A cadeia de combustíveis e lubrificantes arrecadou R$ 210 bilhões em tributos em 2024, sendo que desse total R$ 152 bilhões correspondem ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), equivalentes a cerca de 25% de toda a arrecadação dos estados, segundo estudo elaborado pela LCA Consultoria Econômica para o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).
A arrecadação inclui ainda R$ 55 bilhões em PIS/Cofins e R$ 3 bilhões em Cide. O levantamento revela ainda que os tributos podem representar até 35% do preço final dos combustíveis.
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“A cadeia de combustíveis e lubrificantes é um elo essencial para o funcionamento da economia brasileira. Estamos falando de um setor que garante a mobilidade de pessoas e mercadorias em todo o território nacional, gera emprego e renda, sustenta uma parcela relevante da arrecadação dos estados, investe de forma consistente em inovação e logística e avança de maneira concreta na transição energética e em ações sociais”, afirma Mozart Rodrigues, diretor-executivo do Sindicom.
Participação na matriz energética e no consumo
O estudo aponta que derivados de petróleo e biocombustíveis líquidos representam 45% da matriz energética nacional.
Entre os setores envolvidos na cadeia, Transportes responde por 62% do consumo de derivados de petróleo e 90% do consumo de biocombustíveis. O transporte rodoviário concentra 65% das cargas e 95% dos passageiros movimentados no Brasil, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).
Já a indústria corresponde a 8% do consumo de derivados de petróleo, enquanto os setores agropecuário e residencial somam 12% e outros setores representam 18%.
Estrutura logística e capilaridade nacional
O Brasil conta com 189 distribuidoras de combustíveis líquidos, 361 bases de distribuição e cerca de 45 mil postos revendedores.
Em 2024, as distribuidoras venderam 134 bilhões de litros de combustíveis líquidos. No levantamento que considera combustíveis e biocombustíveis, o volume comercializado chega a aproximadamente 137 bilhões de litros. Entre 2018 e 2024, o crescimento médio anual das vendas foi de 2,8%.
O estudo destaca que as áreas de produção e refino estão concentradas em poucos estados, enquanto o consumo está distribuído por todo o território nacional, o que impõe desafios logísticos ao setor.
A distribuição de combustíveis representa 7,3% do PIB do comércio, equivalente a R$ 86 bilhões em 2023.
Impacto macroeconômico e risco sistêmico do setor de combustíveis
O estudo cita estimativas do Banco Central do Brasil e da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicando que uma interrupção de nove dias no abastecimento poderia gerar perdas entre 0,5% e 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
Considerando o PIB de 2024, a perda estimada é de aproximadamente R$ 9,1 bilhões por dia.
O levantamento aponta ainda que uma paralisação do modal rodoviário pode provocar colapso na cadeia produtiva nacional.
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Emprego, renda e mercado de trabalho no setor de combustíveis
Em 2024, o comércio de combustíveis líquidos e lubrificantes empregou 447 mil trabalhadores formais.
O comércio de combustíveis empregou 425 mil trabalhadores formais, enquanto o segmento de lubrificantes respondeu por 22 mil empregos formais. A massa salarial totalizou R$ 18,6 bilhões, com impacto sobre renda e consumo das famílias.
Entre 2018 e 2024, o número de empregos no setor de lubrificantes cresceu 11,2%, impulsionado pela expansão da frota automotiva e pelo aumento da atividade industrial.
O mercado de trabalho de lubrificantes em 2024 era composto por 9,6 mil atacadistas e 12,8 mil varejistas.
Brasil no mercado global de lubrificantes e rerrefino
O Brasil é o quinto maior mercado de lubrificantes do mundo, ficando atrás da China, Estados Unidos, Índia e Japão.
Em 2024, foram vendidos 1,5 bilhão de litros de óleo lubrificante no país. No mesmo ano, cerca de 600 milhões de litros de óleos lubrificantes usados ou contaminados (OLUC) foram recolhidos em 4.444 municípios e encaminhados para 12 plantas de rerrefino concentradas na região Sudeste.
Em 2025, o volume recolhido chegou a cerca de 634 milhões de litros em mais de 4.500 municípios. Atualmente, o rerrefino já responde por aproximadamente 20% da oferta nacional de óleos básicos, reduzindo a dependência de importações e contribuindo para o abastecimento interno.
O Brasil possui o oitavo maior parque de refino do mundo, é o sétimo maior consumidor global de petróleo e derivados e o sexto maior mercado em vendas de veículos novos, segundo dados da International Energy Agency (IEA) e da International Organization of Motor Vehicle Manufacturers (OICA).
Investimentos em P&D e infraestrutura
Empresas da cadeia de petróleo investiram R$ 4,2 bilhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em 2024. Desse total, R$ 1,2 bilhão foi destinado à modernização da logística, automação operacional e aprimoramento da infraestrutura de distribuição.
Entre os investimentos das distribuidoras estão:
- R$ 280 milhões aplicados em terminais multimodais ao longo de quatro anos
- R$ 80 milhões em bases de distribuição na região Nordeste, incluindo terminal
- R$ 115 milhões em bases de distribuição na região Norte
- R$ 190 milhões na ampliação e modernização de bases de distribuição
- R$ 394 milhões em contratos de transporte dutoviário de etanol, com vigência até 2029, incluindo loop ferroviário
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Perspectivas para a transição energética
O estudo aponta iniciativas voltadas à redução da intensidade de carbono. Entre elas está o etanol de segunda geração (E2G), que pode ampliar a produção em até 50% sem expansão da área cultivada.
Também é citado o diesel R5, que incorpora 5% adicional de diesel verde e pode reduzir até uma tonelada de CO₂ a cada 8,7 mil litros consumidos, em comparação ao diesel convencional.



