Esta sexta-feira (8) começa sob uma nova escalada das tensões no Oriente Médio, após ataques entre Estados Unidos e Irã ampliarem a instabilidade na região do Golfo. Em entrevista à emissora americana ABC News, o presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou os bombardeios retaliatórios iranianos e afirmou que a ofensiva não representa uma violação do cessar-fogo. “Foi um tapinha”, declarou.
Na véspera, forças americanas bombardearam instalações militares iranianas após ataques contra embarcações dos EUA que transitavam pelo Golfo. Em resposta, autoridades iranianas acusaram Washington de violar o cessar-fogo ao atingir um petroleiro iraniano que seguia em direção ao Estreito de Ormuz, rota responsável por parcela significativa do fluxo global de petróleo.
A tensão também atingiu os Emirados Árabes Unidos. Hoje o país informou ter acionado sistemas de defesa aérea para interceptar drones e mísseis lançados a partir do território iraniano. O governo de Teerã ainda não comentou diretamente o episódio, embora venha negando envolvimento em ataques recentes denunciados pelos Emirados.
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Mesmo diante da deterioração do cenário militar, Trump voltou a defender uma negociação imediata com a República Islâmica. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano pressionou o Irã a aceitar um acordo rapidamente para evitar novos ataques.
O impasse também continua afetando o transporte marítimo internacional. Segundo o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, cerca de 1.500 navios e aproximadamente 20 mil tripulantes seguem retidos na região do Golfo devido às restrições no Estreito de Ormuz.
A crise mantém o mercado de energia em alerta. Após recuarem na quinta-feira, os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira. O barril do Brent, referência global da commodity, voltou a ser negociado acima de US$ 100, refletindo o temor de interrupções prolongadas na oferta global de petróleo.
Após anunciar a liberação de 20% das reservas estratégicas de petróleo, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a entidade está preparada para adotar novas intervenções caso as interrupções na oferta global de petróleo persistam em razão do conflito no Oriente Médio.
No Brasil, repercute a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nesta quinta-feira (7). Em uma reunião de três horas na Casa Branca, os presidentes buscaram reposicionar a relação entre Brasil e EUA em meio a disputas comerciais e à corrida global por minerais estratégicos.
O principal avanço concreto do encontro foi a decisão de estender por 30 dias as negociações bilaterais para eliminar tarifas ainda aplicadas a produtos brasileiros. A proposta partiu de Lula, que defendeu mais tempo para que as equipes técnicas dos dois países construam uma solução definitiva para o impasse comercial.
As conversas também envolveram temas sensíveis da investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301, incluindo etanol, desmatamento, regulação das big techs e o sistema de pagamentos Pix. Outro ponto central da reunião foi a discussão sobre minerais críticos e terras raras, em um momento em que Washington tenta reduzir sua dependência da China no fornecimento de insumos estratégicos para tecnologia e defesa. O encontro ocorre às vésperas da reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, prevista para a próxima semana em Pequim.
Após o encontro, em entrevista na embaixada brasileira, Lula afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais no setor mineral, mas ressaltou que o país não pretende atuar apenas como exportador de matéria-prima sem agregação de valor.
No campo político, a reunião também ajudou Lula a reagir ao desgaste recente provocado pela rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação em Brasília é que o encontro com Trump reforçou a imagem de articulação internacional em um momento de pressão interna e questionamentos sobre sua força política e perspectivas eleitorais.
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Manchetes desta manhã
- IPO da Compass movimenta R$ 3,2 bi e quebra entressafra de ofertas iniciais na B3 (Valor)
- CBS deve ter alíquota de 9,43% em 2027, aponta Roit (Folha)
- Ninguém emprestará ao DF para ajudar BRB sem aval do Tesouro, diz Ceron (Estadão)
- Guerra no Oriente Médio reduz produção de petróleo e leva empresas a ampliar aposta no Brasil (O Globo)
Mercado global reverte ganhos com nova alta do petróleo
As bolsas da Europa recuam, pressionadas pela escalada das tensões entre EUA e Irã, que voltou a elevar os preços do petróleo acima de US$ 100 e reforçou preocupações com inflação e crescimento econômico na região.
No cenário macro, a produção industrial da Alemanha caiu 0,7% em março, frustrando expectativas do mercado. Investidores também ampliaram apostas de pelo menos três altas de juros pelo Banco Central Europeu nos próximos 12 meses.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana majoritariamente em queda, pressionados pela retomada das tensões entre EUA e Irã, que reduziu as expectativas por um acordo de paz.
As perdas, porém, foram amenizadas pela força das ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. O índice Kospi subiu 0,11%, impulsionado por papéis de semicondutores e registrando a quarta alta consecutiva.
Em Nova York, os índices futuros avançam nesta sexta-feira (8), enquanto o mercado monitora a escalada das tensões entre Washington e Teerã e aguardam a divulgação do payroll de abril, principal indicador do mercado de trabalho americano.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,46%
- FTSE 100: -0,19%
- CAC 40: -0,69%
- Nikkei 225: -0,19%
- Hang Seng: -0,87%
- Shanghai SE Comp: estável
- Ouro (jun): +0,35%, a US$ 4.727,51por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,32%, aos 97,97 pontos
- Bitcoin: -0,82% a US$ 80.200,8
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Commodities
- Petróleo: os preços operam próximos da estabilidade nesta sexta-feira, rondando o patamar de US$ 100 por barril. Após avançarem durante a madrugada em meio à nova escalada das tensões no Oriente Médio e relatos de mísseis e violações do cessar-fogo, os contratos futuros perderam força e passaram a oscilar em leve queda.
O mercado segue atento aos desdobramentos do conflito, enquanto investidores avaliam que o episódio pode ter sido pontual.
O Brent/junho tem leve queda de 0,05%, cotado a US$ 100,01 e o WTI/junho recua 0,33%, a US$ 94,50.
- Minério de ferro: fechou em queda de 0,06% em Dalian, na China, cotado a US$ 119,69/ton.
De acordo com avaliação da Baocheng Futures, a demanda pela commodity metálica dá sinais de enfraquecimento diante da continuidade dos desequilíbrios industriais no setor siderúrgico. Além disso, a continuidade de um movimento mais consistente de alta nos preços ainda é incerta e dependerá diretamente da recuperação da atividade na indústria do aço.
Cenário internacional destaca retorno das tarifas de Trump ao radar
Nos EUA, em mais um dia de tensão nos mercados globais, Trump voltou a endurecer o discurso comercial e afirmou que a União Europeia terá até 4 de julho para cumprir os termos do acordo firmado no ano passado com Washington. Caso contrário, ameaçou elevar as tarifas sobre produtos europeus para “níveis muito mais altos”.
Após conversar com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump concordou em ampliar o prazo para que o bloco reduza tarifas sobre bens industriais e produtos agrícolas americanos, como previa o acordo negociado em Turnberry, na Escócia.
No campo jurídico, a política tarifária da Casa Branca sofreu novo revés. O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA considerou ilegais as tarifas universais de 10% impostas pelo governo Trump. Apesar da decisão, as cobranças seguem em vigor enquanto o governo recorre.
A agenda econômica desta sexta-feira concentra as atenções no payroll de abril dos EUA, previsto para as 9h30. Após a criação de 178 mil vagas em março, o BTG Pactual projeta desaceleração para 70 mil postos de trabalho, próximo da estimativa do mercado, de 65 mil. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%.
Às 10h, investidores acompanham os dados de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e as expectativas de inflação para os próximos 12 meses e cinco anos. Mais tarde, às 20h30, dirigentes do Federal Reserve — entre eles Christopher Waller e Michelle Bowman — participam de painel sobre política monetária.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque da manhã ficou com o IGP-DI de abril, divulgado pela Fundação Getulio Vargas. O índice subiu 2,41% no mês, após alta de 1,14% em março, acumulando avanço de 2,92% no ano e 0,78% em 12 meses.
Às 11h, saem os dados de produção de veículos da Anfavea. Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa do Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina.
Durante o evento, Galípolo afirmou que a política monetária, em um regime de metas de inflação e câmbio flutuante, atua como nosso principal amortecedor, mas ela não opera no vácuo. Segundo Galípolo, “precisamos reconhecer que a transmissão da política monetária está sendo transformada pela digitalização. […] Quando discutimos a taxa de câmbio, não estamos mais falando apenas de fundamentos comerciais, mas de uma percepção de risco que se altera em segundos”.
Galípolo disse ainda que no BC do Brasil, o compromisso permanece firme com a meta de inflação, entendendo que a estabilidade da moeda é o alicerce para qualquer crescimento sustentável de longo prazo na América Latina
No cenário corporativo, a temporada de balanços também movimenta os negócios nesta sexta-feira. A Embraer divulga resultados antes da abertura do mercado, enquanto Copasa e Fertilizantes Heringer publicam seus números após o fechamento.
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Destaques do mercado corporativo
- Mercado Livre: registrou lucro líquido de US$ 417 milhões no 1º trimestre, queda de 15,6% na comparação anual.
- Kora Saúde: Os maiores credores no plano de recuperação extrajudicial são os debenturistas da segunda emissão, com cerca de R$ 900 milhões a receber após garantias fiduciárias.
- Lojas Renner: registrou lucro líquido de R$ 257,3 milhões no 1º trimestre, alta de 16,4% na comparação anual.
- Magazine Luiza: reverteu o lucro de R$ 12,8 milhões do 1º trimestre de 2025 e registrou prejuízo de R$ 55,2 milhões no 1º trimestre deste ano.
- Engie: registrou lucro líquido de R$ 792 milhões no 1º trimestre, queda de 4,1% na comparação anual, impactada pelo resultado financeiro.
- Confira o fechamento do mercado com os principais eventos da sessão desta quinta-feira (7)











