O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou a sessão desta quarta-feira (1º) em leve alta de de 0,26%, aos 187.952,91 pontos, impulsionado pela expectativa de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciaria o cessar-fogo no Oriente Médio, em seu pronunciamento à nação previsto para o fim da noite.
O otimismo do mercado ajudou a reduzir a aversão ao risco e atenuar os preços do petróleo no mercado internacional, apesar de os Estados Unidos seguirem com presença militar ativa no Irã.
Entre os destaques da sessão, a Vale encerrou o dia em alta de 0,63%, enquanto a Petrobras registrou queda de 3,67% (ON) e 2,67% (PN), acompanhando a desvalorização do petróleo. Já no setor financeiro, o Banco do Brasil foi um dos principais destaques positivos, com alta de 2,74%.
Entre as maiores valorizações do dia, figuraram a Embraer (+4,74%) e Cyrela (+4,74% e 4,39%). Na ponta negativa, a Marfrig recuou 3,93%, liderando as perdas do pregão.
No câmbio, o dólar fechou em queda de 0,42% frente ao real, cotado a R$ 5,15, diante da expectativa de um cessar-fogo.
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No cenário internacional, às vésperas do feriado de Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados nos Estados Unidos, Europa e Brasil, repercute o pronunciamento à nação de Donald Trump na noite desta quarta-feira, que frustrou completamente as expectativas de um fim iminente do conflito no Oriente Médio.
Diferente do esperado, o presidente norte-americano não anunciou um prazo para o encerramento do conflito no Irã, mas reiterou a continuidade da ofensiva.
“Estamos no caminho certo para concluir todos os objetivos militares dos Estados Unidos em breve, muito em breve”, disse ele. “Vamos atacá-los com extrema força. Nas próximas duas ou três semanas, vamos fazê-los regredir à Idade da Pedra, à qual eles pertencem. Enquanto isso, as discussões estão em andamento”, disse o presidente.
Trump disse ainda que os EUA não dependem do petróleo que transita pelo Estreito de Ormuz e afirmou que poderia atingir todas as usinas de energia do Irã, caso não haja avanço em um acordo entre Washington e Teerã.
As palavras do republicano exerceram forte pressão sobre a cotação dos contratos futuros de petróleo, que chegaram a subir 6% depois de Trump prometer ações mais agressivas contra o Irã nas próximas duas a três semanas e não ter apresentado planos concretos para reabrir o Estreito de Ormuz.
As declarações também provocaram reação imediata do Irã. Um alto comandante rebateu as ameaças nesta quinta-feira (2), afirmando que qualquer ação militar americana teria consequências severas, com soldados dos EUA sendo “enterrados” no território iraniano.
Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país está preparado para suportar qualquer tipo de agressão por parte dos Estados Unidos.
No Brasil, com o choque do petróleo após a escalada da guerra no Oriente Médio, a Petrobras anunciou um aumento de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), o maior já registrado na série histórica.
Com o reajuste, o combustível passa a custar R$ 5,49 por litro e amplia a pressão sobre um dos principais custos das companhias aéreas, responsável por cerca de 45% das despesas operacionais. A alta se soma ao avanço de 9,4% registrado em março, agravando o cenário para o setor.
O movimento altera o balanço de riscos das aéreas, que devem repassar parte desse aumento aos consumidores, com reajustes estimados entre 15% e 20% nas passagens. Esse repasse, no entanto, tende a ocorrer de forma gradual, devido ao intervalo entre a venda dos bilhetes e a realização dos voos.
Na tentativa de suavizar o impacto imediato, a Petrobras propôs um modelo de parcelamento do reajuste, com elevação inicial de 18% e diluição do restante em seis parcelas a partir de julho — uma estratégia para mitigar o choque sem romper a política de paridade de preços.
Nesse contexto, ganha força a resposta fiscal: a subvenção ao diesel importado pode custar entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em apenas dois meses, enquanto o governo articula apoio dos estados para viabilizar a edição de uma medida provisória.
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Manchetes desta manhã
- Petróleo, dólar e juros sobem após discurso de Trump sobre guerra no Irã frustrar investidores (Valor)
- Retomada de IPOs tropeça em incertezas sobre guerra e juro (Folha)
- ‘Reajustes automáticos’ no Orçamento vão aumentar gastos em R$ 1,4 tri de 2027 a 2034 (Estadão)
- Cade investiga 99Food após denúncia da Keeta (Valor)
Mercado global cai com frustração após pronunciamento de Trump
As Bolsas da Europa reagem com forte queda ao discurso de Trump sobre intensificar a ofensiva contra o Irã.
A perspectiva de alta nos custos de energia, aliada ao risco de interrupções no fornecimento, intensifica a pressão sobre os ativos das companhias aéreas. Ações de tecnologia, mineração e financeiro liderando as quedas nos índices europeus.
Na Ásia, os mercados devolveram os ganhos do início de abril após Trump sinalizar uma possível escalada da guerra com o Irã nas próximas semanas.
Os destaques da sessão foram os índices Kospi e Nikkei liderando as perdas e se aproximando das mínimas de março
Em Nova York, os índices futuros têm queda relevante nesta quinta-feira (2), pressionados pela nova alta do petróleo após declarações de Donald Trump no pronunciamento à nação reduzirem as expectativas sobre o fim da guerra no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -1,26%
- FTSE 100: -0,21%
- CAC 40: -1,21%
- Nikkei 225: -2,38%
- Hang Seng: -0,70%
- Shanghai SE Comp: -0,74%
- Ouro (abr): -3,43%, a US$ 4.647,9 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,48%, aos 100,128 pontos
- Bitcoin: -2,57% a US$ 66.405,80
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Commodities
- Petróleo: as cotações dos contratos futuros subiram mais de 6% depois de Trump prometer ações mais agressivas contra o Irã nas próximas duas a três semanas, em seu pronunciamento à nação. No discurso, Trump também minimizou a importância do Estreito de Ormuz e disse que a rota marítima “se abrirá naturalmente” com o fim da guerra.
O Brent/junho valoriza 7,99%, negociado a US$ 109,24, enquanto o WTI/maio sobe 8,42%, cotado a US$ 108,55 - Minério de ferro: fechou em queda de 1,29% em Dalian, na China, cotado a US$ 116,70/ton
Cenário internacional
Nos EUA, a agenda econômica desta quinta-feira concentra atenções na divulgação da balança comercial de fevereiro e dos pedidos semanais de seguro-desemprego, indicadores relevantes para medir o ritmo da atividade e o mercado de trabalho.
No campo monetário, dirigentes do Federal Reserve (Fed) entram em cena: Lorie Logan, do Fed de Dallas, discursa às 11h15, seguida por Michelle Bowman, às 13h45, em falas que podem sinalizar os próximos passos sobre os juros.
No setor de tecnologia, o mercado acompanha um movimento de grande porte: a SpaceX, controlada por Elon Musk, formalizou o pedido confidencial de abertura de capital. Já avaliada em US$ 1,25 trilhão após fusão com a xAI, a companhia mira um valuation superior a US$ 1,75 trilhão.
Se confirmado, o IPO pode se tornar o maior da história, superando a Saudi Aramco em 2019. A operação envolve 21 bancos e tem estreia prevista para junho.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica destaca a produção industrial de fevereiro, a ser divulgada pelo IBGE, em meio a um cenário de crédito mais restritivo.
Paralelamente, o governo prepara um novo programa de renegociação de dívidas, que pode oferecer descontos de até 80% e deve ser anunciado nos próximos dias. Ainda na frente fiscal, a possível isenção do IOF segue em debate dentro da equipe econômica, enfrentando resistências internas.
Já no sistema financeiro, cresce a atenção sobre o caso envolvendo o BRB: o governo do Distrito Federal solicitou apoio da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para estruturar um empréstimo bilionário, após perdas relacionadas ao episódio do Banco Master.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as instituições públicas podem adquirir ativos do BRB, mas descartou uma intervenção federal direta. Segundo ele, a responsabilidade pela solução permanece com o governo do Distrito Federal, em meio a um ambiente ainda sensível após o recente choque no sistema financeiro.
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Destaques do mercado corporativo
- Raízen: propôs a credores conversão de 45% da dívida em ações, cerca de R$ 29 bilhões, no âmbito darecuperação extrajudicial, segundo fontes do Valor.
- Braskem: avalia recorrer à Justiça para proteção contra credores, diante de pressão de liquidez, com vencimento de US$ 100 milhões em juros de bonds e dívida superior a R$ 50 bilhões.
- Aegea: a S&P rebaixou rating de BB- para B+ e colocou a companhia em Credit Watch negativo após atraso na divulgação do balanço de 2025.
- Aeroportos: o TCU aprovou repactuação da concessão de Brasília, com novo leilão previsto para este ano e investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão.
- IRB: aprovou pagamento de R$ 77,9 milhões em JCP, em três parcelas, de cerca de R$ 0,31 por ação.
- BRB: mantém plano de aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Com a emissão de 100 milhões a 1,645bilhão de ações a um preço de R$ 5,36 por papel, a operação pode variar de R$ 536 milhões a R$ 8,817bilhões.
- GPA: comunicou que negociações com credores seguem em curso e busca ampliar adesões à recuperaçãoextrajudicial.
- Americanas: assinou contrato para venda da Uni.Co (Imaginarium e Puket) à BandUP! por R$ 152,9milhões.











