O número de CNPJs exportadores do agronegócio avançou 60,8% na última década, passando de 1.440 em 2015 para 2.316 em 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgados pelo Globo Rural.
O levantamento contempla empresas de todos os portes, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), pequenos negócios, além de médias e grandes companhias. No consolidado geral, o Brasil encerrou 2025 com 29.818 empresas exportadoras, atingindo o maior patamar da série histórica.
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Herlon Alves Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, explica que “a expansão da produção agrícola impulsiona a entrada de novas empresas na comercialização internacional de produtos tradicionais do setor e, também, a diversificação da pauta”.
Ele acrescenta que a adoção de tecnologias e o desenvolvimento de novas culturas também ampliam as oportunidades de inserção, especialmente de pequenas empresas, no comércio exterior.
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Pequenas empresas do agronegócio ampliam presença
Os dados do Mdic indicam uma mudança no perfil das exportações do setor. Empresas de menor porte, incluindo MEIs, micro e pequenas, ampliaram sua presença no mercado de exportação e já representam 61% dos exportadores do agro.
Esse avanço ocorre tanto por vendas diretas quanto por meio de estruturas de apoio, como cooperativas, tradings e associações. Essas organizações permitem que empresas menores alcancem escala de produção, padronizem processos e atendam exigências sanitárias e logísticas — condições necessárias para exportar.
O crescimento foi mais intenso entre empresas de menor porte. O número de MEIs e microempresas exportadoras subiu de 153 para 443 entre 2015 e 2025, alta de 189,5%. Já as pequenas passaram de 191 para 434, avanço de 127,2%.
Entre médias e grandes empresas, o aumento foi de 31,3%, com o total passando de 1.096 para 1.439.
Com isso, MEIs, micro e pequenas somam 877 empresas, o equivalente a 37,9% das agroexportadoras. Há dez anos, essa fatia era de 23,9%, o que representa um ganho de 14 pontos percentuais. Já as médias e grandes concentram 62,1% do total.
Portfólio de produtos cresce 70%
A diversificação da pauta exportadora também ganhou força nos últimos dez anos. O número de produtos agropecuários exportados — classificados pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), sistema que identifica cada tipo de mercadoria — passou de 225 em 2015 para 387 em 2025, com um crescimento de cerca de 70%.
Esse aumento indica ampliação do portfólio e maior variedade de itens vendidos ao exterior.
Participação da agropecuária nas exportações ainda é pequena
Mesmo com o avanço, o setor agropecuário ainda representa uma parcela menor do total de empresas exportadoras. Em 2025, respondeu por 6,9% dos CNPJs, ante 6,5% em 2015.
A indústria de transformação segue com a maior participação, concentrando 81% das empresas exportadoras, com 33.359 CNPJs em 2025. Dez anos antes, essa fatia era de 82%.
Por outro lado, o peso do agro é mais relevante quando analisado o valor exportado. Em 2015, as vendas externas do setor somaram US$ 35 bilhões, o equivalente a 19,7% do total exportado pelo país (US$ 177,8 bilhões).
Em 2025, esse valor mais que dobrou, alcançando US$ 77,4 bilhões, com participação de 23,9% sobre o total de US$ 323,6 bilhões. O crescimento foi de cerca de 121% no período, com ganho de 4,2 pontos percentuais na participação.
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Diferença entre “dentro da porteira” e o agronegócio total
O levantamento considera apenas empresas do segmento chamado “dentro da porteira”, ou seja, aquelas diretamente ligadas à produção agropecuária. Isso exclui parte da agroindústria e outros elos da cadeia do agronegócio.
Quando se observa o setor de forma mais ampla, incluindo toda a cadeia, os números são maiores. Dados do próprio MDIC indicam que as exportações do agronegócio totalizaram US$ 169,2 bilhões em 2025, o equivalente a 48,5% de tudo o que o Brasil exportou.











