Os mercados globais voltaram a operar sob forte tensão nesta quarta-feira (13), diante da percepção de que o impasse entre Estados Unidos e Irã está longe de uma solução diplomática e que os efeitos do conflito já extrapolam a esfera geopolítica, contaminando inflação, juros e perspectivas para a atividade econômica mundial.
A rejeição americana à contraproposta iraniana interrompeu as negociações e reacendeu os temores em torno do Estreito de Ormuz. Com isso, o petróleo disparou novamente, levando o Brent a superar os US$ 107 por barril, enquanto investidores ampliam posições defensivas diante do risco de uma crise mais prolongada no Oriente Médio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, endureceu o discurso antes de embarcar para a China e afirmou que “não tem pressa” para um acordo com Teerã. Segundo ele, a prioridade da Casa Branca segue sendo impedir que o país obtenha acesso a armas nucleares. Trump também voltou a elevar o tom das ameaças contra o regime iraniano, afirmando que pretende “levar isso até o fim” caso não haja entendimento entre os países.
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O ambiente de aversão ao risco ganhou força após notícias de que relatórios da inteligência americana contradizem a narrativa pública adotada pela Casa Branca sobre o enfraquecimento militar do Irã. Segundo fontes, Teerã ainda mantém capacidade operacional relevante ao longo do Estreito de Ormuz, com acesso a 30 de seus 33 complexos de mísseis instalados na região.
A avaliação reservada das agências de inteligência sugere que o aparato militar iraniano permanece muito mais preservado do que o governo americano admite publicamente, elevando os receios de uma eventual escalada militar que possa comprometer ainda mais o fluxo global de petróleo.
Além da crise envolvendo o Irã, outro ponto de tensão entre Washington e Pequim voltou ao radar dos investidores. A China reiterou nesta quarta-feira sua forte oposição à venda de armas americanas para Taiwan e cobrou que os Estados Unidos respeitem compromissos assumidos anteriormente sobre o tema. A questão deve ocupar espaço relevante nas reuniões desta semana entre Trump e Xi Jinping, em Pequim.
Em dezembro, o governo Trump anunciou um pacote de US$ 11 bilhões em armamentos para Taipei — o maior já autorizado por Washington. O porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan da China, Zhang Han, afirmou que a questão taiwanesa é um assunto interno chinês e reiterou que o tema envolve diretamente os interesses estratégicos e a soberania do país.
No Brasil, o agronegócio brasileiro sofreu um novo revés no mercado internacional após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal ao bloco dentro das novas regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
A decisão, publicada nesta terça-feira (12) pela Comissão Europeia, passa a valer a partir de 3 de setembro, no âmbito do Regulamento (UE) 2019/6, e pode comprometer o acesso brasileiro ao mercado europeu para exportações de bovinos, aves, equinos, ovos e produtos de aquicultura.
Segundo o órgão europeu, o Brasil deixou de integrar a lista de países habilitados por não apresentar garantias consideradas suficientes de que não utiliza substâncias antimicrobianas proibidas para estimular crescimento ou ganho de rendimento animal.
A medida amplia a pressão sobre o setor frigorífico brasileiro em um momento de disputa acirrada pelo mercado global de proteínas, especialmente diante do avanço de concorrentes sul-americanos. Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram autorizados a exportar carnes bovina, ovina e de aves para a União Europeia, fortalecendo sua posição competitiva no bloco.
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Manchetes desta manhã
- Cade suspeita de fraude na venda da Kovr pelo Master (Valor)
- Empresariado recalcula rota e quer negociar mais flexibilidade nas escalas pós-6×1 (Folha)
- Importações de gás russo para a UE atingem nível mais alto em 4 anos (Estadão)
- ‘Taxa da blusinha’ já rendeu R$ 1,8 bi ao governo em 2026 (O Globo)
- PF mira aportes de R$ 107 milhões de fundo de previdência de cidade paulista em papéis do Master e do Daycoval (Valor)
Mercado global atento à pausa nas negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa buscam a recuperação impulsionadas pelo recuo do petróleo após três dias em alta, apesar da persistência da tensão entre EUA e Irã. Resultados corporativos acima das expectativas também sustentam o fôlego do mercado.
Na Ásia, os principais índices fecharam majoritariamente em alta antes da cúpula EUA-China, com expectativa de que Trump e Xi discutam incluindo tarifas comerciais, Taiwan e inteligência artificial.
No Japão, o Nikkei se destacou em alta em reação ao superávit em conta corrente recorde em março, à demanda estimulada por IA e pela desvalorização do iene, que beneficiaram a economia.
Em Nova York, os índices futuros operam mistos nesta quarta-feira (13), com recuperação das ações de tecnologia, e expectativa para a próxima rodada de dados de inflação. Em paralelo, o mercado aguarda novos desdobramentos das negociações entre EUA e Irã e da viagem de Trump à China.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,21%
- FTSE 100: +0,04%
- CAC 40: -0,36%
- Nikkei 225: +0,84%
- Hang Seng: +0,15%
- Shanghai SE Comp: -0,67%
- Ouro (jun): +0,28%, a US$ 4.699,67 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,21%, aos 98,51 pontos
- Bitcoin: -0,42% a US$ 80.538,7
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Commodities
- Petróleo: opera sem direção definida nesta terça-feira, interrompendo uma sequência de três sessões de forte alta. Ao longo do dia, os preços devem refletir o resultado da cúpula entre EUA e China, à espera de possíveis avanços nas negociações tarifárias e desdobramentos sobre um eventual cessar-fogo no Oriente Médio.
O Brent/junho avança 0,13%, cotado a US$ 107,91 e o WTI/junho recua 0,16%, a US$ 102,02. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,31% em Dalian, na China, cotado a 820 US$ 120,75/ton.
Segundo análise da Nanhua Futures, a produção de ferro-gusa segue como um importante indicador da demanda por minério de ferro, mas o potencial de alta adicional é limitado pela desaceleração sazonal da atividade.
Cenário internacional
Nos EUA, as atenções estão voltadas para o índice de preços ao produtor (PPI), principal dado da agenda do dia e peça-chave para calibrar as expectativas sobre inflação e juros na maior economia do mundo. A divulgação ocorre um dia após o CPI de abril reforçar a percepção de uma inflação mais persistente, pressionada principalmente pelo choque nos preços de energia.
A mediana do mercado aponta alta de 0,7% no índice cheio em abril, com avanço anual de 5%. Já o núcleo do indicador, que exclui itens voláteis, deve subir 0,3% no mês e acumular alta de 4,4% em 12 meses. O dado ganha ainda mais relevância em um momento em que investidores tentam avaliar até que ponto a pressão inflacionária pode alterar a trajetória de juros do Federal Reserve.
Ao longo do dia, o mercado também acompanhará discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), incluindo Susan Collins, às 12h30, Neel Kashkari, às 14h, e Lorie Logan, às 20h, em busca de novos sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
Outro foco em Washington será a votação no Senado da indicação de Kevin Warsh para substituir Jerome Powell no comando do Fed. Na terça-feira, o nome de Warsh já havia sido aprovado para integrar o Conselho de Diretores da autoridade monetária, ocupando a vaga deixada por Stephen Miran.
Cenário nacional
No Brasil, o principal destaque da agenda será a divulgação das vendas do varejo de março, indicador acompanhado de perto pelo mercado em busca de sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica diante do ambiente de juros elevados e inflação resistente.
A mediana das estimativas aponta alta de 0,1% nas vendas do varejo restrito e avanço de 0,2% no varejo ampliado. A leitura predominante é de perda gradual de tração do consumo, embora as vendas de veículos ainda devam sustentar parte do desempenho do indicador ampliado. Além da atividade, investidores seguem monitorando os impactos da inflação persistente, do crédito mais caro e do aumento do endividamento das famílias sobre a economia doméstica.
Na agenda das autoridades, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abre às 9h a IV Conferência Anual do BC, em Brasília, em um momento de reavaliação das expectativas para a Selic após a deterioração qualitativa do IPCA de abril e a pressão adicional provocada pela disparada do petróleo no mercado internacional.
No campo político, a poucos meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reforçar medidas de apelo popular em meio ao aumento da pressão sobre o custo de vida e ao desgaste provocado pela inflação.
Sem aviso prévio, Lula assinou nesta terça-feira uma Medida Provisória que zera os tributos federais sobre compras internacionais de até US$ 50, encerrando a chamada “taxa das blusinhas”. Segundo o governo, a tributação implementada em 2024 ajudou a combater o contrabando e regularizar o setor, permitindo agora a retirada da cobrança federal. A medida entra em vigor imediatamente após publicação no Diário Oficial.
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Destaques do mercado corporativo
- Itaú Unibanco ON: será incluído no índice MSCI Emerging Markets a partir do fechamento de 29 de maio.
- Pagbank: teve lucro líquido recorrente de R$ 575 milhões no primeiro trimestre, alta de 3,8% contra um ano antes. A receita líquida somou R$ 3,335 bilhões, aumento de 6,4%. O ROAE anualizado ficou em 15,8%.
- Hapvida: confirmou nova diretoria, com Luccas Adib como CEO e Lucas Garrido como CFO.
- Azzas: decisão liminar da Justiça manteve a estrutura organizacional e Roberto Jatahy à frente dagestão das unidades de vestuário feminino e masculino.
- Track & Field: pagará R$ 1,5 milhão em dividendos em 29 de maio, o equivalente a R$ 0,00101 por ação ordinária e R$ 0,01011 por ação preferencial. O pagamento será realizado com base na composição acionária de 30 de abril.
- Unipar: concluiu redomiciliação de subsidiária da Argentina para as Ilhas Cayman.
- Lupatech: fechou contrato de R$ 125,3 milhões com a Petrobras para fornecimento de válvulas tipo esfera.











