Os mercados globais amanheceram sob pressão nesta terça-feira (12), com os índices futuros de Wall Street e as bolsas europeias em queda diante da nova escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã. O movimento ganhou força após o presidente Donald Trump endurecer o discurso contra Teerã e elevar o temor de uma retomada das ações militares no Oriente Médio.
Em declarações na Casa Branca, Trump classificou como “lixo” a resposta iraniana à proposta de cessar-fogo. Segundo fontes da Bloomberg, o Irã condicionou qualquer acordo ao fim imediato dos combates, inclusive no Líbano, além da suspensão do bloqueio naval americano, liberação de ativos congelados e alívio das sanções sobre as exportações de petróleo.
Após o fracasso das negociações, a Casa Branca passou a avaliar novamente opções militares. De acordo com a CNN, Trump teria se reunido com altos oficiais das Forças Armadas para discutir possíveis cenários estratégicos, incluindo a retomada de operações militares para pressionar o Irã a voltar à mesa de negociações.
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Do lado iraniano, o tom também se intensificou. Um alto oficial da Guarda Revolucionária afirmou hoje que Teerã ampliou sua definição operacional do Estreito de Ormuz, transformando a região em uma “vasta área estratégica”. Segundo Mohammad Akbarzadeh, vice-diretor político da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, a nova zona se estende entre a cidade de Jask e a Ilha Siri — segunda expansão desde o início do conflito.
Como forma adicional de pressão, o Parlamento iraniano também passou a discutir a possibilidade de elevar o enriquecimento de urânio para 90% de pureza, nível considerado suficiente para uso militar. O porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, afirmou que a medida poderá ser adotada caso os EUA retomem os ataques.
Em meio à deterioração do cenário geopolítico, o petróleo voltou a disparar. O barril do Brent superou os US$ 105 após Trump afirmar que o cessar-fogo está em “estado crítico”, ampliando o receio de novos confrontos militares e de interrupções na oferta global da commodity.
Em paralelo, a agenda econômica concentra os dois indicadores mais importantes da semana para os mercados: o IPCA de abril, no Brasil, e o CPI nos Estados Unidos. Na véspera, as curvas de juros abriram forte após a alta do petróleo elevar as apostas de cautela tanto por parte do Federal Reserve (Fed) quanto do Banco Central brasileiro.
No Brasil, a expectativa é de desaceleração do IPCA para 0,67% em abril, após alta de 0,88% em março, segundo a mediana do Broadcast. Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses deve avançar para 4,39%, mantendo o desconforto do Banco Central com a dinâmica dos preços.
A gasolina continua no radar, embora já apresente perda de força em relação ao pico registrado no início do conflito entre Irã e Estados Unidos. O mercado também espera algum alívio nos grupos de alimentação e passagens aéreas, enquanto medicamentos devem pressionar a inflação após o reajuste autorizado pela Anvisa no fim de março.
O foco principal, porém, segue nos núcleos de inflação e nos serviços subjacentes — métricas acompanhadas de perto pelo BC. A média dos núcleos deve acelerar de 0,40% para 0,43%, em patamar ainda considerado elevado, enquanto os serviços ligados ao mercado de trabalho continuam pressionados pela resiliência da atividade e do emprego.
A leitura reforça a percepção de inflação disseminada na economia e mantém em aberto o debate sobre o espaço real para novos cortes da Selic nos próximos meses.
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Manchetes desta manhã
- IPCA sobe 0,67% em abril, maior alta para o mês desde 2022 (Valor)
- Preço do petróleo sobe após Trump ameaçar cessar-fogo e Irã anunciar ultimato (Folha)
- Agro: Renegociação deve permitir acesso a crédito a 300 mil pequenos produtores até julho, prevê governo (Estadão)
- Galípolo é eleito para liderar bancos centrais de países emergentes (O Globo)
- Casas Bahia vai pedir para excluir dívida de R$ 170 milhões do plano do GPA (Valor)
Mercado global recua com nova escalada do conflito entre EUA e Irã
As bolsas da Europa caem nesta terça-feira, pressionadas pelas tensões entre EUA e Irã, que elevam os preços do petróleo, e pela crise política no Reino Unido, onde o primeiro-ministro Keir Starmer enfrenta pressão para renunciar após a derrota do Partido Trabalhista nas eleições locais.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, pressionadas pelo impasse nas negociações entre EUA e Irã, pela alta do petróleo e por preocupações com uma possível bolha no setor de inteligência artificial.
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, com investidores à espera da divulgação do CPI dos EUA e monitorando os desdobramentos da guerra no Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,42%
- FTSE 100: -0,47%
- CAC 40: -0,63%
- Nikkei 225: +0,52%
- Hang Seng: -0,22%
- Shanghai SE Comp: -0,25%
- Ouro (jun): -0,29%, a US$ 4.715,05 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,34%, aos 98,26 pontos
- Bitcoin: -0,13% a US$ 80.963,7
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Commodities
- Petróleo: chegou a disparar mais de 3% nesta manhã após novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o cessar-fogo e o endurecimento do discurso do Irã.
Com as negociações em torno da liberação do Estreito de Ormuz emperradas e o mercado reduzindo as apostas em uma solução rápida para o conflito, cresce o temor de impacto sobre a oferta global de energia.
O Brent/junho avança 2,,96%, a US$ 107,29, enquanto o WTI/junho subia 2,78%, a US$ 100,80. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,98%, na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 119,5.
Segundo a Nahua Futures, o avanço recente dos preços foi impulsionado por fluxo especulativo no mercado de metais ferrosos, apesar do aumento da oferta e de fundamentos considerados frágeis.
Cenário internacional
Nos EUA, os mercados globais voltam suas atenções para o CPI de abril, que subiu 0,6%, marcando alta pelo segundo mês consecutivo, resultando no maior aumento anual da inflação em quase três anos. O resultado reforça as expectativas de que o Fed pode deixar a taxa de juros inalterada por um período prolongado.
No radar geopolítico, nesta segunda-feira, os EUA anunciaram novas sanções contra indivíduos e empresas acusados de facilitar exportações de petróleo iraniano para a China. As medidas atingem companhias sediadas em Hong Kong, Emirados Árabes Unidos e Omã, ampliando a pressão diplomática poucos dias antes do encontro previsto entre Trump e Xi Jinping, quando Washington deve cobrar apoio de Pequim para destravar as negociações envolvendo o Estreito de Ormuz.
No front monetário, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, participa de evento às 13h45, enquanto John Williams discursa em conferência promovida pelo Banco Central da Suíça e pelo FMI ao lado de Joachim Nagel.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque doméstico ficou com o IPCA de abril, divulgado pelo IBGE. A inflação oficial desacelerou para 0,67%, após alta de 0,88% em março, mas os núcleos seguem pressionados e mantêm o mercado atento ao espaço para novos cortes da Selic.
Entre os compromissos das autoridades, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reúne com executivos da Fitch Ratings e participa mais tarde de debate na Câmara sobre o fim da escala 6×1.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança o programa Brasil Contra o Crime Organizado, pacote de cerca de R$ 11 bilhões voltado ao combate financeiro às facções, fortalecimento do sistema prisional e repressão ao tráfico de armas, em meio ao avanço da agenda eleitoral.
Cerca de R$ 10 bilhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social, enquanto o restante dos recursos virá da União.
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Destaques do mercado corporativo
- Itaúsa: teve lucro líquido recorrente de R$ 4,491 bilhões no 1º trimestre, alta de17% contra um ano antes. Dívida líquida saltou 188%, para R$ 1,01 bilhão. A companhia também aprovou recompra de até 5 milhões de ações PN para plano de incentivos de longo prazo.
- Suzano: divulgou metas de médio prazo: dívida líquida de US$ 11 bilhões e alavancagem abaixo de 2,5 vezes, com expectativa de atingimento ao longo de 2027 e 2028.
- Embraer: avança em conversas com Chile e Colômbia sobre o avião militar C-390, segundo a Reuters.
- WEG: o Citi cortou preço-alvo de R$ 50 para R$ 49 e manteve recomendação neutra.
- Multiplan: firmou acordo para venda de participação de 9,33% no Park Shopping Barigüi por R$ 250milhões.











