio de sua subsidiária TTS.

