Os mercados operam com viés positivo nesta quarta-feira (15), , embalados pelo alívio da inflação nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) veio abaixo das expectativas, reduzindo as apostas de um novo aumento dos juros pelo Federal Reserve (Fed) e fortalecendo o apetite por ativos de risco. Segundo o CME FedWatch, a probabilidade de alta da taxa em setembro caiu de 73% para 59,7%, movimento que derrubou os rendimentos dos Treasuries, enfraqueceu o dólar e impulsionou Wall Street.
O cenário, porém, está longe de indicar o fim do ciclo de aperto monetário. Para a Capital Economics, o dado de inflação não altera a avaliação de que as pressões inflacionárias devem persistir, sustentadas pelos investimentos em inteligência artificial e pela recuperação da demanda. Na visão da consultoria, a questão deixou de ser se o Fed voltará a elevar os juros e passou a ser quando isso acontecerá.
O alívio com a inflação, no entanto, é limitado pela nova escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã. O petróleo avança pelo terceiro pregão consecutivo após forças americanas realizarem uma nova ofensiva contra dezenas de alvos militares iranianos e restabelecerem o bloqueio naval aos portos do país no Estreito de Ormuz. No início dos negócios, o Brent era negociado próximo de US$ 85 por barril.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a operação militar durou sete horas e atingiu posições estratégicas ao longo do litoral iraniano. Paralelamente, o presidente Donald Trump elevou o tom ao afirmar que poderá atacar usinas de energia e pontes do Irã na próxima semana caso Teerã não retome as negociações. O presidente americano também revelou que negociadores dos dois países mantêm contato e advertiu que os ataques serão ampliados caso não haja um acordo.
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A resposta iraniana veio por meio da Guarda Revolucionária, que ameaçou fechar “todos os outros corredores de exportação” que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados, após a retomada do bloqueio naval aos portos iranianos. Em comunicado divulgado pela agência estatal Irna, a força militar afirmou que “as exportações regionais de energia são compartilhadas por todos ou negadas a todos”, elevando o temor de novas interrupções no comércio global de petróleo.
O mercado também acompanha o risco de abertura de uma nova frente no conflito. Analistas afirmam que o Irã vem sinalizando a possibilidade de utilizar seus aliados houthis, que controlam parte do Iêmen, para bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb, corredor marítimo que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e por onde passa parte relevante das exportações de petróleo da Arábia Saudita e do transporte marítimo mundial.
Uma autoridade de alto escalão houthi afirmou na segunda-feira que o grupo está preparado para fechar o estreito caso a Arábia Saudita mantenha os ataques ao Iêmen. Segundo reportagem da Press TV, o representante declarou que essa medida poderia elevar o preço do petróleo para US$ 200 por barril, ampliando significativamente os riscos para o abastecimento global de energia.
No Brasil, o mercado inicia o dia à espera da decisão final dos Estados Unidos sobre a investigação comercial contra o Brasil. A expectativa, tanto do setor privado quanto do governo, é de que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) anuncie ainda hoje a recomendação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de redução para 20% em alguns setores.
A tendência é de manutenção da lista de exceções apresentada no relatório preliminar do USTR, preservando produtos agropecuários, aeronaves e insumos industriais. Há ainda a possibilidade de ampliação dessa relação para incluir itens cuja sobretaxa possa pressionar a inflação americana.
Segundo fontes ouvidas pelo mercado, não houve novas reuniões bilaterais entre o USTR e o governo brasileiro ao longo desta semana. Autoridades americanas também recusaram pedidos de encontro feitos por representantes do setor privado nacional nos últimos dias, reduzindo as expectativas de mudanças relevantes antes da decisão final.
A investigação foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Washington acusa o Brasil de adotar medidas consideradas irregulares em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal.
Manchetes desta manhã
- Nova ajuda bilionária a Correios deve sair de bancos estrangeiros (Valor)
- Receita deposita até R$ 1.000 em cashback do Imposto de Renda nesta quarta (Folha)
- Brasil pode ter este ano segundo maior superávit na balança comercial, mesmo com tarifaço (Estadão)
- Governo Lula avalia que tarifaço só será negociado após as eleições (O Globo)
Mercado global avança com dados de inflação dos EUA, mas petróleo limita ganhos
Os mercados da Ásia fecharam majoritariamente em alta, impactados pelos números de inflação nos EUA divulgados ontem, abaixo do esperado. O Kospi, da Coreia do Sul, liderou os ganhos na Ásia, com alta de 6,2%, impulsionado pelo forte avanço das fabricantes de chips SK Hynix (+8,8%) e Samsung Electronics (+6,3%).
Na China, porém, o mercado recuou, pressionado pela realização de lucros em ações de semicondutores e pelo PIB do segundo trimestre, que cresceu 4,3%, abaixo das expectativas e dos 5,0% registrados no trimestre anterior.
As bolsas da Europa, porém, recuam pressionadas pela escalada das tensões no Oriente Médio e por sinais de fraqueza na economia da zona do euro. A produção industrial do bloco caiu 0,2% em maio, na comparação mensal, contrariando a expectativa de alta de 0,2%, segundo a Eurostat.
Em Nova York, os índices futuros abriam operam em leve alta, ainda embalados pela inflação (CPI) abaixo do esperado nos EUA. No radar dos investidores, uma nova rodada de balanços de grandes empresas, com destaque para United Airlines, Morgan Stanley, Johnson & Johnson e BlackRock.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,11%
- FTSE 100: -0,29%
- CAC 40: -0,31%
- Nikkei 225: +1,49%
- Shanghai SE Comp: -0,29%
- Hang Seng: +1,40%
- Ouro (jun): -0,27%, a US$ por 4.058,57 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,02%, aos 100,91 pontos
- Bitcoin: +1,33% a US$ 64.769,4
Commodities – petróleo avança pelo 3º pregão consecutivo
- Petróleo: avança pelo terceiro pregão consecutivo, após uma nova rodada de ataques dos Estados Unidos contra o Irã. O mercado também reage às ameaças de Donald Trump de atingir usinas de energia e pontes iranianas caso Teerã não retome as negociações.
Em resposta, a Guarda Revolucionária ameaçou fechar outros corredores de exportação usados pelos EUA e seus aliados no Oriente Médio, após Washington restabelecer o bloqueio naval aos portos iranianos.
O Brent/setembro sobe 0,83%, cotado a US$ 85,43, enquanto o WTI/agosto avança 0,84%, a US$ 80,01. - Minério de ferro: fechou em alta de 1,13% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a US$ 112,47 a tonelada, impulsionado por indicadores econômicos acima do esperado.
Segundo a ANZ Research, as exportações chinesas cresceram 27% em junho na comparação anual, superando as expectativas do mercado e reforçando a perspectiva de maior demanda pela commodity.
Cenário internacional
A agenda desta quarta-feira concentra eventos capazes de redefinir as expectativas para juros, atividade econômica e fluxo de capitais.
Nos EUA, o principal destaque é a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) de junho. A expectativa é de estabilidade na comparação mensal e alta de 6,2% em 12 meses. O indicador ganha peso após o CPI surpreender positivamente na véspera, reduzindo as apostas em uma nova alta dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
Ainda nos EUA, o presidente do Fed, Kevin Warsh, presta depoimento ao Comitê Bancário do Senado, às 11h, enquanto o Livro Bege, relatório que reúne a percepção do Banco Central sobre a atividade econômica nas diferentes regiões do país, será divulgado às 15h.
O mercado também acompanha discursos de dirigentes da autoridade monetária, com falas de John Williams (9h45), Lisa Cook (14h) e Alberto Musalem (19h), além dos estoques semanais de petróleo do Departamento de Energia (DoE), às 11h30.
A temporada de balanços do segundo trimestre segue no radar. Antes da abertura de Wall Street, divulgam seus resultados Morgan Stanley, Johnson & Johnson e BlackRock, ampliando o fluxo de indicadores corporativos capazes de influenciar o humor dos mercados.
Na China, os investidores repercutem um conjunto misto de indicadores econômicos. O PIB cresceu 4,3% no segundo trimestre, na comparação anual, abaixo da expectativa de 4,6% e desacelerando em relação aos 5% registrados no primeiro trimestre. Em contrapartida, os dados de atividade vieram mais fortes: a produção industrial avançou 5,3% em junho, acima dos 4,7% esperados, enquanto as vendas no varejo cresceram 1%, contrariando a projeção de queda de 0,2% e revertendo o recuo de 0,6% observado em maio.
Cenário nacional
No Brasil, o destaque é o desempenho do setor de serviços. O volume de serviços recuou 0,4% em maio na comparação com abril, após alta de 1,1% no mês anterior. Apesar da desaceleração, o setor permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia e apenas 0,5% abaixo do maior patamar da série histórica. Às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal, indicador acompanhado de perto para medir a entrada e saída de recursos do país.
No campo político, o Senado aprovou, em dois turnos, a PEC que cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, ampliando despesas obrigatórias sem indicar uma fonte de financiamento. Segundo estimativas do Ministério da Previdência, a medida terá impacto de R$ 27,9 bilhões em dez anos, podendo superar R$ 54 bilhões em 80 anos.
O texto também efetiva agentes contratados por processo seletivo público e segue para promulgação. O governo já sinalizou que poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Também foi aprovada a medida provisória que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete e amplia o controle sobre o transporte rodoviário de cargas, em uma tentativa de encerrar a mobilização dos caminhoneiros iniciada nesta semana.
Após a votação, o presidente da Abrava, Wallace Landim, o Chorão, orientou a categoria a suspender os protestos e concentrar as negociações na regulamentação das novas regras junto à ANTT, elevando a expectativa de normalização gradual das operações.
Apesar do acordo, os impactos da paralisação já atingiram o Porto de Santos, onde seis navios tiveram operações interrompidas e outro registrou atrasos, enquanto a redução no fluxo de caminhões levou ao reforço das medidas de segurança no terminal.
O Senado retirou do texto o dispositivo que previa um piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros, e integrantes do governo afirmam que o presidente Lula deverá vetar o trecho aprovado pela Câmara que concede anistia às multas aplicadas durante os bloqueios de rodovias em 2022.
Destaques do mercado corporativo
- Vale: elegeu Wilfred Theodoor Bruijn como presidente interino do conselho até a assembleia de 22 de julho.
- Petrobras: GQG Partners passou a deter participação equivalente a 4,99% das ações ordinárias via ADRs.
- Cemig: UBS reduziu sua posição em derivativos referenciados em ações preferenciais de 10,17% para 0,03%.
- Ânima: comprará a FMU por R$ 410 milhões, com parte do pagamento condicionada ao desempenho da instituição.
- Oi: adiará a divulgação das demonstrações financeiras até a conclusão da auditoria da PwC.
- Ambipar: pediu suspensão da recuperação judicial nos EUA para avançar com o processo de reconhecimento do plano brasileiro via Chapter 15.
- Neogrid: recebeu aprovação da CVM para cancelar o registro de companhia aberta e convocará AGE para resgate das ações remanescentes.











