O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quinta-feira (19) em queda de 0,35%, aos 180.270 pontos, com o impacto das declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, sobre uma atuação conjunta com os Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global de petróleo.
As falas provocaram uma rápida reprecificação dos ativos ao redor do mundo. Netanyahu disse que o Irã já não teria capacidade de enriquecer urânio nem de recompor seu arsenal de mísseis. Ele também indicou que não há prazo definido para o fim do conflito, limitando o otimismo dos investidores.
O mercado de petróleo reagiu imediatamente às declarações. A commodity, que vinha sendo sustentada pelo risco geopolítico, chegou a aprofundar as perdas após as falas de Netanyahu. Também pesou sobre os preços a expectativa de uma possível liberação coordenada de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia (AIE), medida que tende a aliviar eventuais gargalos de oferta.
Com o recuo do petróleo, as ações da Petrobras perderam força e terminaram o dia com perdas de 0,12% 9ON) e de 0,47% (PN). A Vale também acompanhou o movimento e terminou a sessão em baixa de 0,65%.
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Por outro lado, os papéis do setor financeiro tiveram ganhos moderados. As ações do Banco Bradesco avançaram 0,05% (PN), enquanto os papéis do Santander Brasil Unit lideraram os ganhos do segmento, com alta de 1,15%.
Entre os destaques positivos do dia, as ações da Hapvida dispararam 14,98%, liderando o ranking de valorização do índice, enquanto a Minerva figurou entre as maiores quedas do pregão, com as ações despencando 10,70%.
No câmbio, o dólar encerrou o dia em queda de 0,59% frente ao real, a R$ 5,21, com o recuo dos preços do petróleo, após declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu indicando a redução das tensões no Oriente Médio.
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No cenário internacional, apesar da leitura de que o conflito pode estar próximo de uma resolução, a ausência de um cronograma claro para o fim das hostilidades manteve os investidores em alerta. O cenário geopolítico segue como um dos principais vetores de volatilidade para os mercados globais, especialmente para ativos sensíveis ao preço do petróleo e ao risco inflacionário.
O mercado de petróleo voltou a registrar queda no fim da noite de ontem, mesmo após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar uma nova onda de ataques contra Israel.
Na tentativa de conter um novo rali da commodity, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a ampliação do volume de petróleo disponível nas reservas emergenciais dos países-membros. O montante foi elevado de 400 milhões para 426 milhões de barris, reforçando o colchão de segurança diante da escalada do conflito. Apenas neste mês, o preço do petróleo já acumula salto de cerca de 45%.
No Brasil, os caminhoneiros decidiram suspender por uma semana a ameaça de uma greve nacional, enquanto negociam com o governo federal medidas para garantir o cumprimento da tabela de frete mínimo. Entre as propostas do governo estão sanções mais duras para empresas que descumprirem a tabela, com multas que podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões.
Ao mesmo tempo, o governo intensificou a fiscalização sobre o setor de combustíveis. Segundo reportagem da Folha, as distribuidoras Ipiranga, Raízen e Vibra Energia receberam 48 horas para explicar o que foi classificado como uma alta abrupta nos preços nas bombas. A suspeita é de que parte dos reajustes tenha sido realizada antes mesmo de os efeitos da guerra internacional chegarem ao mercado doméstico.
ANP pressiona Petrobras: em outra frente, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou que a Petrobras retome imediatamente a oferta ao mercado dos volumes de diesel e gasolina referentes aos leilões deste mês que haviam sido cancelados pela estatal.
A decisão acendeu um alerta entre distribuidoras e postos de combustíveis, que temem risco de escassez do produto já em abril caso o abastecimento não seja normalizado rapidamente.
Em nota, a Petrobras afirmou que avaliará o teor da determinação da ANP e reiterou que suas refinarias operam com carga máxima, em meio ao ambiente de forte volatilidade no mercado internacional de energia.
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Manchetes desta manhã
- Petróleo já supera US$ 150 no Oriente Médio e expõe choque maior no mercado (Valor)
- Fundo citou em relatório R$ 5 bilhões em letras do Master, o dobro do detectado pela PF (Folha)
- Indústria do petróleo ameaça ir à Justiça contra o governo Lula por imposto de exportação de 12% (Estadão)
- Bancos firmam parceria com Coaf e podem arcar com custos de novo sistema do órgão (O Globo)
- Vorcaro assina confidencialidade e dá 1º passo em acordo de delação premiada (Valor)
Mercado global tem semanas consecutivas de perdas com alta do petróleo
As Bolsas da Europa operam com viés de alta, mas devem completar a 3ª semana consecutiva de perdas, com impacto das incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Consequência do conflito, a disparada do petróleo reforça os temores de risco inflacionário global e aumenta as chances de elevação futura de juros pelo BCE, que ontem manteve as taxas inalteradas.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana com desempenho misto em meio à volatilidade do petróleo.
No noticiário local, um dos últimos bancos a decidir sobre a política monetária, o PBoC, da China, manteve inalteradas suas taxas de juros, enquanto no Japão, feriado nacional fechou os mercados.
O Banco Central chinês manteve suas taxas inalteradas, com a taxa de empréstimo de um ano mantida em 3% e a de cinco anos, que influencia o preço das hipotecas, em 3,50%, em linha com as expectativas do mercado.
Em Nova York, os índices futuros operam em baixa nesta sexta-feira e caminham para a quarta semana consecutiva de perdas em meio às incertezas sobre o fim da guerra no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,44%
- FTSE 100: +0,12%
- CAC 40: +0,13%
- Nikkei 225: fechado por feriado
- Hang Seng: -0,88%
- Shanghai SE Comp: -1,24%
- Ouro (abr): +1,59%, a US$ 4.679,4 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,19%, aos 99,416 pontos
- Bitcoin: +0,34% a US$ 70.562,91
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Commodities
- Petróleo: os preços recuam enquanto os EUA adotam medidas para ampliar a oferta da commodity e reforçar a segurança do transporte no Estreito de Ormuz, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que chega ao 21º dia.
Nos últimos dias, o Irã intensificou as tensões ao atacar instalações energéticas no Golfo Pérsico, em retaliação ao ataque de Israel ao campo de gás South Pars.
O Brent/maio recua 0,60%, cotado a US$ 108 e o WTI/maio cai 0,94%, a US$ 94,65. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,05% em Dalian, na China, cotado a US$ 118,1/ton.
O Commonwealth Bank da Austrália atribui a alta do minério à flexibilização das restrições chinesas à compra de cargas da BHP.
Apesar do elevado volume de importações, analistas apontam que o movimento não reflete necessariamente maior demanda das siderúrgicas chinesas, mas sim uma estratégia do país de ampliar estoques da commodity em meio aos preços mais baixos.
Cenário internacional
A agenda internacional segue esvaziada, com o mercado atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e aos impactos sobre energia e riscos de inflação global.
Entre os indicadores do dia, a Rússia anunciou sua decisão de política monetária, de redução da taxa básica de juros em 50 pb, para 15%, em linha com as estimativas. Mais cedo a Alemanha divulgou o índice de preços ao produtor (PPI) de fevereiro, que caíram 3,3% em fevereiro, após recuar 3% em janeiro, pior que as expectativas de -2,7%.
Nos EUA, os investidores acompanham às 14h o relatório da Baker Hughes sobre o número de poços e plataformas de petróleo em operação, indicador relevante para avaliar a oferta futura da commodity.
Ataques ao Catar pressionam mercado de gás: o CEO da QatarEnergy afirmou à Reuters que ataques iranianos comprometeram cerca de 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do Catar.
Segundo a companhia, os danos devem provocar perdas anuais estimadas em US$ 20 bilhões e ameaçam o fornecimento de gás para Europa e Ásia.
O processo de reparo das instalações afetadas pode levar de três a cinco anos, o que aumenta a preocupação com a oferta global de energia.
Cenário nacional é de alívio com suspensão da ameaça de greve
No Brasil, a suspensão da ameaça de greve ocorre enquanto representantes da categoria negociam com o governo federal uma Medida Provisória que prevê punições para empresas que descumprirem o pagamento do preço mínimo do frete.
Diante da disparada dos combustíveis, o Ministério da Fazenda propôs aos estados uma redução do ICMS sobre o diesel importado. A ideia é conter o avanço dos preços nas bombas.
Pelo modelo em discussão, a União compensaria 50% da perda de arrecadação dos estados. Segundo o Valor , uma decisão sobre a proposta deve ser tomada até 27 de março, com validade prevista até 31 de maio.
Haddad entra na disputa por São Paulo: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi anunciado pelo presidente do Partido dos Trabalhadores como pré-candidato ao governo de São Paulo nas próximas eleições.
No noticiário político-econômico, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), passo inicial para negociar um acordo de delação premiada.
Vorcaro condicionou a negociação à sua saída de um presídio federal. Na noite de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a transferência do banqueiro para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
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Destaques do mercado corporativo
- Santander Brasil: anunciou que Mario Leão deixará a presidência até julho; ele será substituído por Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3.
- B3: com a saída de Finkelsztain para o Santander, a Bolsa já avalia nomes internos para assumir a presidência, incluindo executivos da alta administração e membros do conselho.
- XP: o CEO José Berenguer nega ter sido sondado para comandar a B3 após a mudança na liderança da companhia.
- BRB: a S&P rebaixou o rating do banco e colocou a nota em observação negativa, citando incertezas sobre a capacidade de reforço de capital da instituição.
- Axia Energia: concluiu reorganização societária com a ISA Energia, assumindo controle total da IE Garanhuns após operação de R$ 1,17 bilhão.
- Vibra: negou inadimplência em contratos vinculados a CRIs e contestou denúncias de investidores sobre supostos débitos superiores a R$ 600 milhões.
- Minerva: recomprou US$ 35,5 milhões em títulos com vencimento em 2031, dando continuidade à estratégia de redução do endividamento iniciada em 2025.











