Após um fim de semana marcado pela nova escalada militar no Oriente Médio e sem qualquer anúncio de acordo entre Estados Unidos e Irã, o mercado começa a questionar se a recente queda do petróleo foi precipitada ou se ainda há espaço para manter o apetite por risco.
Apesar da forte recuperação dos mercados nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não formalizou um memorando de entendimento com Teerã. As negociações seguem em curso, mas continuam cercadas por sinais contraditórios emitidos tanto pela Casa Branca quanto pelo governo iraniano.
O chanceler iraniano afirmou que as conversas permanecem ativas, mas alertou contra conclusões antecipadas. Segundo a agência Tasnim, Teerã pretende propor mudanças relevantes no texto em discussão. Ao mesmo tempo, autoridades iranianas afirmam estar preparadas para um eventual fracasso das negociações, posição semelhante à adotada por Washington.
A tensão regional ganhou um novo componente após Israel ampliar significativamente sua ofensiva no sul do Líbano, cruzando novamente o rio Litani e assumindo o controle do Castelo de Beaufort, em sua incursão mais profunda no país em mais de 20 anos. O movimento ocorre justamente quando o Irã passou a defender que um acordo definitivo com os Estados Unidos inclua também o encerramento do conflito no Líbano, elevando a complexidade das negociações.
Outro foco de atenção foi o endurecimento da postura americana em relação ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Washington proibiu acordos de navegação mediados pelo governo iraniano e ampliou o risco de sanções a empresas e embarcações que mantenham relações com a autoridade criada por Teerã para administrar o tráfego marítimo na região.
Em resposta, o Parlamento iraniano avançou com um projeto para formalizar a gestão permanente do estreito, enquanto a Guarda Revolucionária voltou a afirmar que exerce controle total sobre a passagem e ameaçou reagir a qualquer tentativa de interferência externa.
Na noite deste domingo (31), Trump afirmou em publicação na rede Truth Social que o acordo em negociação deixa “muito claro” que o Irã não terá acesso a armas nucleares. “Na verdade, é sobre isso que a maior parte do acordo trata”, escreveu o presidente. O tema também deve ser discutido nesta segunda-feira (1º) pelo Conselho de Segurança da ONU.
A pressão para reabrir o Estreito de Ormuz ultrapassa a esfera geopolítica e chega ao cenário político norte-americano: Trump tenta conter a alta dos combustíveis nos EUA antes das eleições legislativas de novembro, em meio ao crescente descontentamento dos eleitores com o aumento dos preços da gasolina.
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No Brasil, o governo se vê novamente na mira da política comercial dos EUA, diante da expectativa por um possível anúncio de novas tarifas contra produtos brasileiros ainda nesta segunda-feira. A medida seria resultado da investigação conduzida pelo governo Trump com base na Seção 301, mecanismo utilizado para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais.
A investigação abrange temas como comércio digital, Pix, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, incluindo o combate ao desmatamento ilegal.
Integrantes do governo brasileiro admitem que existe a percepção de que novas medidas podem ser anunciadas em breve, embora ainda haja incerteza sobre o alcance das ações. O tema ganhou relevância adicional após Washington classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A discussão faz parte das negociações conduzidas por Lula e Trump desde maio, quando os dois governos concordaram em ampliar em 30 dias o prazo para as tratativas comerciais, permitindo que o Brasil apresentasse sua defesa final.
Nos bastidores, porém, o setor privado já trabalha com a expectativa de que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos anuncie tarifas mais elevadas, acompanhadas de um período de consulta pública de 30 dias antes da implementação das medidas.
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Manchetes desta manhã
- Decisão dos EUA sobre facções pode ter efeitos em empresas no Brasil (Valor)
- Sabesp (SBSP3) conclui compra de participação que Iguá (IGSN3) detinha na Águas de Castilho (Estadão)
- Petrobras reduz preço do diesel, e desconto no gás de cozinha é prorrogado (O Globo)
- Powell alerta para perda de credibilidade do BC americano em caso de interferência política (Valor)
Mercado global – otimismo por IA supera preocupações com o Oriente Médio
As bolsas da Europa operam sem direção única, com investidores atentos às tensões no Oriente Médio e a indicadores econômicos da região. No Reino Unido, a queda dos preços dos imóveis contrasta com a disparada de cerca de 10% das ações da easyJet, impulsionadas por especulações sobre uma possível oferta de compra por um grupo de investidores dos EUA.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos, impulsionados pelo otimismo com a inteligência artificial. O destaque foi o Kospi, da Coreia do Sul, que saltou 3,68% e renovou seu recorde, apoiado pelas expectativas em torno da visita do CEO da Nvidia, Jensen Huang, ao país nesta semana, e por novos anúncios ligados ao ecossistema global de IA.
Em Nova York, os índices futuros avançam nesta segunda-feira, impulsionados pelo setor de inteligência artificial, enquanto o otimismo com tecnologia supera a alta do petróleo e as preocupações geopolíticas.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,27%
- FTSE 100: -0,22%
- CAC 40: +0,05%
- Nikkei 225: +0,91%
- Shanghai SE Comp: -0,27%
- Ouro (jun): -1,19%, a US$ 4.538,26 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,14%, aos 99,05 pontos
- Bitcoin: -2,34% a US$ 72.180,5
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Commodities
- Petróleo: sobe mais de 3% nesta segunda-feira, impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio. O mercado reage aos novos ataques entre EUA e Irã e ao avanço das tropas israelenses no Líbano, fatores que aumentam os riscos para as negociações de cessar-fogo e para a estabilidade da região.
O Brent/agosto avança 3,28%, cotado a US$ 94,11 e o WTI/julho sobe 3,77%, a US$ 90,65. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,19% em Dalian, na China, cotado a US$ 115,45/ton.
A Nanhua Futures avalia que os embarques globais de minério de ferro avançaram na penúltima semana de maio, impulsionados pelo aumento da oferta da Austrália; movimento que amplia a disponibilidade da commodity no mercado e pressiona os preços.
Cenário internacional
Nos EUA, o principal destaque será o payroll de maio, na sexta-feira (5) indicador crucial para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed).
Antes disso, investidores acompanham os PMIs de serviços, o relatório ADP de emprego e o Livro Bege do Fed, além de uma série de discursos de dirigentes da autoridade monetária em busca de sinais sobre atividade econômica, mercado de trabalho e inflação.
No setor de tecnologia, as atenções se voltam para a Computex, em Taiwan, onde Nvidia e Microsoft devem apresentar novas soluções de inteligência artificial, reforçando o protagonismo do tema nos mercados globais.
Cenário nacional
No Brasil, a semana será mais curta com o feriado de Corpus Christi, na quinta-feira (4). Nesta segunda, o foco recai sobre o Boletim Focus e o Índice de Confiança Empresarial (ICE), que ajudam a medir o pulso das expectativas para a economia. Ao longo da semana, serão divulgados ainda a ata do Comef, o fluxo cambial e o IC-Br de maio, indicador que mede o impacto das commodities sobre a inflação brasileira.
No campo fiscal e energético, o governo federal iniciou o pagamento de uma subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel, medida criada para amenizar os impactos da crise no Oriente Médio sobre os combustíveis. Em paralelo, a Petrobras reduziu em R$ 0,3515 por litro o preço do diesel A para distribuidoras, fazendo o valor médio cair de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.
Na agenda das autoridades, o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, participa de encontros com economistas em São Paulo, enquanto o mercado revisa suas projeções para a Selic após a resiliência demonstrada pelo PIB do primeiro trimestre.
Outro tema de destaque é a entrada em vigor das novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que endurecem exigências para bancos médios e podem reduzir a oferta de CDBs com remuneração muito acima do CDI.
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Destaques do mercado corporativo
- Cosan: iniciou conversas para venda da RUMO. Ultra, Grupo México, Inpasa, Bunge, Opportunity, GIC, Votorantim, Itaúsa e Suzano/Feffer estariam interessados, informa o Globo.
- JBS: a China suspendeu temporariamente as importações de carne bovina da unidade da Friboi em Vilhena (RO) após identificar resíduos de progesterona em embarques exportados.
- Sabesp: concluiu a aquisição dos 70% restantes da Águas de Castilho por R$ 30,7 milhões, consolidando o controle integral da concessionária.
- Brava Energia: convocou para 08/6 assembleias de debenturistas para avaliar a anuência prévia à aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol.
- C&A: o Norges Bank elevou sua participação acionária de 4,97% para 5,05%, reforçando sua posição entre os principais investidores institucionais da varejista.
- Raízen: a B3 prorrogou até 08/7 prazo para a companhia apresentar plano de reenquadramento da cotação de suas ações PN, que estão sendo negociadas abaixo de R$ 1.











