Os mercados globais encerram a semana em clima de alívio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que cancelou ataques planejados contra o Irã e que um “excelente acordo” para encerrar a guerra pode ser assinado já neste fim de semana.
Segundo autoridades ligadas ao G7, um memorando de entendimento entre Washington e Teerã poderá ser formalizado no domingo, em Genebra. O acordo vem sendo negociado paralelamente aos preparativos para a cúpula do G7, que começa na próxima segunda-feira (15) nos Alpes franceses.
Apesar do otimismo dos EUA, o governo iraniano mantém cautela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, reconheceu avanços nas negociações, mas afirmou que a proposta ainda depende da avaliação das autoridades responsáveis pela decisão final em Teerã.
O tom mais construtivo ganhou novos elementos após a agência estatal iraniana Mehr divulgar nesta sexta-feira (12) detalhes do rascunho em discussão. O texto prevê cessar-fogo permanente e imediato em todas as frentes do conflito, inclusive no Líbano, além da retomada das negociações diplomáticas e de um cronograma de 60 dias para discutir o programa nuclear iraniano e o eventual fim das sanções impostas pelos Estados Unidos.
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A proposta também incluiria a liberação gradual de US$ 24 bilhões em ativos iranianos atualmente bloqueados no exterior, dos quais US$ 12 bilhões seriam disponibilizados antes mesmo do início formal das negociações.
Se confirmado, o acordo representará o avanço diplomático mais relevante desde o início da guerra, há três meses. O conflito provocou milhares de mortes e desencadeou uma disparada dos preços da energia ao ameaçar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o abastecimento global.
A perspectiva de um acordo derrubou as cotações do petróleo e desencadeou uma rápida revisão das expectativas para a política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Com a redução do risco de novos choques de energia, investidores passaram a enxergar menor pressão inflacionária à frente.
Nos EUA, as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) perderam força. Dados do CME FedWatch mostram que o mercado passou a concentrar a maior probabilidade de aperto monetário apenas em dezembro, reduzindo as expectativas para uma elevação já em outubro.
No Brasil, o movimento foi ainda mais expressivo. A queda do petróleo e o alívio no cenário externo fizeram o mercado voltar a apostar majoritariamente em um corte da Selic na próxima semana. Segundo cálculos do Bmg, a probabilidade de redução de 0,25 ponto percentual saltou de cerca de 30% para 60% em apenas um dia. Ao mesmo tempo, a projeção para a taxa terminal em 2026 recuou de 15,05% para 14,80%.
A mudança de humor dos investidores coloca ainda mais atenção sobre a divulgação do IPCA de maio, prevista para esta manhã. O indicador será decisivo para confirmar se a recente melhora das expectativas inflacionárias tem fundamento suficiente para sustentar uma flexibilização da política monetária.
A mediana das estimativas aponta avanço de 0,55% no mês, desacelerando em relação aos 0,67% registrados em abril. O resultado deve refletir principalmente o alívio dos combustíveis e uma acomodação gradual dos preços dos alimentos, fatores favorecidos pela recente queda do petróleo.
Apesar da melhora nas expectativas de curto prazo, economistas avaliam que os núcleos de inflação e os preços de serviços seguem longe de um nível confortável para o Banco Central, o que recomenda cautela na condução da política monetária.
Manchetes desta manhã
- ‘Pautas-bomba’ têm impacto de R$ 111 bi por ano, diz governo (Valor)
- Ministério vê risco reputacional ao Brasil em tarifa de Trump por trabalho forçado (Folha)
- IPO impulsiona SpaceX a valer mais do que PIB da Turquia e traz desafio para governos no mundo todo (Estadão)
- Para o infinito e além: ações da SpaceX podem subir até 50% na estreia, indicam derivativos (O Globo)
- Alívio externo recoloca debate sobre cortes de Selic na mesa (Valor)
Mercado global retoma expectativa por cessar-fogo entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam em alta, embaladas pela expectativa de uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio, após sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã.
A forte queda do petróleo reforça o otimismo dos investidores, impulsionando principalmente as ações de companhias aéreas e turismo. Lufthansa e Air France lideram os ganhos, com altas de 7,04% e 9,28%, respectivamente.
Na Ásia, as bolsas dispararam impulsionadas pela expectativa de um acordo de paz entre EUA e Irã. A queda do petróleo e a recuperação das ações de tecnologia e semicondutores reforçaram o apetite por risco, com o índice Kospi liderando os ganhos ao avançar 4,63%.
Em Nova York, os índices futuros abriram em alta, sustentados pela expectativa de um acordo entre EUA e Irã e pela estreia da SpaceX na Nasdaq, com a maior oferta pública inicial (IPO) da história.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,41%
- FTSE 100: +1,10%
- CAC 40: +1,78%
- Nikkei 225: +2,81%
- Shanghai SE Comp: +1,12%
- Hang Seng: +1,93%
- Ouro (jun): +2,85%, a US$ 4.231,40 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,10%, aos 99,80 pontos
- Bitcoin: +0,98% a US$ 63.621,5
Commodities
- Petróleo: os preços dos contratos futuros recuam mais de 3% nesta sexta-feira, ampliando as perdas da véspera diante da expectativa de um acordo entre EUA e Irã que possa encerrar as tensões no Oriente Médio.
O movimento ocorre após Donald Trump sinalizar avanços nas negociações de paz, reduzindo os temores de interrupções na oferta global da commodity.
O Brent/agosto cai 3,37%, cotado a US$ 87,33 e o WTI/julho cede 3,49%, a US$ 84,65. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,33%, na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 112,97/ton, pressionado por sinais de enfraquecimento da demanda.
Segundo analistas da China Galaxy Futures, a desaceleração dos investimentos em infraestrutura e manufatura no país reduziu a demanda por aço, enquanto o consumo total do metal permanece abaixo dos níveis observados entre 2023 e 2025, apesar da resiliência das exportações.
Cenário internacional
Nos EUA, o destaque da agenda é a divulgação do índice preliminar de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan referente a junho. A expectativa é de recuperação para 47,8 pontos, ante 44,8 em maio. O mercado também acompanhará atentamente as projeções de inflação para um e cinco anos, indicadores observados de perto pelo Federal Reserve na avaliação das expectativas inflacionárias.
O cenário americano ainda repercute a decisão de um tribunal federal de apelações que autorizou o governo Donald Trump a manter temporariamente a tarifa global de 10% sobre importações enquanto segue a disputa judicial sobre a legalidade da medida, preservando uma das principais bandeiras da política comercial da atual administração.
No noticiário corporativo, os holofotes se voltam para a estreia da SpaceX na Nasdaq sob o código SPCX. No Brasil, os investidores poderão acessar os papéis por meio de BDRs negociados na B3, com cada recibo correspondendo a 1/5 de uma ação da companhia.
A oferta foi precificada em US$ 135 por ação e movimentou cerca de US$ 75 bilhões, após uma demanda que teria alcançado US$ 250 bilhões, segundo a Reuters.
O IPO tornou-se o maior da história dos mercados, superando as ofertas da Saudi Aramco, em 2019, e do Alibaba, em 2014. A operação atribuiu à empresa aeroespacial de Elon Musk um valor de mercado de aproximadamente US$ 1,77 trilhão, colocando-a entre as sete maiores companhias listadas dos Estados Unidos.
Cenário nacional
No Brasil, os investidores acompanham a divulgação do IPCA de maio, dado que ganhou ainda mais importância após o mercado voltar a precificar majoritariamente um corte da Selic na próxima semana.
Também entram no radar os números da produção de veículos da Anfavea e as operações do Banco Central, que realizará leilões de swap cambial e compromissadas ao longo do dia.
No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança o programa Move Brasil – Entregadores e Moto Apps, nova linha de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO) voltada ao financiamento de motocicletas para trabalhadores de aplicativos. À tarde, o presidente participa do anúncio de novas unidades do programa Minha Casa Minha Vida Rural e Entidades.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: a Previ solicitou assembleia para substituir Daniel Stieler da presidência do conselho, movimento que pode intensificar as disputas de governança na mineradora.
- Petrobras: prevê concluir em 7 de agosto a perfuração do Poço Morpho, na Margem Equatorial, etapa importante para a exploração da Foz do Amazonas.
- Nubank: captou R$ 1,59 bilhão em letras financeiras, com demanda superior a R$ 3 bilhões, evidenciando forte apetite dos investidores pelos papéis.
- Eztec: cancelou 3,64 milhões de ações em tesouraria e aprovou programa de recompra de até 12 milhões de ações ao longo dos próximos 18 meses.
- Cyrela: a Absolute Gestão praticamente dobrou sua participação na companhia, elevando sua fatia de 5,3% para 10,1% das ações preferenciais.
- Oi: obteve na Justiça a extensão da suspensão das obrigações extraconcursais, garantindo mais tempo para avançar na liquidação ordenada de ativos.











