Os mercados globais voltam a operar em clima de cautela nesta quarta-feira (3), com o petróleo avançando pelo terceiro pregão consecutivo após novos episódios de tensão envolvendo Estados Unidos e Irã. Ataques atribuídos a Teerã contra alvos no Bahrein e no Kuwait reforçaram a percepção de que o cessar-fogo no Oriente Médio segue instável, aumentando os riscos para a segurança energética da região.
Desde o início do conflito, o Irã tem ampliado suas ações contra alvos no Golfo, onde estão concentradas importantes bases militares americanas. Segundo o Comando Central, forças norte-americanas interceptaram drones iranianos que tinham como alvo navios civis e instalações militares no Kuwait. Washington também confirmou ataques à ilha iraniana de Qeshm, próxima ao Estreito de Ormuz, após tentativas de ofensiva por parte de Teerã.
Apesar da escalada militar, Donald Trump insiste que as negociações com o Irã permanecem em andamento. No entanto, investidores passaram a monitorar um novo fator de risco: o crescente desalinhamento entre Estados Unidos e Israel sobre a forma de encerrar o conflito. Segundo a imprensa americana, Trump tenta acelerar um acordo diplomático para aliviar a pressão sobre os preços da energia, a inflação e sua própria base política, cada vez mais dividida em relação ao apoio à guerra.
Desde março, o presidente americano tem afirmado repetidamente estar próximo de um acordo. Em entrevista a um podcast divulgada nesta quarta-feira, Trump declarou que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares e afirmou esperar um encontro com o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei. As declarações, porém, foram rapidamente colocadas em dúvida após uma publicação do conselheiro militar de Khamenei, Mohsen Rezaei, nas redes sociais.
Do lado iraniano, qualquer avanço nas negociações continua condicionado à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou que o fim das hostilidades é pré-requisito para a continuidade das tratativas de paz.
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As tensões também avançam para o campo comercial. Após anunciar a possibilidade de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo Trump propôs nesta terça-feira (2) novas sobretaxas de 10% a 12,5% sobre importações de cerca de 60 países, incluindo o Brasil. A justificativa é que esses países não estariam combatendo adequadamente o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado, criando distorções consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
A medida faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O movimento ocorre enquanto a Casa Branca busca reconstruir sua política tarifária após a Suprema Corte americana ter derrubado, em fevereiro, parte das tarifas emergenciais adotadas pelo governo.
No Brasil, porém, a ameaça de uma tarifa adicional de 25% gerou mais repercussão política do que impacto financeiro. Bolsa, dólar e juros reagiram de forma relativamente contida, refletindo a avaliação de que a medida ainda está longe de ser definitiva e poderá sofrer alterações até a decisão final prevista para 15 de julho, após audiências públicas e novas rodadas de negociação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o episódio para elevar o tom do discurso contra Washington e tentar associar o tarifaço à proximidade entre a família Bolsonaro e Trump. Lula acusou os Estados Unidos de agirem com base em “mentiras”, afirmou que o Pix se tornou alvo por representar uma ameaça aos interesses americanos e declarou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma “republiqueta”. Também afirmou estar aguardando um telefonema do presidente americano.
Nos bastidores, integrantes do governo admitem que o confronto com os Estados Unidos pode trazer ganhos políticos e eleitorais caso a oposição seja associada aos custos de uma eventual escalada tarifária.
Ao mesmo tempo, o Planalto busca separar o discurso político da negociação prática. Lula determinou que as conversas com Washington sejam conduzidas tecnicamente pelos ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, sob coordenação do vice-presidente Geraldo Alckmin, numa tentativa de preservar os canais diplomáticos e aumentar as chances de reversão da medida antes de sua entrada em vigor.
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Manchetes desta manhã
- Raízen detalha plano de recuperação e conta com aporte de R$ 3,5 bi da Shell (Valor)
- Em segundo revés ao Brasil, EUA concluem investigação sobre trabalho forçado e propõem nova tarifa (Folha)
- EUA dizem que falha do Brasil é ‘injustificável’ e apontam prejuízo no mercado de carne da China (Estadão)
- O novo tarifaço dará mais combustível às narrativas das campanhas de Lula e Flávio ( O Globo)
Mercado global em alerta após aumento das tensões entre EUA e Irã
A maioria das bolsas da Europa opera em queda, pressionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevam os preços do petróleo, e pela proposta dos EUA de impor novas tarifas a 60 países, incluindo parceiros da União Europeia.
No cenário macroeconômico, dados revisados dos PMIs de maio mostraram leve melhora na atividade de Reino Unido e Zona do Euro, mas ainda sinalizam contração econômica.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, com o apetite por ações de tecnologia e inteligência artificial superando as preocupações com a escalada do conflito entre EUA e Irã.
O destaque foi o Japão, que atingiu novo recorde, impulsionado por papéis de tecnologia, indústria e medidas de estímulo fiscal. O governo japonês aprovou um pacote de US$ 19,5 bilhões para amenizar os impactos do aumento do custo de vida, reforçando o otimismo dos investidores.
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade, à medida que as tensões no cessar-fogo entre EUA e Irã impulsionam o preço do petróleo pelo terceiro dia consecutivo.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,13%
- FTSE 100: -0,33%
- CAC 40: -0,41%
- Nikkei 225: +2,5%
- Shanghai SE Comp: +0,22%
- Hang Seng: -1,56%
- Ouro (jun): -0,76%, a US$ 4.485,65 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,16%, aos 99,37 pontos
- Bitcoin: -3,16% a US$ 66.843,7
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Commodities
- Petróleo: as cotações mantêm trajetória de alta, refletindo a renovação das tensões no Oriente Médio após novos ataques entre EUA e Irã. O mercado reagiu aos bombardeios realizados por forças americanas contra a ilha iraniana de Qeshm, apresentados por Washington como uma ação de autodefesa em resposta ao lançamento de mísseis balísticos iranianos contra países vizinhos.
O episódio elevou as preocupações com a estabilidade da região e com possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo. O Brent/agosto avança 2,33%, cotado a US$ 98,24 e o WTI/julho sobe 2,34%, a US$ 95,95. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,57% em Dalian, na China, cotado a US$ 115,34/ton.
Cenário internacional
Nos EUA, entre os indicadores econômicos, o destaque é o ADP de criação de vagas no setor privado de maio, às 10h. Saem também os PMIs de serviços e composto nos EUA, além dos estoques de petróleo do DOE às 11h30 e o Livro Bege do Fed às 15h.
Ainda na agenda econômica, lideranças do Federal Reserve (Fed) discursam hoje: Michael Barr às 10h, Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, às 12h e Lorie Logan, do Fed de Dallas, às 17h.
Na zona do euro, os preços ao produtor (PPI) avançaram 0,6% em abril na comparação mensal, acima da expectativa de 0,4%, acumulando alta de 4,9% em 12 meses. Apesar do resultado, houve desaceleração em relação ao avanço de 3,4% registrado em março, com os preços de energia recuando 0,4% após o forte salto de 11% observado no mês anterior em meio às tensões envolvendo o Irã.
Já o PMI de serviços subiu marginalmente para 47,7 pontos em maio, ante 47,6 em abril, mas permaneceu abaixo da marca de 50 pelo segundo mês seguido, indicando continuidade da contração da atividade no setor.
Cenário nacional
No Brasil, as atenções se voltam para a produção industrial de abril, que será divulgada às 9h. A mediana das projeções do Broadcast aponta para alta de 0,5% na comparação mensal, após avanço de 0,1% em março, o que representaria o quarto resultado positivo consecutivo da indústria. A expectativa é de contribuição relevante da indústria extrativa, impulsionada pelo aumento da produção de petróleo, embora parte do mercado já identifique sinais de desaceleração após o desempenho mais forte observado no primeiro trimestre.
Mais tarde, às 15h, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulga a balança comercial de maio. A expectativa é de superávit de US$ 7,5 bilhões, sustentado principalmente pelas exportações de soja, carne bovina e petróleo. Por outro lado, as importações de combustíveis, fertilizantes e veículos devem limitar um resultado mais robusto.
No campo político, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, indicou que a PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 deverá ter uma tramitação lenta na Casa. Segundo ele, o texto passará pelas comissões e será analisado sem pressa, abrindo espaço para alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados.
Alcolumbre também criticou a pressão pela instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master, afirmando que parte dos parlamentares busca transformar o tema em instrumento de disputa eleitoral. O senador argumentou que o caso já é alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário.
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Destaques do mercado corporativo
- Axia: conclui compra de 50,1% da hidrelétrica Três Irmãos, em Andradina (SP), por R$ 256 milhões, passando a deter 100% do empreendimento. Fatia pertencia à Tijoá Energia, controlada da Juno Investimentos.
- Multiplan: investiu R$ 30 milhões na sexta ampliação do BH Shopping, adicionando 2 mil m² de área bruta locável.
- TOTVS: a BlackRock reduziu participação de 10% para 4,139% do capital total.
- Raízen: a companhia negocia a venda de sua operação argentina por US$ 1,4 bilhão, movimento que pode fortalecer o caixa em meio à reestruturação financeira.
- Santander Brasil: convocou assembleia para eleger dois novos integrantes do conselho de administração em julho.











