No cenário internacional, as preocupações com as tensões no Oriente Médio dão lugar às expectativas pelos resultados da cúpula entre Estados Unidos (EUA) e China, em Pequim, que teve início nesta quinta-feira (14) . Em uma rodada de negociações marcada por sinalizações de distensão estratégica, os dois países concordaram em construir uma “relação sino-americana construtiva de estabilidade estratégica”, baseada em cooperação e uma “competição calibrada” entre as duas potências.
O principal avanço até o momento foi o consenso de que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para garantir o livre fluxo global de energia. Durante as conversas, Xi Jinping teria demonstrado interesse em ampliar as compras de petróleo norte-americano, movimento visto como tentativa de reduzir a dependência chinesa da rota estratégica no Golfo.
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No campo geopolítico, EUA e China também alinharam discurso ao afirmar que o Irã não poderá desenvolver armas nucleares. Ao mesmo tempo, Xi elevou o tom sobre Taiwan, classificando a ilha como o tema “mais importante e sensível” da relação bilateral e alertando que uma condução inadequada da questão pode levar os laços entre Washington e Pequim a um cenário “perigoso”.
No Brasil, o conflito no Oriente Médio e o choque do petróleo sobre a inflação também ficaram em segundo plano, dando lugar à política eleitoral, que passou a dominar o mercado e ampliou a aversão ao risco nos ativos domésticos.
O Intercept Brasil divulgou que o pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, em mensagem, cobra do ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso sob acusação de fraudes financeiras, a promessa de repassar US$ 24 milhões para financiar o filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo O Globo, Vorcaro transferiu R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para a produção do longa “Dark Horse”. Em resposta, Flávio divulgou nota confirmando o financiamento privado do projeto, mas negou qualquer irregularidade ou intermediação de interesses do empresário junto ao governo.
O episódio teve forte repercussão no mercado financeiro e foi interpretado como um novo foco de instabilidade eleitoral. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,8%, pressionado pela piora na percepção de risco político, justamente no momento em que o principal nome da oposição passa a ser associado ao caso envolvendo Daniel Vorcaro. Nos bastidores, interlocutores da campanha já classificam o episódio como a “primeira grande crise” da candidatura de Flávio, segundo o Valor.
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O desgaste ocorreu no mesmo dia em que a pesquisa Genial/Quaest apontou melhora na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que no cenário de empate técnico. Ao mesmo tempo, investidores elevaram o nível de cautela em relação ao governo federal após a aceleração de medidas de forte apelo popular nas últimas semanas. Entre elas estão o fim da taxação sobre compras internacionais de até US$ 50 (taxa das blusinhas), o lançamento do Desenrola 2.0 e a criação de subsídios para combustíveis.
A reação do mercado se intensificou após o governo anunciar, nesta quarta-feira (13), um programa de subvenção para gasolina e diesel. A Medida Provisória publicada em edição extra do Diário Oficial da União autoriza subsídios de até R$ 0,8925 por litro da gasolina e R$ 0,3515 por litro do diesel, embora integrantes da equipe econômica indiquem que o valor efetivo de ajuda deverá ficar entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro da gasolina.
A iniciativa ocorre em meio à pressão causada pela disparada do petróleo no mercado internacional e após a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizar a necessidade de reajuste nos preços da gasolina diante da forte defasagem em relação às cotações externas. Segundo a Abicom, essa diferença chegou a 69% nesta quarta-feira.
Para evitar que a alta do petróleo provocada pela crise no Oriente Médio chegasse diretamente ao consumidor, o governo optou por abandonar a proposta de desoneração tributária e avançar com uma subvenção direta aos combustíveis. Os cálculos do mercado apontam impacto fiscal relevante: o governo estima custo mensal de R$ 272 milhões para cada R$ 0,10 de subsídio na gasolina e de R$ 492 milhões no diesel.
Já a MB Associados projeta que a despesa pode atingir R$ 2,5 bilhões por mês caso o teto autorizado seja utilizado integralmente, e estimativas da Buysidebrazil indicam potencial custo bruto de R$ 11,3 bilhões em apenas dois meses considerando os dois combustíveis.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a operação será viabilizada por meio de crédito extraordinário, deixando os gastos fora do limite previsto no arcabouço fiscal, embora ainda contabilizados na meta de resultado primário.
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Manchetes desta manhã
- Pai de Daniel Vorcaro é preso na 6ª fase da Operação Compliance Zero (Valor)
- MP-SP tenta ampliar receitas próprias após decisões do STF sobre penduricalhos (Folha)
- Honda amarga primeiro prejuízo em quase 70 anos após recuo em carros elétricos (Estadão)
- Cuba confirma desabastecimento total de diesel e óleo combustível em meio a protestos por apagões e bloqueio dos EUA (O Globo)
- Fraudes fiscais de R$ 2,5 bilhões no setor de plásticos ficam na mira de operação da Receita (Valor)
Mercado global deixa tensão no Oriente Médio de lado após novo rali de tecnologia
As bolsas da Europa avançam impulsionadas por ações de tecnologia, balanços corporativos e dados econômicos positivos, enquanto investidores acompanham a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim, além da crise política no Reino Unido.
Na Ásia, os índices fecharam mistos, com investidores monitorando a cúpula entre Washington e Pequim. Na China, prevaleceu a realização de lucros, enquanto outros mercados foram impulsionados pelo avanço das ações de tecnologia e semicondutores, após Wall Street renovar máximas históricas na véspera.
Em Nova York, os índices futuros também avançam, puxados pelas ações de tecnologia, com o mercado repercutindo o novo otimismo em torno da inteligência artificial (IA) e acompanhando as expectativas para a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,23%
- FTSE 100: +0,39%
- CAC 40: +0,71%
- Nikkei 225: -0,98%
- Hang Seng: estável
- Shanghai SE Comp: -1,52%
- Ouro (jun): +0,206%, a US$ 4.709,65 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,06%, aos 98,56 pontos
- Bitcoin: -0,99% a US$ 79.407,4
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos avançam nesta quinta-feira, com investidores repercutindo a cúpula entre EUA e China. O mercado reage às sinalizações de Xi Jinping sobre ampliar compras de petróleo americano e ao consenso entre os líderes de que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto.
O Brent/junho avança 0,52%, cotado a US$ 106,18 e o WTI/junho sobe 0,63%, a US$ 101,66. - Minério de ferro: fechou estável na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 120,30/ton.
Cenário internacional destaca dados do comércio e emprego nos EUA
Nos EUA, a agenda econômica destaca as vendas no varejo de abril nos EUA às 9h30. O BTG projeta moderação após a forte leitura de março, mas com o consumo ainda resiliente. Investidores também acompanham os pedidos semanais de auxílio-desemprego.
Os indicadores ganham ainda mais relevância após os números recentes de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) reforçarem a percepção de um Federal Reserve (Fed) mais cauteloso, reacendendo as apostas de juros elevados por um período mais prolongado.
O mercado também acompanha discursos de membros do Federal Reserve (Fed) ao longo do dia: Stephen Miran fala às 9h, Jeffrey Schmid às 11h15, Beth Hammack às 14h, John Williams às 18h45 e Michael Barr às 20h.
No Reino Unido, o PIB avançou 0,3% em março na comparação mensal, desacelerando em relação à alta revisada de 0,4% em fevereiro, mas surpreendendo positivamente o mercado, que projetava retração de 0,2%. O resultado ajudou a sustentar o tom positivo das bolsas europeias ao longo da manhã.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica é mais esvaziada e traz como principal destaque o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado pelo IBGE. O órgão estima safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas em 348,7 milhões de toneladas em 2026, novo recorde da série histórica. O volume representa crescimento de 0,7% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 0,1% frente à projeção de março.
Entre os eventos do dia, o Banco Central dá continuidade à IV Conferência Anual da instituição, com participação dos diretores Paulo Picchetti e Nilton David.
O ambiente doméstico, porém, segue marcado pelo aumento da preocupação do mercado com a expansão de medidas de estímulo fiscal e subsídios adotadas pelo governo. Em meio a esse cenário, o Tribunal de Contas da União (TCU) fez um alerta ao Executivo e ao Congresso Nacional sobre falhas no cumprimento das regras fiscais relacionadas a renúncias tributárias em 2025.
Segundo a Corte, 11 dos 21 atos analisados apresentaram problemas como ausência de estimativas de impacto fiscal, falta de demonstração de medidas compensatórias e deficiência em metas de governança. Entre os programas citados estão iniciativas ligadas à transição energética, exportações, indústria química, setor elétrico e crédito rural.
O TCU determinou que o Ministério da Fazenda, a Casa Civil, a Câmara dos Deputados e o Senado reforcem os mecanismos de controle e passem a apresentar de forma mais transparente os impactos fiscais das medidas adotadas, incluindo projeções para os dois anos seguintes e eventuais compensações orçamentárias.
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Destaques do mercado corporativo
- Banco do Brasil: registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,431 bilhões no 1º trimestre, queda de 53,5% na comparação anual e de 40,2% em relação ao 4T25. O resultado ficou levemente abaixo do consenso de analistas de R$ 3,498 bilhões.
- Braskem Idesa: negocia financiamento DIP de cerca de US$ 250 milhões em meio a possível Chapter 11.
- Brava: a Fitch colocou rating BB- em observação positiva após movimento da Ecopetrol.
- Azzas: disputa societária entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy segue no radar do mercado.
- Tok&Stok: a Justiça antecipou efeitos da recuperação judicial do grupo.
- Mobly: o processo de reestruturação ganhou fôlego após suspensão de cobranças por 60 dias.
- Movida: confirmou emissão externa de US$ 350 milhões a juros de 9,7% ao ano.











