As exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia (UE) mantiveram ritmo de crescimento no primeiro semestre, ao somar 189,6 mil toneladas, alta de 51,3% na comparação anual, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (28).
Com o resultado, a União Europeia reforça sua relevância como um dos principais destinos da proteína brasileira. No ano passado, os embarques destinados à região totalizaram 233,13 mil toneladas, ocupando a quinta posição entre os mercados compradores da carne de frango brasileira, respondendo por cerca de 7% dos embarques nacionais.
O desempenho acompanha a expansão das exportações brasileiras de carne de frango como um todo. No primeiro semestre de 2026, o país embarcou 2,93 milhões de toneladas da proteína para o mercado internacional, alta de 12,9% na comparação com as 2,6 milhões de toneladas exportadas entre janeiro e junho de 2025.
Em valor, o avanço foi ainda mais expressivo. As exportações renderam US$ 5,7 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, crescimento de 17% sobre os US$ 4,87 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. O aumento da receita reflete tanto o maior volume embarcado quanto um cenário de demanda internacional mais elevada e preços favoráveis.
União Europeia mantém posição entre os principais compradores
A evolução dos embarques para a União Europeia confirma a retomada das vendas ao bloco após um período de oscilações observado ao longo da última década. A série histórica mostra que as exportações brasileiras para o mercado europeu somaram 310,3 mil toneladas em 2016. Nos anos seguintes, os volumes recuaram para 250,46 mil toneladas em 2017, 200,5 mil toneladas em 2018, 174,3 mil toneladas em 2019 e 170,7 mil toneladas em 2020.
A partir de 2021, as vendas voltaram a crescer, alcançando 193,3 mil toneladas. Em 2022, os embarques chegaram a 237,3 mil toneladas, recuaram para 216,9 mil toneladas em 2023 e voltaram a avançar para 231,9 mil toneladas em 2024, encerrando 2025 em 233,1 mil toneladas.
Os dados também mostram que, no acumulado de janeiro a abril de 2026, as exportações destinadas à União Europeia atingiram 583.87 toneladas, crescimento de 2% frente às 572.65 toneladas registradas no mesmo período de 2025.
Apesar do avanço no acumulado do ano, a evolução mensal perdeu intensidade ao longo do primeiro quadrimestre. Até abril, os embarques totalizavam 155.82 toneladas, um recuo de 2,5% em relação às 151.91 toneladas observadas na comparação mensal anterior.
Acordo entre Mercosul e União Europeia prevê cotas para proteínas
O acordo comercial firmado entre Mercosul e União Europeia estabelece cotas específicas de importação para produtos do setor de proteínas animais.
Para a carne de frango, foi definida uma cota de 180 mil toneladas em peso equivalente à carcaça, distribuída igualmente entre produtos com osso e sem osso. As importações realizadas dentro desse limite terão tarifa de importação zerada.
Entre outros segmentos, o acordo também contempla uma cota de 25 mil toneladas para carne suína destinada a produtos in natura e congelados, com tarifa intracota de 83 euros por tonelada.
No segmento de ovos, a União Europeia concederá uma cota de 3 mil toneladas para ovos processados e outra de 3 mil toneladas para albuminas. Em ambos os casos, as importações dentro das cotas terão tarifa zero.
Produção e exportações de frango devem seguir em expansão até 2027
As projeções para o setor indicam continuidade do crescimento da produção e das exportações brasileiras de carne de frango nos próximos anos.
A produção nacional, estimada em 15,28 milhões de toneladas em 2025, deverá atingir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026. Para 2027, a expectativa é de que o volume alcance 16,6 milhões de toneladas, o que representa crescimento de até 5,6% em 2026 e de até 2,8% no ano seguinte.
As exportações também devem renovar seus patamares. A previsão é que os embarques passem de 5,32 milhões de toneladas em 2025 para até 5,87 milhões de toneladas em 2026 e atinjam 6,05 milhões de toneladas em 2027. As estimativas representam expansão de até 10,3% no próximo ano e de até 3% em 2027.
O avanço das vendas para a União Europeia ocorre em um cenário de fortalecimento das exportações brasileiras de carne de frango, tanto em volume quanto em receita, impulsionado pelo aumento da demanda internacional e pela ampliação das vendas para diferentes mercados.











