O aumento das expectativas por um possível acordo entre Estados Unidos (EUA) e Irã impulsionou índices globais nesta quarta-feira (6) e levou o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), à alta de 0,5%, aos 187.690,86 pontos, completando o segundo avanço consecutivo.
O mercado reagiu positivamente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o Irã teria se comprometido a não desenvolver armas nucleares. O tom mais conciliador também ganhou força após o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmar que Washington garantirá a segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz. Do lado iraniano, autoridades sinalizaram que a rota segue aberta para uma travessia considerada “segura e estável”.
Entre os destaques do pregão, o Ibovespa encontrou suporte na forte recuperação da Vale, que avançou 3,62%. Já os papéis da Petrobras recuaram em sintonia com a forte queda do petróleo no mercado internacional, com as ações caindo 3,77% (ON) e 2,86% (PN).
No setor financeiro, as ações do Itaú Unibanco caíram 1,6%, apesar de o banco ter divulgado um balanço trimestral dentro das expectativas do mercado. No ranking geral, C&A liderou as maiores altas do Ibovespa, com valorização de 7,06% e, na ponta negativa, a TIM Brasil teve a maior perda, de 7,88%.
No câmbio, o dólar em alta de 0,18% frente ao real, cotado a R$ 4,92, movimento atribuído à intervenção do Banco Central (BC) no mercado de câmbio e ajustes técnicos após a queda recente da moeda norte-americana.
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No cenário internacional, persiste o otimismo dos mercados globais por um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, que também impulsiona a queda brusca dos contratos de petróleo.
A percepção de que a Casa Branca tenta acelerar uma saída negociada para o conflito no Oriente Médio reacendeu o apetite global por risco, derrubou os preços da commodity e levou o Nasdaq a renovar máximas históricas nesta quarta-feira. O mercado passou a apostar que Donald Trump está sob crescente pressão política e econômica para encerrar rapidamente a crise.
Segundo informações da Bloomberg, Washington enviou a Teerã um memorando preliminar propondo a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e o alívio do bloqueio americano aos portos iranianos, deixando as negociações nucleares para uma segunda fase. A proposta teria sido encaminhada via Paquistão, que atua como mediador nas conversas.
Trump voltou a afirmar que houve avanços “positivos” nas últimas 24 horas e disse acreditar que um acordo “vai acontecer”. Ainda assim, o cenário segue cercado de ruídos. Integrantes do governo iraniano classificaram a proposta americana como uma “lista de desejos”, enquanto Israel demonstrou preocupação com a possibilidade de um acordo considerado excessivamente brando.
A mudança de postura da Casa Branca reflete também o custo político da guerra. A gasolina nos Estados Unidos superou US$ 4,50 por galão pela primeira vez desde 2022, ampliando a pressão sobre Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.
No Brasil, o mercado segue de olho no encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta quinta-feira (7), em Washington, em uma reunião cercada de expectativa tanto pelo peso diplomático quanto pelo potencial de tensão política e midiática.
Reportagem do Estadão destaca que os dois presidentes chegam fragilizados ao encontro. Trump enfrenta desgaste provocado pela inflação, pela guerra com o Irã e pela proximidade das eleições legislativas, enquanto Lula tenta recuperar sua popularidade em meio ao ambiente político doméstico mais adverso.
Apesar do esforço mútuo para construir uma agenda positiva, os interesses dos dois governos divergem. O Brasil pretende concentrar as discussões em comércio, tarifaço, Pix, data centers, minerais críticos e investimentos. Já a Casa Branca deve insistir na tentativa de enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo fontes do Estadão, o governo brasileiro deve defender o Pix das críticas americanas, argumentando que o sistema ampliou a inclusão financeira no país. Ao mesmo tempo, Brasília tentará evitar compromissos definitivos envolvendo terras raras e minerais estratégicos.
Na véspera da reunião, a Câmara aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, estabelecendo o marco regulatório para um dos setores mais sensíveis da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. O texto prevê incentivos fiscais de até R$ 5 bilhões entre 2030 e 2034 para projetos ligados à cadeia de minerais estratégicos, além de um fundo garantidor com participação da União de até R$ 2 bilhões para estimular investimentos.
A proposta envolve minerais essenciais para tecnologia, transição energética e defesa, como lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras raras. O Brasil concentra cerca de 8% das reservas globais de lítio e mais de 90% das reservas conhecidas de nióbio — ativos que colocam o país no centro da nova corrida geopolítica por segurança mineral.
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Manchetes desta manhã
- Choque do petróleo expõe divergências entre BCs nas intervenções no câmbio (Valor)
- Reino Unido investiga PayPal, Mastercard e Visa por suposta conduta anticompetitiva (Folha)
- Trump pressiona por um acordo para o fim da guerra e Irã analisa proposta (Estadão)
- Lula e Trump se reúnem na Casa Branca para discutir minerais críticos, segurança e tarifas (O Globo)
Mercado global segue otimista por um acordo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa têm desempenho misto após forte alta da véspera, com investidores atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã e à temporada de balanços.
No cenário macroeconômico, dados da Zona do Euro e da Alemanha vieram melhores que o esperado, com destaque para o salto de 5% nas encomendas industriais alemãs em março.
Na Ásia, os índices dispararam, impulsionadas pelo otimismo em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. O índice Nikkei 225 atingiu novo recorde, puxado pelas ações de tecnologia e semicondutores, em meio ao entusiasmo com inteligência artificial.
Destaque para o avanço de mais de 16% da SoftBank Group, enquanto fabricantes de chips acompanharam o bom desempenho global do setor após resultados fortes da AMD.
Em Nova York, os índices futuros têm leve alta nesta quinta-feira (7), enquanto o petróleo amplia as perdas pelo terceiro pregão seguido. Os investidores seguem atentos às negociações envolvendo um possível acordo entre EUA e Irã, além das expectativas pela retomada do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,12%
- FTSE 100: -0,52%
- CAC 40: -0,20%
- Nikkei 225: +5,58%
- Hang Seng: +1,57%
- Shanghai SE Comp:+0,48%
- Ouro (jun): +1,39%, a US$ 4.759,54 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,18%, aos 97,85 pontos
- Bitcoin: -1,42% a US$ 81.054,5
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Commodities
- Petróleo: amplia perdas pelo terceiro pregão consecutivo e volta a ser negociado abaixo dos US$ 100 por barril.
O movimento reflete a expectativa dos investidores por um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, após sinais de avanço nas negociações por um cessar-fogo, que já haviam pressionado fortemente as cotações internacionais na sessão anterior.
O Brent/junho cai 2,01%, cotado a US$ 99,23 e o WTI/junho cede 2,18%, a US$ 93,01. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,62% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 120,12/ton.
Os preços da commodity seguem sustentados pelos altos custos de frete, apesar da demanda mais fraca, avalia a Nanhua Futures.
Cenário internacional
Nos EUA, o destaque da agenda econômica fica com os pedidos iniciais de seguro-desemprego e os dados de produtividade e custo unitário da mão de obra do primeiro trimestre. Ao longo do dia, investidores também monitoram discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), incluindo Mary Daly, Neel Kashkari, Beth Hammack e John Williams, em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros americanos.
No cenário geopolítico, Trump afirmou, em evento na Casa Branca, que o Irã “quer negociar e fechar um acordo” e que os EUA estariam “se saindo muito bem” no conflito. A declaração reforçou o otimismo gerado pelo relatório do Axios divulgado nesta quarta-feira, indicando que Washington acredita estar próximo de fechar um memorando preliminar para encerrar a guerra. Teerã confirmou que avalia a nova proposta americana.
Entre os indicadores econômicos do dia, na Europa, os sinais econômicos seguem mais fracos. As vendas no varejo da zona do euro caíram 0,1% em março, registrando o terceiro recuo mensal consecutivo. O destaque negativo ficou para as vendas de combustíveis, que tombaram 1,6% (a maior queda desde agosto de 202) refletindo o impacto da disparada dos preços de energia em meio à guerra no Oriente Médio.
Cenário nacional
No Brasil, o foco do mercado recai sobre a produção industrial de março, divulgada pelo IBGE, após alta de 0,9% no mês anterior. Mais tarde, às 16h, sai a balança comercial de abril, com expectativa de um dos maiores superávits nominais da série histórica.
O BTG Pactual projeta saldo positivo de US$ 11,2 bilhões, enquanto a mediana das estimativas aponta superávit de US$ 10,7 bilhões, sustentado principalmente pelas exportações de petróleo, soja e carnes. A valorização das commodities energéticas segue como um dos principais motores do fluxo comercial brasileiro neste momento.
Também entram no radar as falas do diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Picchetti, em reunião com economistas em São Paulo, enquanto Gabriel Galípolo embarca para Madri, onde participa do Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina.
No campo jurídico, o Supremo Tribunal Federal retoma nesta quinta-feira o julgamento das ações que discutem o modelo de distribuição dos royalties do petróleo. A expectativa se concentra no voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, em um caso com potencial impacto bilionário para estados e municípios produtores.
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Destaques do mercado corporativo
- Bradesco: registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no 1º trimestre, alta de 16,1% na comparação anual.
- Axia Energia (ex-Eletrobras): reverteu o prejuízo de R$ 354 milhões do 1º trimestre de 2025 e registrou lucro líquido de R$ 2,63 bilhões no 1º trimestre de 2026 , beneficiada pelo menor volume de provisões e menores custos de energia.
- Vibra Energia: registrou lucro líquido de R$ 1,61 bilhão no 1º trimestre, alta de 168% na comparação anual. Parte do resultado refletiu efeito não recorrente de reconhecimento de créditos fiscais.
- Ultrapar: registrou lucro líquido de R$ 876 milhões no 1º trimestre, alta de 163% na comparação anual, impulsionada pelos resultados da Ipiranga e pela integração da Hidrovias do Brasil.
- Rede D’Or: registrou lucro líquido de R$ 967,3 milhões no 1º trimestre, queda de 7% na comparação anual.
- Brava Energia: reverteu o lucro de R$ 829 milhões do 1º trimestre de 2025 e registrou prejuízo de R$ 350 milhões no 1º trimestre de 2026, pressionada por despesas financeiras decorrentes de contratos de hedge de petróleo.











