A sessão desta quarta-feira (20) começa com uma mudança de percepção dos mercados globais à medida que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alterna entre ameaças e recuos, reduzindo o impacto de sua retórica sobre os ativos globais. Agora, os mercados passam a precificar não mais o risco de um ataque imediato dos EUA ao Irã, mas o custo de uma guerra prolongada no Oriente Médio.
Segundo o Wall Street Journal, mediadores regionais e autoridades americanas envolvidas nas negociações afirmam que a posição do Irã pouco mudou em relação às rodadas anteriores de diálogo. O impasse elevou as dúvidas sobre a viabilidade de uma solução diplomática, especialmente após Trump voltar a ameaçar novos ataques e estabelecer um prazo até o início da próxima semana” para que Teerã retorne à mesa de negociações.
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Os sinais seguem contraditórios. Enquanto interlocutores relatam poucos avanços concretos nas conversas entre Washington e Teerã, o desgaste político da guerra começa a ganhar força dentro dos próprios Estados Unidos — o Senado registrou aumento da resistência à continuidade do conflito, em uma votação interpretada como alerta à Casa Branca. E entre os republicanos, cresce o desconforto com os custos econômicos e políticos da escalada militar. Pesquisas recentes também mostram deterioração do apoio popular à estratégia de Trump no Oriente Médio.
Em Wall Street, o mau humor voltou a dominar os negócios. Na sessão anterior, as big techs lideraram as perdas, o dólar ganhou força globalmente e os rendimentos dos Treasuries dispararam. O retorno do T-Bond de 30 anos atingiu o maior nível em quase duas décadas, refletindo o temor de que um choque prolongado nos preços da energia mantenha a inflação elevada e force o Federal Reserve (Fed) a sustentar juros altos por mais tempo ou até reconsiderar novas altas.
Mesmo com leve recuo do Brent na sessão regular, o petróleo voltou a subir no mercado eletrônico diante da percepção de que a normalização da oferta global está cada vez mais distante. Para estrategistas internacionais, o mercado deixou de operar o “blefe” geopolítico e passou a negociar a duração efetiva da guerra.
Em relatório, o Deutsche Bank afirmou que os ativos globais já começam a incorporar um cenário crescente de estagflação. Já o Bank of America apontou que uma parcela relevante dos gestores acredita que o rendimento do Treasury de 30 anos pode alcançar 6% nos próximos meses.
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No Brasil, além das incertezas externas, os investidores começam a analisar o desgaste político da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro após os desdobramentos do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A leitura predominante no mercado é de que o episódio enfraquece, ao menos no curto prazo, a principal candidatura de oposição associada a uma agenda fiscal mais ortodoxa, reduzindo a percepção de alternância de poder em 2026.
Levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48,9% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 41,8% de Flávio Bolsonaro. Em abril, ambos apareciam tecnicamente empatados. A rejeição do senador também avançou e passou a superar a do atual presidente. O ruído político aumentou após Flávio confirmar ter visitado Daniel Vorcaro no fim de 2025, depois de o banqueiro deixar a prisão domiciliar.
A crise recolocou no radar temas que haviam perdido força nos últimos meses, especialmente o risco fiscal e a sucessão presidencial de 2026. Com a perda de tração da candidatura de Flávio Bolsonaro e a avaliação de que uma terceira via segue improvável, investidores passaram a atribuir maior probabilidade de continuidade do atual governo — cenário que voltou a pressionar os vértices longos da curva de juros.
No Congresso, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vota nesta quarta-feira o projeto de renegociação das dívidas rurais, que prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e pode alcançar até R$ 180 bilhões em operações renegociáveis.
A proposta enfrenta forte resistência da equipe econômica devido ao potencial impacto fiscal. O parecer limita a R$ 30 bilhões o uso direto do Fundo Social, mas autoriza recursos adicionais de fundos supervisionados pela Fazenda e emissões de títulos do Tesouro. Enquanto o governo tenta calibrar o texto, o Congresso acelera a tramitação sob pressão do agronegócio.
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Manchetes desta manhã
- Previdência deve custar R$ 11 bi mais e elevar pressão sob Orçamento (Valor)
- iFood acusa Keeta de tentar obter informações sigilosas e processa empresa por concorrência desleal (Folha)
- Fabricante de brinquedos Estrela pede recuperação judicial (Estadão)
- Meta inicia demissões em massa enquanto acelera reestruturação focada em IA (Estadão)
- Com Move Brasil, repasses do Tesouro ao BNDES já chegam a R$ 62,5 bilhões (O Globo)
Mercado global é influenciado por ações de tecnologia
As bolsas da Europa operam no campo positivo, impulsionadas pelo avanço das ações de tecnologia. O movimento, porém, perde força diante das tensões persistentes entre EUA e Irã, que seguem alimentando preocupações com inflação mais resistente e mantendo os rendimentos dos títulos globais em patamares elevados.
Na Ásia, os mercados fecharam em queda, acompanhando o mau humor de Wall Street e a cautela global antes da divulgação do balanço da Nvidia. Na Coreia do Sul, o índice Kospi despencou 2,5%, pressionado pelas ações de tecnologia e pela greve iniciada por trabalhadores da Samsung Electronics.
Na China, o Banco do Povo manteve as taxas de juros de referência inalteradas pelo 12º mês consecutivo, em linha com as expectativas do mercado, mas sem conseguir melhorar o sentimento dos investidores.
Em Nova York, os índices futuros abriram sem direção única nesta quarta-feira, em meio à estabilização do mercado de Treasuries e à expectativa pelos resultados da Nvidia, considerados um teste decisivo para o apetite dos investidores pelo setor de inteligência artificial.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,34%
- FTSE 100: +0,02%
- CAC 40: +0,56%
- Nikkei 225: -1,23%
- Hang Seng: -0,57%
- Shanghai SE Comp: -0,18%
- Ouro (jun): -1,39%, a US$ 4.494,50 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,02%, aos 99,34 pontos
- Bitcoin: +0,82% a US$ 77.316,7
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Commodities
- Petróleo: os preços cedem 3% nesta quarta-feira, voltando à faixa de US$ 108, após Donald Trump reforçar, durante o piquenique anual do Congresso, a expectativa de um desfecho rápido para o conflito entre EUA e Irã.
Segundo o presidente americano, Teerã estaria “cansado” da guerra e disposto a fechar um acordo.
O Brent/junho cai 3%, cotado a US$ 107,94 o WTI/junho recua 3,01%, a US$ 101,02. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,19% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 117,30/ton.
Analistas da ANZ Research avaliam que a alta dos preços de energia pode reduzir o consumo global e afetar negativamente as exportações chinesas de aço.
Cenário internacional acompanha falas de Trump sobre o fim da guerra
Nos EUA, o principal destaque do dia é a divulgação da ata da última reunião do FOMC, às 15h, documento que deve detalhar o grau de preocupação do Federal Reserve (Fed) com a inflação e os próximos passos da política monetária, em um momento de forte pressão sobre os juros longos americanos.
Mais cedo, às 10h15, o diretor do Fed Michael Barr participa de uma conferência sobre estabilidade financeira. No mesmo horário, o presidente do Bank of England, Andrew Bailey, fala ao Comitê do Tesouro britânico.
No radar corporativo, investidores aguardam o balanço da Nvidia, considerado decisivo para medir o fôlego do ciclo de investimentos em inteligência artificial e o apetite global por ações de tecnologia.
No campo geopolítico, o mercado segue monitorando mensagens contraditórias sobre o conflito entre EUA e Irã. Donald Trump afirmou que os EUA “talvez precisem atacar novamente o Irã” e revelou ter estado “a uma hora de ordenar uma ofensiva”. Depois, o vice-presidente J.D. Vance afirmou que houve “muito progresso” nas negociações e que os iranianos desejam fechar um acordo, reforçando que a prioridade americana continua sendo impedir o avanço do programa nuclear iraniano.
A tensão voltou a subir após a Guarda Revolucionária do Irã ameaçar ampliar o conflito “para além da região” caso Washington realize novos ataques.
Na Europa, a inflação da zona do euro foi confirmada em 3% ao ano em abril, o maior nível desde setembro de 2023 e ainda bem acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). O avanço foi puxado principalmente pela energia, que disparou 10,8% no período em meio aos conflitos no Oriente Médio.
Apesar do cenário tenso, a União Europeia fechou um acordo provisório para reduzir algumas tarifas sobre produtos americanos, dentro do pacto comercial firmado no ano passado, antes do prazo imposto por Trump para elevar tarifas sobre automóveis europeus.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica destaca o IGP-M do segundo decêndio de maio, que avançou 0,86%, após alta de 0,27% na primeira prévia do mês. Às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal.
No Congresso, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado analisa as indicações de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e de Igor Muniz para uma diretoria da autarquia.
Já o Congresso Nacional marcou para amanhã a sessão conjunta que analisará vetos da LDO relacionados a municípios inadimplentes — medida considerada prioritária por Câmara e Senado e que pode liberar o acesso de mais de 3 mil cidades a convênios e recursos federais.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: reduziu preços do gás no Rio de Janeiro em acordo com a Naturgy, enquanto gasolina e diesel seguem com defasagem de 41,3% e 32,7% ante a paridade internacional.
- BTG Pactual: teve rating Ba1 reafirmado pela Moody’s, com perspectiva estável.
- Azzas: entrou em disputa societária envolvendo a gestão da Reserva e avalia alternativas estratégicas com apoio do Itaú BBA.
- Minerva: aprovou aumento de capital com emissão de novas ações ordinárias.
- Cosan: Rubens Ometto avalia comprar terras da Radar em vez de novo aporte na Raízen, segundo a Bloomberg.
- Oi Soluções: a Claro confirmou participação no processo de venda da companhia, mas disse ainda avaliar se o ativo é atrativo pelo valor pedido, de R$ 1,4 bilhão, conforme o edital.
- Ambipar: o TJ-RJ rejeitou recursos de credores contra a recuperação judicial, segundo fontes do Broadcast. .











