Os mercados globais entram na reta decisiva da semana em compasso de espera pelo payroll de junho, indicador que deve ditar o humor dos ativos globais nesta quinta-feira (2) e recalibrar as apostas para os próximos passos do Federal Reserve (Fed). A expectativa por um mercado de trabalho ainda resiliente impulsiona uma reprecificação mais hawkish dos Treasuries, enquanto investidores reduzem posições em ações ligadas à inteligência artificial após a forte valorização do setor no último trimestre.
Sem novas sinalizações do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sobre os próximos passos da política monetária, o relatório de emprego ganha peso ainda maior para os mercados. A mediana das 25 estimativas reunidas pelo Projeções Broadcast aponta para a criação de 110 mil vagas em junho, abaixo das 172 mil registradas em maio, mas ainda compatível com um mercado de trabalho sólido. A taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%, enquanto o salário médio por hora é esperado em alta de 0,3% no mês e de 3,5% na comparação anual.
A expectativa pelo payroll ocorre após uma série de indicadores reforçar a resiliência da economia americana. O relatório JOLTS mostrou abertura de vagas acima do esperado em maio, o ADP indicou a criação de 98 mil empregos no setor privado em junho, ligeiramente acima das projeções, e os pedidos semanais de auxílio-desemprego seguem próximos de mínimas históricas. Além disso, embora os índices PMI industriais tenham perdido força em junho, permaneceram em território de expansão, sinalizando que a desaceleração da atividade ocorre de forma gradual.
Esse conjunto de dados mantém o mercado dividido sobre os próximos movimentos do Fed. Um mercado de trabalho ainda aquecido, combinado com crescimento consistente dos salários, tende a sustentar a avaliação de que as pressões inflacionárias permanecem incompatíveis com um afrouxamento mais rápido da política monetária. Em contrapartida, uma desaceleração mais intensa na geração de empregos poderá aliviar as apostas em uma postura mais restritiva da autoridade monetária.
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Na véspera do feriado da Independência dos Estados Unidos, os Treasuries encerrarão as negociações às 15h, o que deve limitar a liquidez na reta final do pregão e potencializar movimentos de volatilidade nesta quinta-feira.
No Brasil, enquanto o mercado internacional permanece concentrado no relatório de emprego americano, os ativos domésticos voltam a incorporar fatores políticos ao cenário. A cautela ganhou força após a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, por 48,8% a 42,3%, interrompendo o movimento de queda dos juros futuros e reforçando, entre investidores, a percepção de continuidade de uma política fiscal menos austera a partir de 2027.
Ao longo do dia, o ambiente de aversão ao risco foi ampliado pelo anúncio de sanções do Tesouro dos Estados Unidos contra cidadãos e empresas brasileiras por supostos vínculos com o PCC. Na sequência, rumores políticos que circularam no mercado reforçaram o movimento defensivo dos investidores, contribuindo para elevar a volatilidade dos ativos domésticos.
Manchetes desta manhã
- Mercado redescobre risco Brasil e eleva cautela com ativos locais (Valor)
- Brasil cai sete posições e fica entre os 10 piores em ranking global de competitividade (Folha)
- Correios obtêm R$ 387 milhões com liquidação de terrenos e prédios históricos (Estadão)
- Governo tenta segurar movimento para permitir reajuste automático de limite do MEI (O Globo)
- Arbex, nova empresa da Suzano, nasce com receita de R$ 18 bilhões (Valor)
Mercado global em compasso de espera pelo payroll
As bolsas da Europa operam em alta com o avanço das ações de serviços essenciais compensando as perdas do setor de tecnologia, enquanto o mercado aguarda o payroll dos EUA.
Entre os destaques do início do pregão, a Bayer saltava quase 5% em Frankfurt após anunciar a transferência de suas operações de glifosato nos Estados Unidos para uma nova empresa, a Ruveon, em meio aos esforços para reorganizar esse segmento de negócios.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, pressionados pela liquidação das ações de semicondutores em Nova York. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 7,89%, com forte queda das gigantes Samsung Electronics (-9,06%) e SK Hynix (-14,57%).
Em Tóquio, o Nikkei recuou 2,47%, afetado pela baixa de 7,44% da Tokyo Electron, uma das principais fornecedoras globais de equipamentos para chips.
Em Nova York, os índices futuros operam mistos nesta quinta-feira (2), véspera do feriado da Independência dos EUA, com investidores em compasso de espera pelo payroll de junho. O relatório deve calibrar as apostas sobre os juros americanos, após falas de Kevin Warsh reduzirem a percepção de uma nova alta das taxas ainda neste ano.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,03%
- FTSE 100: +0,48%
- CAC 40: +0,87%
- Nikkei 225: -2,47%
- Shanghai SE Comp: -2,03%
- Hang Seng: +0,76%
- Ouro (jun): -0,05%, a US$ por4.080,42 onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,25%, aos 101,17 pontos
- Bitcoin: +4,76% a US$ 61.307,9
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo ampliam as perdas nesta quinta-feira, na terceira sessão consecutiva de queda, pressionados pela perspectiva de aumento da oferta global e pelo alívio das tensões no Oriente Médio.
O mercado acompanha o avanço das negociações indiretas entre EUA e Irã, realizadas em Doha, no Catar, o que reduz os temores de interrupções no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz.
O Brent/setembro cai 1,62%, cotado a US$ 70,41, enquanto o WTI/agosto cede 1,84%, a US$ 67,32. - Minério de ferro: fechou em alta de 0,48% em Dalian, na China, cotado a US$ 108,97 a tonelada.
Segundo a Galaxy Futures, o minério de ferro deve continuar volátil nas próximas semanas, diante da combinação de oferta global elevada, estoques portuários ainda altos e enfraquecimento da demanda por aço na China.
Cenário internacional de olho no payroll e negociações entre RUA e Irã
Nos EUA, além do payroll, principal evento do dia, a agenda econômica desta quinta-feira concentra outros indicadores capazes de movimentar os mercados. Às 9h30 serão divulgados, simultaneamente, o relatório oficial de emprego dos Estados Unidos e os pedidos semanais de auxílio-desemprego. Na sequência, às 11h, saem as encomendas à indústria americana.
Enquanto o mercado aguarda os dados do mercado de trabalho americano, o petróleo amplia o movimento de queda e deixa de ser um fator de pressão para a inflação global. A commodity voltou a recuar na quarta-feira (1), estendendo as perdas da sessão anterior, à medida que investidores reduziram o prêmio de risco geopolítico.
Apesar das mensagens contraditórias sobre o estágio das negociações entre Estados Unidos e Irã, prevalece a avaliação de que uma solução diplomática para o impasse nuclear pode preservar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O movimento ganhou força após mediadores do Catar e do Paquistão concluírem reuniões separadas com representantes americanos e iranianos em Doha, com avanços em pontos do memorando de entendimento, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Na Europa, o noticiário corporativo foi dominado por uma nova derrota judicial do Google. A Justiça da União Europeia manteve a multa de aproximadamente 4,1 bilhões de euros (US$ 4,67 bilhões) aplicada à empresa em 2018 por práticas anticompetitivas relacionadas ao sistema Android, rejeitando o recurso da companhia.
No campo macroeconômico, a taxa de desemprego da zona do euro permaneceu em 6,2% em maio, igualando a mínima histórica da série após revisão para baixo do dado de abril. O resultado reforça a resiliência do mercado de trabalho europeu, mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda reúne indicadores e compromissos de autoridades econômicas. Às 11h30, a Fenabrave divulga as vendas de veículos de junho. Antes disso, às 10h30, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa de evento sobre a reforma tributária promovido pelo Valor Econômico.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também terá uma agenda intensa de reuniões com representantes do setor privado ao longo do dia.
No mercado interno, a queda do petróleo começa a produzir reflexos sobre os preços dos combustíveis. Após reduzir os valores do diesel e do querosene de aviação, a Petrobras informou que avalia um corte no preço da gasolina, enquanto o governo prepara a retirada gradual dos subsídios adotados durante o período de maior tensão no Oriente Médio.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a revisão da subvenção da gasolina deverá ser anunciada na próxima semana.
Os primeiros sinais desse movimento já aparecem nas bombas. Levantamentos divulgados nesta quarta-feira mostraram nova queda dos preços dos combustíveis em junho, liderada pelo etanol, favorecido pelo avanço da safra de cana-de-açúcar. Gasolina e diesel permaneceram praticamente estáveis ou registraram leves recuos. Se esse movimento se consolidar, os combustíveis poderão contribuir para um cenário mais favorável para a inflação nos próximos meses.
No setor financeiro, o Banco Central publicou uma norma que equipara as exigências de capital, governança e supervisão aplicáveis às plataformas de criptoativos e às sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (SPSAV) às regras já adotadas para corretoras e distribuidoras de valores mobiliários. A regulamentação entra em vigor em janeiro de 2027, mas a medida foi recebida com críticas por representantes do setor de ativos digitais.
Destaques do mercado corporativo
- Itaúsa: recebeu R$ 900 milhões em dividendos e JCP extraordinários da Itautec, valor que terá impacto positivo no resultado do 2º trimestre.
- Warren: a argentina Cocos Capital adquiriu ativos da companhia, incluindo a infraestrutura da Warren Rena, asset management e mercado de capitais, em operação sujeita à aprovação regulatória.
- Petrobras: consórcio formado por Nova Engevix e PowerChina venceu três dos 11 lotes da licitação para retomar as obras da UFN-III, em contratos que somam R$ 1,8 bilhão.
- Raízen: acionistas aprovaram a cisão parcial da Raízen Caarapó, incorporando patrimônio líquido de R$ 940 milhões à companhia.
- Simpar: concluiu a venda de 45% da Ciclus Amazônia por R$ 124,5 milhões.
- Oi: o acionista Leonardo Bastos elevou sua participação para 5,24% do capital e pretende indicar representante para o Conselho.











