O dólar Ptax voltou a recuar e atingiu o menor nível em mais de dois anos, em um movimento que reforça a valorização do real em 2026. Na sessão desta quarta-feira (8), a taxa de venda fechou em R$ 5,09, patamar que não era observado desde 28 de março de 2024, quando estava em R$ 5, apontam dados divulgados pela Elos Ayta.
A queda se estende ao acumulado do ano, com desvalorização de 7,5% da moeda norte-americana frente ao real. O desempenho reflete um ambiente mais favorável a ativos de países emergentes, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro, juros elevados no Brasil e ajustes nas expectativas para a economia global.
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Entenda o que é a Ptax e como ela funciona
A Ptax é a taxa de câmbio oficial divulgada diariamente pelo Banco Central, que reflete o valor médio do dólar em relação ao real.
Diferente de outras cotações disponíveis no mercado, como dólar turismo ou comercial, a Ptax é calculada a partir de uma média ponderada das operações realizadas ao longo do dia. Isso faz com que ela seja considerada uma referência mais estável para o mercado financeiro.
Na prática, essa taxa não corresponde diretamente ao valor pago por consumidores em compras internacionais. Ainda assim, ela serve de base para instituições financeiras definirem cobranças, como as faturas de cartão de crédito emitidas no Brasil.
Dólar Ptax é referência para comércio exterior e investimentos
Além do uso em transações do dia a dia, a Ptax é amplamente utilizada em operações de comércio exterior, como importações e exportações — incluindo negociações de commodities realizadas por grandes empresas brasileiras.
A taxa também é referência para diversos produtos financeiros, como fundos atrelados ao dólar e contratos mais complexos, como derivativos. Por isso, acompanhar a Ptax é essencial para entender a formação do preço da moeda no país e seus impactos sobre investimentos.
O chamado “dólar Ptax” representa justamente essa cotação oficial utilizada como base em operações cambiais e aplicações financeiras.
Queda acumulada após pico histórico
De acordo com o estudo da Elos Ayta, a trajetória recente da moeda ganha mais relevância quando observada a partir do pico histórico nominal. Em 2 de janeiro de 2025, o dólar Ptax atingiu R$ 6,21, registrando o maior nível nominal da série.
Contando a partir dessa data até esta quarta-feira, a queda acumulada chega a 18,02%, indicando um movimento de correção após o período de forte estresse cambial observado no começo de 2025.
O gráfico abaixo mostra a evolução do câmbio ao longo desse intervalo, dividida em três momentos:
- Avanço ao longo de 2024, com a cotação ultrapassando R$ 6 no fim do ano
- Pico histórico no início de 2025, em meio ao aumento da aversão ao risco
- Valorização do real ao longo de 2025 e 2026, com retorno à faixa próxima de R$ 5

Fatores que explicam a desvalorização do dólar
Entre os principais vetores por trás da queda da moeda norte-americana estão:
- Juros elevados no Brasil, que favorecem operações de carry trade — estratégia em que investidores captam recursos em países com juros baixos para aplicar em mercados com taxas mais altas
- Entrada de capital estrangeiro em ativos brasileiros
- Acomodação do dólar no cenário global
- Melhora na percepção de risco fiscal e macroeconômico no Brasil
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Cenário externo ainda influencia o câmbio
No âmbito geral, fatores geopolíticos continuam impactando o comportamento da moeda. Tensões recentes no Oriente Médio, especialmente envolvendo Estados Unidos e Israel, têm provocado oscilações pontuais nos mercados.
Apesar disso, esses episódios não têm sido suficientes para sustentar um movimento prolongado de valorização do dólar, que segue pressionado por fatores macroeconômicos mais amplos, aponta o estudo.











