Os mercados globais encerram a semana em compasso de espera por um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, após relatos de um memorando provisório que prevê a extensão do cessar-fogo por 60 dias e a reabertura, sem restrições, do Estreito de Ormuz. O entendimento, porém, ainda depende da aprovação final de Donald Trump e da liderança iraniana.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou nesta quinta-feira (28) que ainda há pontos sensíveis em negociação e que Trump não decidiu se assinará o rascunho do acordo. Já o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, elevou o tom ao condicionar qualquer avanço definitivo à reabertura plena de Ormuz, à entrega do urânio enriquecido pelo Irã e ao encerramento do programa nuclear iraniano.
Apesar do avanço diplomático parcial, o clima segue longe da estabilidade. A imprensa iraniana informou que forças do país lançaram mísseis a partir do sul do território persa, enquanto os Estados Unidos afirmaram ter abatido drones iranianos próximos ao Estreito. A Guarda Revolucionária também declarou que embarcações continuam dependendo de autorização para cruzar Ormuz, em meio às acusações de Washington de que Teerã estaria tentando monetizar a crise ao impor cobranças e restrições à navegação.
A combinação entre negociações frágeis e risco militar mantém os investidores em alerta e sustenta a volatilidade do petróleo, diante do temor de novas interrupções em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o abastecimento global de energia.
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Em meio à crise no Oriente Médio, o governo Trump abriu uma nova frente de tensão com o Brasil ao anunciar que irá classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas a partir de 5 de junho. A decisão surpreendeu o Palácio do Planalto e adiciona pressão à já delicada relação diplomática entre Brasília e Washington.
Nos bastidores, o governo Lula atuava para evitar a medida, defendendo o reforço da cooperação policial e de inteligência no combate ao crime organizado transnacional, sem o enquadramento formal das facções como grupos terroristas. Agora, auxiliares do presidente tentam calibrar a reação para evitar desgaste político e, ao mesmo tempo, não transmitir qualquer sinal de complacência com o crime organizado.
Integrantes do governo avaliam que a decisão americana pode abrir precedentes jurídicos e diplomáticos imprevisíveis, além de alimentar discussões sobre soberania nacional e eventual ampliação da atuação dos EUA em temas de segurança pública no Brasil.
No cenário doméstico, o resgate do Banco de Brasília (BRB) ganhou contornos políticos e fiscais mais amplos após a confirmação de que Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander participarão da operação estruturada em conjunto com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O pacote prevê um empréstimo de cerca de R$ 6,5 bilhões ao governo do Distrito Federal (DF ) para cobrir o rombo provocado pela compra de créditos ligados ao Banco Master.
O acordo homologado pelo STF autoriza o DF a usar receitas futuras e flexibilizar limites de endividamento para viabilizar a operação — medida que críticos classificam como uma transferência do risco de insolvência do BRB para as contas públicas do Distrito Federal.
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Manchetes desta manhã
- Bancos são alertados sobre efeito extraterritorial e redução do investimento com decisão dos EUA sobre PCC e CV (Valor)
- Guerra no Irã impulsiona plano da COP30 por menos petróleo e transição energética (Folha)
- Trade: BDRs da dona da Google visam atingir 9,23% de lucro nesta sexta-feira (E-Investidor/Estadão)
- Dívida pública vai a 80,4% do PIB e supera patamar registrado na pandemia (O Globo)
- Santander Brasil vai incorporar a Esfera, sua empresa de fidelidade (Valor)
Mercado global avança com expectativa por um acordo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa avançam com ações de defesa em alta enquanto investidores avaliam o andamento de um acordo para prorrogar o cessar-fogo no Oriente Médio.
Na Ásia, os mercados encerraram a semana majoritariamente em alta, com recordes no Japão e na Coreia do Sul, frente ao recuo nos mercados chineses.
O otimismo em torno do setor de IA somado a dados macroeconômicos regionais positivos estimularam os avanços. Após resultados animadores, as ações do Grupo Lenovo dispararam 21,95% e as da Samsung Electronics, 5,84%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em leve alta diante das expectativas de um acordo entre Washington e Teerã e a retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,12%
- FTSE 100: +0,33%
- CAC 40: +0,80%
- Nikkei 225: +2,53%
- Shanghai SE Comp: -0,73%
- Ouro (jun): +0,61%, a US$ 4.560,05 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,06%, aos 99,06 pontos
- Bitcoin: -0,11% a US$ 73.421,4
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Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros recuam perto de 2% após relatos de que EUA e Irã concordaram em estender o cessar-fogo, ainda sem um documento finalizado. As tratativas que preveem suspensão das restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz ainda precisam do aval de Trump.
O Brent/julho recua 1,78%, cotado a US$ 92,04 e o WTI/julho cai 1,9%, a US$ 87,21. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,45% em Dalian, na China, cotado a US$ 115,78/ton.
Cenário internacional destaca agenda do Fed e noticiário corporativo nos EUA
Os mercados globais iniciam esta sexta-feira atentos à agenda de indicadores e aos sinais do Federal Reserve (Fed), em meio à pressão renovada do petróleo e às incertezas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos. O destaque do dia fica para a inflação preliminar da Alemanha e para o PMI de Chicago, indicadores que podem ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária das principais economias do mundo.
Nos EUA, investidores acompanham ainda uma bateria de discursos de dirigentes do Fed ao longo do dia. Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, às 7h30; Michelle Bowman discursa às 10h10; Anna Paulson às 10h15; e Mary Daly encerra a agenda às 13h40. O mercado busca qualquer sinal sobre o timing de cortes de juros, sobretudo diante da recente alta do petróleo e do risco de pressão adicional sobre a inflação.
No noticiário corporativo, a Dell roubou a cena em Nova York ao disparar mais de 39% no pós-mercado após divulgar resultados muito acima das expectativas e reforçar o otimismo em torno da demanda por inteligência artificial.
A fabricante de servidores e computadores reportou lucro líquido ajustado de US$ 4,86 por ação no primeiro trimestre fiscal, com receita de US$ 43,8 bilhões. A companhia também elevou suas estimativas para o ano fiscal de 2027 e afirmou esperar receita de US$ 60 bilhões com servidores voltados para IA, sinalizando que o ciclo de investimentos no setor segue longe de perder força.
Antes mesmo da divulgação do balanço, as ações da empresa já avançavam após o anúncio de um novo contrato multibilionário com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Cenário nacional
No Brasil, as atenções se voltam para a divulgação do PIB do primeiro trimestre, que registrou alta de 1,1% e ano a ano, sobe 1,8%. O mercado apostava em uma reaceleração relevante da atividade, sustentada pela alta da renda, mercado de trabalho resiliente, expansão do crédito e medidas de estímulo adotadas pelo governo.
Também no radar, o Banco Central divulgou o resultado primário do setor público consolidado de abril, com superávit de R$ 24,6 bilhões, acima dos R$ 14,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, o déficit acumulado atingiu R$ 126,6 bilhões, equivalente a 0,97% do PIB. Já a dívida líquida do setor público alcançou 67,4% do PIB, equivalente a R$ 8,8 trilhões.
O mercado acompanha ainda os efeitos do reajuste da gasolina anunciado pela Petrobras, que elevou em R$ 0,48 por litro o preço do combustível nas refinarias a partir desta sexta-feira. O impacto para distribuidoras e consumidores, porém, tende a ser parcialmente amortecido pela subvenção do governo.
Mesmo após o aumento, o reajuste representa menos da metade da defasagem dos preços da Petrobras em relação ao mercado internacional, estimada em 55% até a última quarta-feira (27), segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
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Destaques do mercado corporativo
- Itaú: o Conselho aprovou a distribuição de R$ 3,99 bilhões em JCP, equivalentes a R$ 0,36188 bruto por ação. Os papéis ficam ex em 19/6 e o pagamento ocorrerá até 31/8.
- Santander: submeterá à AGE de 30 de junho a incorporação da Esfera Fidelidade, com transferência integral do patrimônio da subsidiária.
- Petrobras: o Carf cancelou autuação fiscal de R$ 1,08 bilhão contra a companhia relacionada à cobrança de PIS/Cofins sobre contratos de transporte de gás.
- Brava: debenturistas da 4ª emissão aprovaram consentimento prévio para eventual aquisição de controle pela Ecopetrol, no âmbito da OPA. Se a oferta for bem-sucedida, a estatal colombiana passará a deter 51% do capital.
- Rumo: inaugura em 19 de junho o novo terminal da BR-070 e o primeiro trecho da Ferrovia do Mato Grosso. O projeto tem capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.











