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Morning Call: Petróleo retoma alta à medida que fragilidade do acordo de cessar-fogo afeta os mercados

Por Redação
09/abr/2026
Em Mercados, Notícias
Imagem criada por Inteligência Artificial

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Enquanto os preços do petróleo registravam tombo recorde com o acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, o mesmo motivo impulsionava o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), ao seu mais alto patamar de fechamento, com valorização de 2,09%, aos 192.201,16 pontos. 

A trégua temporária entre Estados Unidos e Irã provocou a redução dos prêmios de risco e alterou a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, afetando os preços do petróleo. O barril do WTI para maio caiu 16,4%, cotado a US$ 94,41, enquanto o Brent para junho recuou 13,3%, a US$ 94,75, as maiores quedas desde abril de 2020, período da pandemia de Covid-19.

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Apesar do choque nas commodities, o Ibovespa engatou sua sétima sessão consecutiva de alta e mais longa desde outubro do ano passado, acumulando ganhos de 2,21% na semana e expressivos 19,29% no ano.

Entre os destaques do pregão, as ações da Petrobras recuaram, pressionadas pela queda do petróleo, com perdas de 4,42% (ON) e de 3,92% (PN). Em contrapartida, a Vale avançou 2,27%, ajudando a sustentar o índice.

O setor financeiro foi o grande destaque positivo, com forte apetite comprador e destaque para as ações preferenciais do Bradesco, que chegaram a subir cerca de 5%.

Entre as maiores altas do dia, Hapvida liderou com ganho de 9,06%, seguida por Vamos, que avançou 7,91%. Já as perdas foram marcadas pelas referências no setor de energia. Além da Petrobras, a Prio caiu 5,49%, acompanhada pela Brava Energia, que fechou em queda de 3,38%.

No câmbio, o dólar encerrou o dia em forte queda de 1,10% frente ao real, negociado a R$ 5,10, no menor nível desde 17 de maio de 2024, com a redução dos prêmios de risco globais após o anúncio de cessar-fogo.

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No cenário internacional, há uma quebra do otimismo nos mercados globais diante de uma percepção de fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio, após o Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz, alegando que termos da trégua temporária firmado com os EUA foram violados.

Com a decisão, os preços do petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira (9), próximos de US$ 100 o barril, com os riscos no abastecimento da commodity.

Israel lançou seu maior ataque contra o Líbano desde o início do conflito na região, enquanto Donald Trump ameaça ataques “maiores e mais fortes” se o acordo falhar. Na Casa Branca, a porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o plano do Irã era “leviano, inaceitável e foi jogado no lixo”.

No Brasil, o governo federal intensificou sua ofensiva para conter os impactos da disparada do petróleo sobre a economia brasileira, combinando medidas emergenciais com mudanças estruturais no setor de combustíveis. A estratégia busca, ao mesmo tempo, aliviar a pressão inflacionária e reduzir a dependência de derivados fósseis em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.

O Ministério de Minas e Energia acelera estudos para elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32% ainda neste semestre. A proposta, que depende do aval do CNPE e de análises técnicas em curso, é vista como peça-chave para ampliar o uso de biocombustíveis e mitigar a exposição do país às oscilações do petróleo no mercado internacional.

Em paralelo, avança a ampliação da mistura de biodiesel no diesel, atualmente em 15%, com testes já em fase final. A medida integra uma estratégia mais ampla que também impacta cadeias produtivas relevantes, como a da soja, ao mesmo tempo em que busca suavizar a pressão sobre os preços internos de energia.

No curto prazo, o foco está em evitar repasses imediatos aos consumidores — especialmente em setores mais sensíveis. Após reunião com companhias aéreas, o governo anunciou a retirada de tributos federais sobre o querosene de aviação, além da criação de uma linha de crédito de R$ 3,5 bilhões via BNDES. O objetivo é claro: impedir que a alta de custos se traduza em passagens mais caras.

A frente tributária, no entanto, enfrenta obstáculos. A Justiça Federal suspendeu, por meio de liminar, a cobrança do imposto de exportação de 12% sobre o petróleo para grandes petroleiras, sob o argumento de desvio de finalidade arrecadatória. A decisão representa um revés para a equipe econômica, que já sinalizou que recorrerá da decisão.

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Manchetes desta manhã

  • Perfil do PIB brasileiro muda e agro ganha relevância (Valor)
  • Operação de serviços telefônicos da Oi é vendida à Método por R$ 60,1 milhões (Folha)
  • Petróleo volta a subir e mercados seguem cautelosos em meio a dúvidas sobre o cessar-fogo (Estadão)
  • Em meio à guerra no Irã, passagens aéreas ficam 31% mais caras no Brasil, mostra pesquisa (O Globo)

Mercado global devolve ganhos com fragilidade do cessar-fogo

As bolsas da Europa devolvem parte dos ganhos da véspera com a percepção de fragilidade do cessar-fogo entre EUA e Irã.

Papéis da indústria, turismo, financeiro e de tecnologia estão entre os destaques negativos da sessão, enquanto o setor de energia lidera as altas, impulsionado pela alta do petróleo.

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em terreno negativo em uma sessão marcada pela volatilidade diante de incertezas sobre o cessar-fogo no Oriente Médio e preocupações com a alta do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Em Nova York, os índices futuros operam em baixa, enquanto o petróleo volta a subir com a piora do otimismo de mercado após o Irã acusar os EUA de descumprirem termos do cessar-fogo.

Confira os principais índices do mercado:

  • S&P 500 Futuro: -0,36%
  • FTSE 100: -0,34%
  • CAC 40: -0,93%
  • Nikkei 225: -0,73%
  • Hang Seng: -0,54%
  • Shanghai SE Comp: -0,72%
  • Bitcoin: -0,23%, a US$ 71.113,33
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Commodities

  • Petróleo: os contratos futuros avançam nesta quinta-feira, recuperando-se após queda recorde na véspera e voltando a se aproximar de US$ 100 por barril, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

    O movimento reflete o aumento das preocupações com o abastecimento global após o Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz, alegando violações do cessar-fogo temporário firmado com os EUA.

    O Brent/junho valoriza 4%, negociado a US$ 98,54 e o WTI/maio sobe 5,07%, a US$ 99,20.

  • Minério de ferro: fechou em forte queda de 2,53% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 109,71/ton.

    Analistas da Bohai Futures atribuem a forte queda aos altos estoques e forte oferta da commodity, acima do esperado.

Cenário internacional

Nos EUA, a agenda econômica desta quinta-feira destaca a divulgação do PCE de fevereiro, principal termômetro de inflação monitorado pelo Federal Reserve (Fed), além da leitura final do PIB do quarto trimestre e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego.

O conjunto de dados deve oferecer um retrato mais claro da resiliência da economia americana e do comportamento dos preços em meio à recente alta do petróleo.

Em meio a esse cenário, Kevin Hassett, do Conselho Econômico da Casa Branca, reconheceu em entrevista à Fox News que a disparada do petróleo tende a pressionar a inflação “pontualmente”, reforçando a cautela do mercado quanto aos próximos passos do Fed. Já às 11h, a divulgação dos estoques no atacado adiciona mais uma peça ao quebra-cabeça da atividade econômica.

A agenda internacional segue intensa no período da noite, com decisões de juros na Coreia do Sul (22h) e no Peru (20h), além da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) da China, às 22h30. O dado chinês será particularmente observado por investidores em busca de sinais sobre a dinâmica de demanda e inflação na segunda maior economia do mundo.

Cenário nacional

No Brasil, o foco se volta para Brasília, onde o presidente Lula se reúne com sete ministros para acelerar o envio, em regime de urgência, do projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. A iniciativa deve disputar espaço com uma proposta semelhante em tramitação na Câmara, elevando a temperatura do debate no Congresso.

No campo fiscal, o Senado aprovou na noite desta quarta-feira a Medida Provisória do seguro-defeso, endurecendo regras de acesso ao benefício, com exigência de biometria e limite de gastos fixado em R$ 7,9 bilhões para 2026. O texto, no entanto, retorna à Câmara após alterações.

Também avançou na Câmara, em primeiro turno, a PEC que estabelece um piso para a assistência social, vinculando 1% da receita corrente líquida ao setor. A medida pode gerar impacto de até R$ 36 bilhões até 2030, acendendo o alerta na equipe econômica sobre a sustentabilidade das contas públicas.

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Destaques do mercado corporativo

  • Petrobras: alertou no relatório anual 20F arquivado na SEC que riscos deinterferência política, volatilidade do petróleo, endividamento e transição energética podem afetar o seuvalor de mercado.
  • Vale: vendeu US$ 63 milhões em briquetes de níquel para a Mitsui e prevê outras transações que somam US$ 183 milhões ao longo do ano.
  • Braskem: negou decisão sobre eventual recuperação judicial da Braskem Idesa e afirmou que subsidiária avalia alternativas para estrutura de capital.
  • Minerva: pretende emitir até R$ 165 milhões em CRA lastreado em debêntures, com possibilidade de lote adicional de até 25%.
  • BRB: planeja publicar até 29 de maio balanços atrasados de 2025 e do primeiro trimestre/26, informou O Globo.
  • Banco Inter: captou R$ 300 milhões com emissão de letras financeiras subordinadas, com impacto de cerca de 0,7 pp no índice de Basileia.
  • Simpar: informou que acionistas podem ter diluição de 9% a 29% com aumento de capital, dependendo da adesão.
  • OI: vendeu UPI de telefonia por R$ 60,1 milhões para a Método, com pagamento à vista e homologação judicial.


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