A cúpula entre Estados Unidos e China encerrada nesta sexta-feira (15) trouxe breve alívio aos mercados globais durante a semana, com acenos em comércio, inteligência artificial e energia, reduzindo a percepção de risco geopolítico, mas terminou sem avanços relevantes, de modo que agora o mercado volta o foco às tensões entre EUA e Irã.
Em meio às negociações, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou a executivos de Nvidia, Tesla e Apple que a China continuará “se abrindo ainda mais” ao capital estrangeiro. Já o presidente americano, Donald Trump, anunciou que Pequim concordou em encomendar 200 aeronaves da Boeing e autorizou a venda de chips H200 da Nvidia para grandes empresas chinesas.
- Investir sem estratégia custa caro! Garanta aqui seu plano personalizado grátis e leve seus investimentos ao próximo nível.
O encontro também reforçou a leitura de redução do risco imediato de interrupção no fluxo global de petróleo. Apesar da volatilidade recente no Oriente Médio, o Brent permaneceu acomodado próximo da faixa dos US$ 100, apoiado pela sinalização de cooperação entre Washington e Pequim.
A Casa Branca afirmou ainda que Xi demonstrou interesse em ampliar as compras de petróleo dos EUA como forma de reduzir a dependência chinesa da rota de Ormuz. O líder chinês também teria oferecido ajuda nas negociações envolvendo o Irã e garantido que Pequim não fornecerá armamentos a Teerã.
Apesar do tom mais conciliador, Taiwan voltou a expor a principal fragilidade da relação bilateral. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi alertou Trump de que EUA e China poderão enfrentar “confrontos e até conflitos” caso a questão da independência da ilha não seja tratada de forma “adequada”.
Retornando ao “modo Trump”, na noite desta quinta-feira (14), o republicano voltou a endurecer o discurso contra o Irã e afirmou que não será “muito mais tolerante”, reacendendo parte das tensões geopolíticas.
No Brasil, o “Flávio Day” segue pressionando o cenário político-eleitoral. Após o forte estresse na véspera, os ativos domésticos devolveram parte dos prêmios de risco nesta quinta-feira, enquanto aliados de Flávio Bolsonaro trabalharam para conter danos e afastar a tese de substituição de sua candidatura.
O desgaste ocorreu após reportagens do Intercept Brasil revelarem mensagens envolvendo pedidos de recursos ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Reservadamente, aliados admitem preocupação com possíveis novos desdobramentos do caso e com o potencial impacto eleitoral da crise.
Em entrevista à GloboNews, Flávio admitiu que Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, era gestor do fundo sediado no Texas que recebeu recursos para o filme. A Polícia Federal trabalha com a suspeita de que parte dos recursos enviados ao Havengate Development Fund LP tenha sido utilizada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele vive desde fevereiro do ano passado.
O caso também avançou no campo jurídico. Lideranças de PT, PCdoB e PV protocolaram representações na PGR e na Polícia Federal contra Flávio, Eduardo e Jair Bolsonaro, citando suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e financiamento político irregular. Paralelamente, o líder do PT na Câmara acionou o Coaf para rastrear os repasses ligados ao filme.
Nesse ambiente, a nova pesquisa Datafolha, com início previsto para esta sexta-feira, ganha peso adicional por ser a primeira divulgada após o caso Vorcaro, a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e as mais recentes medidas eleitorais anunciadas pelo governo do presidente Lula, candidato à reeleição.
- Estratégia clara, decisões certeiras. Evite armadilhas e proteja seus investimentos com um método testado. Baixe agora!
Manchetes desta manhã
- Cláudio Castro e Ricardo Magro são alvos da PF em operação contra supostas fraudes fiscais na Refit (Valor)
- Sidney Oliveira, da Ultrafarma, e ex-auditor são acusados de organização criminosa pelo MP-SP (Folha)
- Space X deve protocolar pedido de IPO na próxima semana, diz agência France-Presse (Estadão)
- Santander eleva projeção do PIB e da inflação e prevê redução mais lenta dos juros (O Globo)
Mercado global volta a olhar para tensões no Irã
As bolsas da Europa caem forte, pressionadas pelas preocupações com a inflação e pela alta da energia em meio às tensões no Estreito de Ormuz. A ausência de acordos concretos na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, além da instabilidade política no Reino Unido, amplia a aversão ao risco.
Na Ásia, os índices encerraram a semana em forte queda, pressionados pelas ações de semicondutores, com o índice KOSPI caindo 6,12%.
O movimento ganhou força após o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmar que as negociações entre EUA e China não trataram dos controles de exportação de chips, frustrando investidores que esperavam avanços mais concretos na cúpula entre as duas potências.
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda nesta sexta-feira, afastando-se das máximas históricas em meio às preocupações com a inflação. Sem avanços relevantes na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, o mercado volta a concentrar atenções nas tensões entre EUA e Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,78%
- FTSE 100: -1,35%
- CAC 40: -1,31%
- Nikkei 225: -1,99%
- Hang Seng: -1,59%
- Shanghai SE Comp: -1,02%
- Ouro (jun): -2,79%, a US$ 4.554,51 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,33%, aos 99,21pontos
- Bitcoin: +1,02% a US$ 80.577,9
- Lucro real, risco controlado e execução profissional — acesse agora e conheça o Copy Invest do Portal das Commodities
Commodities
- Petróleo: os preços voltam a subir nesta sexta-feira após Donald Trump endurecer o tom contra o Irã e afirmar que a ação militar continuará. A commodity chegou a superar US$ 109 na abertura, impulsionada também pela expectativa de aumento das compras chinesas de petróleo americano.
O Brent/junho avança 2,08%, cotado a US$ 107,92 e o WTI/junho sobe 2,45%, a US$ 103,65. - Minério de ferro: cai pela quarta sessão seguida, fechando em baixa de 0,67% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 118,98/ton. O contrato caiu cerca de 0,55% esta semana, após quatro semanas consecutivas de ganhos.
Os preços recuaram pressionados pelos elevados estoques nos portos da China, enquanto investidores acompanhavam as negociações entre Donald Trump e Xi Jinping.
Cenário internacional
Nos EUA, a atenção dos mercados se volta para os dados de atividade industrial, em meio à percepção de um Federal Reserve (Fed) mais duro no combate à inflação. A produção industrial de abril será divulgada às 10h15, com expectativa de alta de 0,3%, após retração de 0,5% em março. Antes disso, o índice Empire State de maio, calculado pelo Fed de Nova York, deve oferecer novos sinais sobre o ritmo da economia americana.
O debate sobre juros também ganhou força após a saída de Stephen Miran do conselho do Fed. Em discurso de despedida, o economista criticou a forma como a autoridade monetária avalia a inflação, reforçando sua postura mais dovish. Nos últimos dias, o mercado passou a considerar até uma possível alta de juros pelo Fed no início de 2027.
Enquanto isso, outros grandes bancos centrais já indicam um aperto monetário mais próximo. No Japão, o dirigente do Bank of Japan, Kazuyuki Masu, sinalizou preocupação com o choque persistente do petróleo e defendeu uma elevação dos juros “o mais cedo possível” para impedir que a inflação subjacente ultrapasse a meta de 2%.
No Reino Unido, o economista-chefe do Bank of England (BoE), Huw Pill, adotou discurso semelhante ao defender um aperto “modesto, mas imediato”, afirmando que as incertezas envolvendo o conflito no Irã não justificam inação da autoridade monetária.
Cenário nacional
No Brasil, o principal destaque da manhã foi a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada pelo IBGE. O volume de serviços recuou 1,2% em março ante fevereiro, mas avançou 3% na comparação anual, registrando o 24º resultado positivo consecutivo.
Na agenda das autoridades, às 9h, o diretor de Política Econômica do Banco Central do Brasil, Paulo Picchetti, participa da IV Conferência Anual do BC.
- A informação que os grandes investidores usam – no seu WhatsApp! Entre agora e receba análises, notícias e recomendações
Destaques do mercado corporativo
- Toky: negou acordo fechado com credores e afirmou que o plano de recuperação judicial ainda está em estruturação.
- Cobasi: avançou no processo de fusão com a Petz após aprovação da CVM.
- GPA: convocou AGE para votar mudanças no capital autorizado e exclusão de regra de OPA estatutária.
- Assaí: A gestora Ninety One UK passou a deter 71,5 milhões de ações, equivalentes a 5,32% do capital social.











