O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), retomou a trajetória de alta nesta terça-feira (27) em novo recorde de fechamento, com valorização de 1,79%, aos 181.919,13 pontos. Ao longo da sessão, o índice chegou à intradiária inédita de 183 mil pontos.
Nos bastidores do rali, o fluxo estrangeiro seguiu como principal motor do mercado. Analistas apontam que a entrada de capital externo permanece consistente, tanto por meio de gestores ativos quanto via recursos passivos, especialmente ETFs listados em Nova York e lastreados em ações brasileiras, o que tem ampliado a demanda pelos papéis negociados na B3.
Entre as ações de maior peso do Ibovespa, a Petrobras teve desempenho expressivo com ganhos de 2,8% (ON) e de 2,18% (PN), seguindo a forte alta dos contratos futuros de petróleo em Londres e Nova York.
A Vale também fechou em terreno positivo, com alta de 2,2%, acompanhada pelo setor financeiro. Os papéis do Santander avançaram 3,18% (units), enquanto o Itaú teve valorização de 2,65% (PN).
No recorte setorial, os maiores destaques de alta ficaram com Raízen, que disparou 8,43%, seguida por CSN, com ganho de 7,13%. Na ponta oposta, a Eneva figurou entre as principais quedas do dia, com recuo de 2,72%.
No câmbio, o dólar fechou em queda de 1,38% frente ao real, negociado a R$ 5,20, no menor nível desde o fim de maio de 2024. Analistas atribuem a desvalorização ao enfraquecimento global da moeda americana e à entrada de recursos estrangeiros na B3.
- Para entender a sequência de recordes da Bolsa, ouça essa edição do Podcast Café da Manhã, da Folha de S. Paulo, com Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado:
No cenário internacional esta super quarta (28) concentra as atenções dos mercados. Na primeira reunião de política monetária de 2026, o Federal Reserve (Fed) deve manter os juros inalterados, na faixa entre 3,5% e 3,75%.
A expectativa majoritária é de que o presidente do Fed, Jerome Powell, evite sinalizações sobre os próximos passos, em meio à pressão pública do presidente Donald Trump por uma política monetária mais flexível.
A plataforma CME Group indica probabilidade superior a 97% de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) opte por uma pausa no ciclo de cortes.
Barclays, Goldman Sachs e Bank of America avaliam que o Fed só deve retomar a redução dos juros em junho, após a saída de Powell, prevista para maio, e projetam dois cortes de 25 pontos-base em 2026.
No mercado cambial, o índice DXY aprofundou as perdas após o fechamento em Nova York, com as declarações de Trump de que o “dólar está ótimo” e que não há preocupação com o nível da moeda, que opera nos patamares mais fracos em quase quatro anos.
No Brasil, a expectativa é de manutenção da Selic em 15% pelo Banco Central, em decisão prevista para depois das 18h30. Assim como no caso do Fed, o comunicado não deve antecipar de forma explícita um corte de juros já em março, apesar de essa ser a aposta predominante do mercado.
A postura dependente de dados do Comitê de Política Monetária (Copom), reiterada nas comunicações recentes, reduziu as apostas em um primeiro corte ainda em janeiro. O cenário doméstico segue marcado pela taxa de desemprego no menor nível da série histórica e pela aceleração dos serviços subjacentes no IPCA de dezembro.
Em evento promovido pelo UBS, nesta terça-feira, o ex-diretor do Banco Central, Bruno Serra Fernandes, afirmou que o processo de flexibilização monetária pode começar com um corte de 0,5 ponto percentual em março, seguido por duas reduções de 0,75 ponto nas reuniões seguintes. Nesse cenário, a taxa básica encerraria o ciclo em torno de 11%.
Segundo Fernandes, com a inflação projetada próxima da meta de 3% no horizonte relevante, o nível atual da Selic representa um aperto elevado. Para ele, apenas uma deterioração significativa do ambiente externo ou do cenário eleitoral teria potencial para alterar de forma relevante essa trajetória.
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Manchetes desta manhã
- Queda global do dólar tende a se estender e beneficiar ainda mais o real, diz Vinci Compass (Valor)
- Podcast explica sequência de recordes da Bolsa e analisa perspectivas para 2026, com Marcos de Vasconcellos (Folha)
- Amazon anuncia corte de cerca de 16 mil vagas em novo ajuste para simplificar estrutura (Estadão)
- Ouro bate novo recorde e supera US$ 5,3 mil, com dólar em queda e fala de Trump no radar (O Globo)
- XP vai cobrar taxa de plataforma para assessorias com ‘fee fixo’ (Valor)
Mercado global nesta super quarta
As Bolsas da Europa operam em queda nesta sessão, à espera da decisão de juros do Fed, após fecharem majoritariamente em alta na sessão anterior, impulsionados pelo acordo comercial histórico entre a União Europeia e a Índia.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta puxados por ações de tecnologia e IA, antes dos balanços de grandes empresas dos EUA e a decisão de juros do Fed.
No câmbio, o iene opera perto das máximas de três meses, com o mercado atento à possível intervenção cambial entre EUA e Japão.
Em Nova York, os índices futuros de Wall Street avançam à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) e a divulgação dos balanços das big techs.
Confira os principais índices do mercado:
• S&P 500 Futuro: +0,36%
• FTSE 100: -0,44%
• CAC 40: -0,87%
• Nikkei 225: +0,54%
• Hang Seng: +2,58%
• Shanghai SE Comp: +0,27%
• Ouro (fev): +3,73%, a US$ 5.272,3 por onça troy
• Índice do dólar (DXY): -0,08%, aos 96,138 pontos
• Bitcoin: +1,95% a US$ 89.470,2
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Commodities
- Petróleo: recua após forte alta da sessão anterior, com o mercado acompanhando as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos de uma tempestade de inverno nos Estados Unidos.
A atenção segue voltada à presença militar dos EUA perto do Irã, após o presidente Donald Trump afirmar que uma flotilha segue para a região.
O Brent/março recua 0,18%, cotado a US$ 67,39 e o WTI/março opera em leve queda de 0,08%, a US$ 62,31 - Minério de ferro: fechou em queda de 0,7% em Dalian, na China, cotado a US$ 112,59/ton.
Segundo analistas a queda reflete a avaliação dos mercados sobre o nível de estoques em portos da China.
Cenário internacional é de expectativa sobre os juros
Nos EUA, os mercados acompanham a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), com expectativa de manutenção dos juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%, com os investidores atentos a qualquer sinalização sobre o momento do próximo corte na taxa básica.
A avaliação é de que o presidente do Fed, Jerome Powell, reforce uma condução estritamente dependente dos dados econômicos, evitando assumir compromissos claros sobre a trajetória futura dos juros. Em dezembro, Powell afirmou que o Banco Central estava “bem posicionado para esperar e observar” a evolução da atividade, mensagem que tende a ser reiterada na coletiva de imprensa de hoje.
A entrevista também deve trazer questionamentos sobre a liderança de Powell e a independência do Fed, tema que ganhou relevância diante das recentes manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre política monetária.
Entre os compromissos na Casa Branca, Trump participa hoje, às 11h, da cúpula “Trump Accounts”, promovida pelo Departamento do Tesouro.
No mercado acionário americano, o foco recai sobre a temporada de balanços, com destaque para os resultados das big techs, como Microsoft, Meta e Tesla.
No cenário nacional a aposta é de manutenção dos juros
No Brasil, a agenda doméstica desta quarta-feira tem como principal destaque a decisão de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na avaliação do BTG, janeiro seria um momento adequado para o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, diante de um cenário em que a política monetária permanece em campo contracionista e não há sinais relevantes de pressão sobre a demanda.
Segundo o banco, mesmo um corte inicial de 25 pontos-base manteria as condições financeiras em nível “firmemente restritivo”, preservando o caráter desinflacionário da política monetária.
Além da decisão do Copom, o Tesouro Nacional divulga hoje uma série de documentos relevantes para o mercado. Às 14h30, serão publicados o Relatório Mensal da Dívida (RMD) de dezembro de 2025, o Relatório Anual da Dívida (RAD) de 2025 e o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026. Na sequência, às 15h, está prevista uma coletiva de imprensa para detalhar os dados.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, onde fará discurso para autoridades e representantes do setor privado.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: a companhia reportou forte desempenho operacional em 2025, com produção de minério de ferro no maior nível desde 2018, enquanto o mercado aguarda o balanço financeiro.
- CSN: a companhia negou negociações avançadas para a venda de sua operação siderúrgica, classificando as informações como especulações de mercado.
- Sabesp: a empresa captou recursos no exterior para financiar seu plano de investimentos em saneamento e anunciou aquisição de participação em concessionária no interior paulista.
- Brava Energia: informou aumento da participação do Goldman Sachs no capital da companhia por meio de instrumentos financeiros.
- Banco Inter: aprovou a descontinuidade do programa de BDRs patrocinados nível II, mantendo apenas BDRs não patrocinados.
- Braskem: atualizou as condições de remuneração de títulos de dívida de longo prazo, elevando a taxa paga aos investidores.
- Gol: a B3 prorrogou o prazo para reenquadramento das ações preferenciais acima de R$ 1.





