Os mercados globais operam em alta nesta sexta-feira (22), em meio a sinais contraditórios sobre um possível acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão. Apesar do alívio parcial nos ativos de risco, os principais pontos de impasse seguem sem solução — entre eles, o destino do urânio enriquecido iraniano e o controle estratégico do Estreito de Ormuz.
Apesar do sinal positivo, a incerteza volta a pressionar o setor de energia. Após as fortes perdas da véspera, o petróleo recupera terreno e sobe mais de 2% nesta manhã, refletindo o receio de uma escalada geopolítica no Oriente Médio. Para os estrategistas de commodities Warren Patterson e Ewa Manthey, do ING, o mercado ainda tenta identificar sinais concretos de avanço nas negociações entre Washington e Teerã. Segundo eles, embora exista algum otimismo, a percepção predominante ainda é de cautela.
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Donald Trump reforçou nesta quinta-feira (21) que os EUA exigem receber o urânio enriquecido iraniano e descartou qualquer possibilidade de cobrança de pedágios na rota marítima de Ormuz. Do outro lado, o Irã mantém a exigência de suspensão das sanções econômicas, desbloqueio de ativos internacionais e garantias de cessar-fogo também no Líbano.
As dúvidas sobre o estágio real das negociações aumentaram após a emissora Al Arabiya negar relatos de que um acordo preliminar já estaria fechado. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram apenas que as divergências diminuíram. Ainda assim, o adiamento da viagem do marechal paquistanês Asim Munir a Teerã, apontado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como um movimento relevante, foi interpretado pelo mercado como sinal de avanço diplomático, embora sem desfecho definitivo.
Nos Estados Unidos, o ambiente político também contribui para a cautela dos investidores. Parlamentares republicanos decidiram adiar para junho a votação de propostas que poderiam pressionar Trump a retirar o país do conflito.
Além da tensão geopolítica, os mercados acompanham nesta sexta-feira a posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve (Fed), marcada para o meio-dia (horário de Brasília), em Washington, com participação de Trump na Casa Branca. A cerimônia encerra oficialmente a gestão de Jerome Powell no comando do Banco Central norte-americano.
Indicado por Trump e aprovado pelo Senado neste mês, Warsh assume o Fed em meio ao debate sobre a independência da autoridade monetária e à pressão crescente da Casa Branca por juros mais baixos, em um cenário ainda marcado pelos efeitos da guerra e pelo temor persistente de inflação.
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No Brasil, o mercado monitora a divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre. A expectativa do mercado é de um novo bloqueio orçamentário para acomodar o avanço das despesas obrigatórias.
Em entrevista à CNN na noite de ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo elevará o bloqueio atual de R$ 1,6 bilhão, embora tenha descartado, por ora, a necessidade de contingenciamento. Segundo ele, a arrecadação segue em linha com as projeções, enquanto a principal pressão continua concentrada nos gastos previdenciários.
Fontes ouvidas pelo Broadcast indicam que o relatório deve trazer um aumento próximo de R$ 11 bilhões nas despesas com Previdência no último bimestre, refletindo tanto a concessão de novos benefícios quanto a redução da fila do INSS.
O tema fiscal ganha ainda mais sensibilidade após o Congresso derrubar vetos do presidente Lula à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), flexibilizando regras para transferências de recursos federais a Estados e municípios às vésperas das eleições.
A medida pode favorecer prefeituras inadimplentes em um momento de ampliação da disputa por espaço eleitoral. Às vésperas do início oficial da campanha, o Congresso ampliou a margem para repasses e ações de prefeitos aliados ao restaurar trecho que autoriza o poder público a distribuir bens, valores e benefícios em 2026 — ponto vetado anteriormente pelo governo por contrariar regras da legislação eleitoral.
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Manchetes desta manhã
- Fundo ligado à Refit enviou R$ 14,2 milhões para Ciro Nogueira, diz PF (Valor)
- Europeus travam venda de mina de níquel em Goiás para empresa chinesa (Folha)
- Nova era da internet por satélite coloca Brasil na rota de investimentos bilionários (Estadão)
- Quase 70% dos endividados dizem acreditar que vão se beneficiar com o Desenrola 2, diz Datafolha (O Globo)
Mercado global é impulsionado por expectativas em torno das negociações entre EUA e Irã
As bolsas da Europa renovam máximas de duas semanas com o avanço das negociações entre EUA e Irã.
Na Alemanha, o crescimento do PIB e a melhora da confiança do consumidor reforçam o otimismo, enquanto no setor esportivo, ações de Puma (+5,43%) e Adidas (+2,92%), se destacam com empresas do setor reportando expectativas de lucro acima do esperado em ano de Copa.
Na Ásia, os índices avançaram com o otimismo em torno de um possível acordo entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão.
Em Hong Kong, a Lenovo disparou após forte resultado trimestral, impulsionando o Hang Seng. Já no Japão, a desaceleração da inflação básica reduziu apostas de alta antecipada dos juros pelo Banco do Japão.
Em Nova York, operam em leve alta, diante das expectativas por um acordo de paz entre EUA e Irã, após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmar que há “bons sinais” de um possível acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,12%
- FTSE 100: +0,21%
- CAC 40: +0,25%
- Nikkei 225: +2,68%
- Hang Seng: +0,86%
- Shanghai SE Comp: +0,87%
- Ouro (jun): -0,78%, a US$ 4.522,51 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,15%, aos 99,35 pontos
- Bitcoin: +0,22% a US$ 77.436,2
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros sobem mais de 2% nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas após a forte volatilidade da véspera.
O mercado segue ajustando expectativas sobre um possível acordo entre EUA e Irã, ainda cercado por impasses sobre o estoque de urânio iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.
O Brent/junho sobe 2,59%, cotado a US$ 105,24 e o WTI/junho avança 1,89%, a US$ 98,17. - Minério de ferro: fechou em leve queda de 0,13% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 116,55/ton.
Os preços do minério de ferro caminham para a segunda queda semanal consecutiva, pressionados pela expectativa de aumento da oferta global e enfraquecimento sazonal da demanda chinesa. Segundo a Jinrui Futures, o mercado espera menor consumo de aço, enquanto os embarques de Austrália e Brasil devem elevar a oferta da commodity até o fim do segundo trimestre.
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores acompanham os dados finais de confiança do consumidor e expectativas de inflação da Universidade de Michigan, às 11h, além da posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve.
O mercado também monitorao discurso do diretor do Fed Christopher Waller e os números da Baker Hughes sobre plataformas de petróleo em operação, em sessão ainda altamente sensível às negociações entre Washington e Teerã e ao futuro do Estreito de Ormuz.
Na Europa, o PIB da Alemanha confirmou crescimento de 0,3% no primeiro trimestre, acelerando em relação ao fim de 2025 e reforçando sinais de resiliência da maior economia do continente.
Já no Japão, a inflação desacelerou para 1,4% em abril, abaixo do esperado, reduzindo a pressão por novos aumentos de juros pelo Banco do Japão.
Cenário nacional
No Brasil, além do Relatório Bimestral, o foco se volta para a reunião trimestral do Banco Central com economistas do mercado, em meio ao fortalecimento das apostas de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em junho.
Participam dos encontros os diretores Nilton David e Paulo Picchetti, em discussões marcadas pelo impacto do petróleo sobre inflação e pelo debate sobre o início do ciclo de flexibilização monetária.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: informou que GQG Partners elevou participação na companhiapara 5,03%.
- PetroRecôncavo: ajustou marginalmente o valor do JCP por ação, de R$ 0,340750 paraR$ 0,340748, sem alteração no montante total distribuído.
- Embraer: fará o resgate integral das notas com vencimento em 2030 e taxa de 7,000%.
- Azul: emitirá até 6,9 milhões de bônus adicionais ligados à reestruturação sob Chapter 11nos EUA.
- Copel: o conselho aprovou renovação do programa de recompra de ações por mais 18 meses.











