Os mercados globais operam em alta nesta terça-feira (30), impulsionados pela recuperação das ações de tecnologia em Nova York e pelo alívio das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A perspectiva de continuidade do diálogo entre Estados Unidos e Irã reforça o apetite por risco dos investidores, embora as informações divergentes sobre o cronograma das negociações ainda mantenham cautela nos mercados.
O foco está em Doha, no Catar, para onde Washington enviou uma delegação liderada por Jared Kushner e Steve Witkoff para reuniões com autoridades. Apesar de o presidente Donald Trump ter afirmado na véspera que Teerã havia solicitado um encontro com representantes americanos, o governo do Catar negou que haja negociações diretas de alto nível programadas entre os dois países nos próximos dias. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores catari, Majed Al Ansari, os enviados americanos participam apenas de reuniões com os mediadores que acompanham o processo de negociação com o Irã.
O Catar, ao lado do Paquistão, atua como mediador das conversas que buscam consolidar a trégua e avançar para um acordo capaz de encerrar o conflito no Oriente Médio. Do lado iraniano, o principal negociador, Kazem Gharibabadi, afirmou que não há reuniões de grupos técnicos previstas para esta semana.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã inicialmente negou qualquer encontro, mas posteriormente confirmou o envio de uma “delegação de especialistas” a Doha para discutir a implementação das cláusulas do memorando de entendimento firmado entre os dois países há duas semanas. Ainda assim, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, ressaltou que Teerã “não participará nos próximos dias de nenhuma reunião de negociação com a parte americana em nenhum nível”, indicando que as tratativas ainda não entraram na fase de negociação de um acordo definitivo.
Nunca foi tão fácil ficar atualizado sobre finanças, economia e investimentos. Assine gratuitamente
As conversas em Doha têm como principal objetivo solucionar as disputas envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo. No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo operam sem direção única e próximos da estabilidade, refletindo as mensagens contraditórias sobre os próximos passos das negociações entre Washington e Teerã.
O Estreito de Ormuz permanece aberto, embora o fluxo de embarcações ainda esteja abaixo do nível registrado antes da guerra. Com a redução do prêmio de risco geopolítico e a normalização gradual do tráfego de petroleiros, o Brent caminha para registrar a maior queda trimestral desde 2020. O banco MUFG destaca que a melhora da circulação por Ormuz tem reduzido as preocupações com o abastecimento global, à medida que avançam os esforços diplomáticos entre EUA e Irã.
No Brasil, o principal evento do dia será o lançamento do Plano Safra 2026/27. Às 10h, o governo apresenta, no Palácio do Planalto, o programa voltado aos médios e grandes produtores rurais, em cerimônia com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A expectativa é de um volume recorde de R$ 525,1 bilhões em crédito, alta de 1,7% em relação ao da safra anterior.
Mesmo em um ambiente de Selic elevada, restrições orçamentárias e maior custo da equalização dos juros, o governo pretende ampliar a oferta de crédito e reduzir as taxas de financiamento em até 1,5 ponto percentual, para uma faixa entre 8% e 12,5% ao ano. O esforço fiscal também aumenta: a participação do Tesouro na equalização dos juros sobe de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, embora o volume de recursos equalizados diminua de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, refletindo o aumento do custo dos subsídios.
O governo também priorizou o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), elevando os recursos para R$ 72,6 bilhões e reduzindo a taxa de juros de 10% para 9% ao ano.
Já às 17h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará o Plano Safra da agricultura familiar. A expectativa é de recursos entre R$ 83 bilhões e R$ 85 bilhões, acima dos R$ 78,2 bilhões da safra atual, além de redução entre 0,5 e 1 ponto percentual nas linhas de crédito do Pronaf voltadas à produção de alimentos e às mulheres produtoras rurais.
Elaborado em um cenário de juros elevados, espaço fiscal reduzido e desaceleração do agronegócio, o Plano Safra busca preservar o ritmo de investimentos de um setor responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro, ao mesmo tempo em que procura ampliar a produção agropecuária e contribuir para conter a inflação dos alimentos.
Manchetes desta manhã
- Com provisões para perdas, Raízen tem prejuízo de R$ 27 bi (Valor)
- União Europeia amplia proteção à indústria de aço, reduz limite anual e cria tarifa de 50% (Folha)
- Trump pressiona postos a reduzir preço da gasolina e ameaça: ‘grandes problemas virão’ (Estadão)
- Iene cai a menor nível em 40 anos e acende alerta de intervenção no mercado (O Globo)
Mercado global em alta com avanço das ações de tecnologia nos EUA
As bolsas da Europa operam em alta, recuperando parte das perdas da sessão anterior, impulsionadas pelo novo rali das ações de tecnologia em Wall Street.
No setor de semicondutores, a Infineon Technologies avançava 3,32%, enquanto o alívio das tensões geopolíticas, diante da possibilidade de retomada das negociações entre EUA e Irã, também reforça o apetite por risco dos investidores.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas pelo avanço das ações de tecnologia em Nova York. O destaque ficou para empresas de semicondutores e inteligência artificial, com Samsung Electronics e SK Hynix em alta após anunciarem mais de US$ 500 bilhões em investimentos em chips e IA.
Em Nova York, os índices futuros operam em leve alta nesta terça-feira (30), após o índice Dow Jones fechar em nível recorde na véspera, acima dos 52 mil pontos, impulsionado pela forte alta das ações da Alphabet em sua estreia no índice.
O mercado mantém o foco na agenda econômica, com expectativa pelos dados do JOLTS, PMI de Chicago e confiança do consumidor, que podem influenciar as perspectivas para a política monetária dos EUA.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,13%
- FTSE 100: +1,15%
- CAC 40: +0,64%
- Nikkei 225: +0,86%
- Shanghai SE Comp: +0,50%
- Hang Seng: -0,63%
- Ouro (jun): +0,13%, a US$ 4.044,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -+0,26%, aos 101,39 pontos
- Bitcoin: -1,51% a US$ 59.021,2
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo operam próximos da estabilidade, com leve queda, refletindo o alívio das tensões entre EUA e Irã após a nova trégua. O mercado acompanha a expectativa de negociações no Catar, embora o Irã ainda não tenha confirmado o cronograma.
Analistas avaliam que, mesmo com os preços retornando aos níveis anteriores ao conflito, permanecem pressões sobre o mercado da commodity.
O Brent/agosto recua 0,25%, cotado a US$ 72,97 e WTI/agosto cai 0,04%, a US$ 70,72. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,61% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,08 a tonelada.
Analistas da ANZ Research destacam que o mercado de minério de ferro segue atento às restrições na oferta provenientes das minas do Brasil e da Austrália. Ao mesmo tempo, a queda dos estoques da commodity nos portos chineses registrada na semana passada reforça a percepção de um cenário de oferta mais apertada.
Cenário internacional é de expectativa por dados econômicos
Os mercados entram nesta terça-feira (30) em compasso de espera por novos dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos, em uma semana encurtada pelo feriado de 4 de Julho em Nova York. A agenda concentra indicadores capazes de recalibrar as apostas para os juros: o JOLTs, nos EUA, e o Caged, no Brasil.
Nos EUA, o relatório JOLTs, referente a maio, deve mostrar desaceleração na abertura de vagas, com expectativa de 6,975 milhões de postos disponíveis, abaixo dos 7,618 milhões registrados em abril. Apesar da queda esperada, o mercado de trabalho americano ainda dá sinais de aquecimento. O dado anterior surpreendeu ao ficar bem acima da projeção de 6,866 milhões de vagas, reforçando a atenção dos investidores ao payroll, que será divulgado na quinta-feira (2), um dia antes do habitual, já que os mercados americanos fecham na sexta-feira pelo feriado do Independence Day.
O relatório de emprego será um dos principais termômetros para medir a próxima decisão do Federal Reserve. Após um PCE mais comportado reduzir a força das apostas mais duras para os juros, os números do mercado de trabalho podem definir se volta a ganhar espaço a possibilidade de alta da taxa em julho.
No Japão, o iene caiu para 162,19 por dólar, o menor nível desde 1986, colocando investidores em alerta para uma eventual intervenção no mercado. O ministro das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o governo está pronto para tomar “ação decisiva” diante de movimentos excessivos da moeda.
Na Europa, a inflação ao consumidor na França desacelerou para 2% em 12 meses em junho, ante 2,8% em maio. Na Alemanha, a taxa de desemprego ajustada sazonalmente ficou estável em 6,3%. Já no Reino Unido, o PIB cresceu 0,6% no 1º trimestre, confirmando a prévia e marcando a expansão trimestral mais forte desde o 1º trimestre de 2025.
Ainda na Europa, a Comissão Europeia lançou novas cotas para limitar a importação de aço com isenção tarifária, reduzindo em 47% o volume que poderá entrar no bloco com tarifa zero. No tema inflação, Joachim Nagel, presidente do Banco Central da Alemanha, alertou que os preços na região devem seguir acima da meta, mesmo com a trégua no Oriente Médio, diante do choque persistente nos custos de energia.
Cenário nacional
No Brasil, o Ministério do Trabalho divulga às 14h o Caged de maio. A mediana das projeções do Broadcast aponta para criação de 120 mil vagas formais, após a abertura de 85.888 postos em abril. As estimativas variam de 38.191 a 175 mil vagas, enquanto, para o ano, a expectativa intermediária é de geração de 1,095 milhão de empregos com carteira assinada.
O setor de serviços deve voltar a liderar a abertura de postos, enquanto o comércio tende a recuperar parte do desempenho mais fraco observado em abril. Para economistas, o mercado de trabalho segue resiliente, mas deve perder ritmo gradualmente nos próximos meses, acompanhando a expectativa de desaceleração da atividade econômica.
O comportamento do emprego permanece no radar do Banco Central. Ao lado dos estímulos fiscais e parafiscais, a força do mercado de trabalho sustenta a demanda doméstica e dificulta uma desaceleração mais firme da inflação de serviços.
No noticiário corporativo e financeiro, o governo do Distrito Federal informou que ainda negocia o empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para viabilizar o aporte no BRB e cobrir o rombo decorrente da operação com o Banco Master. A expectativa agora é concluir a operação ao longo desta semana, e não mais até esta terça-feira, como previsto inicialmente.
Destaques do mercado corporativo
- Alphabet: subiu 4,79% após substituir a Verizon no índice Dow Jones, impulsionando o setor de tecnologia.
- Tesla: disparou 8,5% depois que Elon Musk anunciou nova geração do hardware de direção autônoma e maior integração com a SpaceX.
- Movida: assumirá contratos de locação da Copel por R$ 100 milhões, incluindo a aquisição de 724 veículos da CS Brasil.
- Energisa: recebeu aporte de R$ 1,399 bilhão do Itaú na Denerge, elevando a participação do banco para 9,98% da holding.
- Grupo Mateus: recebeu auto de infração de R$ 1,28 bilhão da Receita Federal referente a créditos presumidos de ICMS, classificando a perda como possível.
- Volkswagen: negou planos de demissões no Brasil e reafirmou investimentos de R$ 16 bilhões no país até 2028.











