O e-commerce brasileiro encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 295,6 bilhões, valor que representa um crescimento de 20% em relação a 2024. O avanço representa um acréscimo de R$ 48 bilhões em apenas um ano e reforça a consolidação das vendas online como um dos principais motores do varejo nacional, segundo dados da Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026, elaborada pela FecomercioSP.
Essa expansão do setor foi impulsionada por uma combinação de fatores, como os investimentos em hubs de distribuição e infraestrutura logística, a entrada de pequenos negócios que operam exclusivamente no ambiente digital, a redução dos prazos de entrega, fretes mais competitivos e a consolidação da preferência dos consumidores brasileiros pelas compras pela internet.
O ganho de relevância do setor também pode ser observado na participação das vendas online dentro do varejo brasileiro. Na avaliação da FecomercioSP, a migração do consumo para os canais digitais deixou de ser um movimento circunstancial, associado ao período da pandemia de Covid-19, para se tornar uma transformação estrutural do varejo brasileiro.

Sucesso do e-commerce é mais que um efeito da pandemia
Embora a crise sanitária tenha acelerado a digitalização do setor — com o faturamento do e-commerce registrando alta de 81% entre 2019 e 2020 —, o crescimento não perdeu força nos anos seguintes. De acordo com a entidade, as vendas online continuaram avançando cerca de 10% ao ano desde então, evidenciando que o comportamento do consumidor permaneceu favorável ao comércio eletrônico mesmo após a normalização das atividades presenciais.
A participação do comércio eletrônico no varejo brasileiro mais do que triplicou na última década, passando de 1,8% das vendas em 2016 para 6,5% em 2025. Ao longo desse período, o indicador avançou de forma praticamente contínua, saindo de 1,8% em 2017 para 2% em 2018, 2,3% em 2019, 4,2% em 2020, 4,8% em 2021, 4,9% em 2022, 5,1% em 2023 e 5,4% em 2024, até atingir o maior patamar da série histórica em 2025.
Em 2016, o comércio eletrônico movimentava R$ 55,9 bilhões. Nove anos depois, o faturamento atingiu R$ 295,6 bilhões, uma expansão acumulada de 429%.
Para a FecomercioSP, o fortalecimento do e-commerce não representa a substituição das lojas físicas, mas a integração entre diferentes canais de venda.
“Atuar nessa sinergia é vital. Canais online, mais que substituíram as lojas físicas, eles ampliam o alcance do varejo para além delas, integrando os ambientes de vendas. As estratégias variam, já que os públicos, da mesma forma, são diferentes — o que abre um leque de possibilidades e comunicações. E, claro, há mais espaço para inovar. É o caminho mais promissor possível”, afirma a entidade na Radiografia do Comércio Eletrônico de 2026.
São Paulo lidera vendas online no país
A Radiografia do Comércio Eletrônico mostra que São Paulo segue concentrando a maior parte das operações do setor. Empresas instaladas no estado responderam por 55,8% de todas as vendas online realizadas no Brasil em 2025, o equivalente a R$ 165 bilhões.
Na sequência aparecem:
- Minas Gerais: R$ 37,99 bilhões (12,9%)
- Santa Catarina: R$ 18,4 bilhões (6,2%)
- Espírito Santo: R$ 15,75 bilhões (5,3%)
- Paraná: R$ 14,07 bilhões (4,8%)
- Rio de Janeiro: R$ 13,77 bilhões (4,7%)
- Rio Grande do Sul: R$ 7,25 bilhões (2,5%)
- Pernambuco: R$ 5,26 bilhões (1,8%)
- Goiás: R$ 3,53 bilhões (1,2%)
- Paraíba: R$ 3,02 bilhões (1%)
- Bahia: R$ 2,3 bilhões (0,8%)
De acordo com a FecomercioSP, essa concentração decorre da forte presença de infraestrutura no estado, incluindo centros de distribuição, operações logísticas, malha rodoviária e a maior disponibilidade de plataformas digitais e empresas especializadas.
O mesmo fenômeno, ainda que em menor escala, também é observado em Minas Gerais, responsável por 12,9% do faturamento nacional.
Consumo se espalha por diferentes regiões
Se a oferta de produtos permanece concentrada em alguns estados, o consumo mostra uma distribuição mais ampla pelo território nacional. No âmbito do consumo, São Paulo também responde por um terço de todas as compras (31,4%), somando R$ 92,93 bilhões.
Na sequência aparecem:
- Minas Gerais: R$ 37,91 bilhões (12,8%)
- Rio de Janeiro: R$ 27,35 bilhões (9,3%)
- Paraná: R$ 17,58 bilhões (5,9%)
- Bahia: R$ 15,52 bilhões (5,3%)
- Santa Catarina: R$ 14,19 bilhões (4,8%)
- Pernambuco: R$ 8,72 bilhões (3%)
- Goiás: R$ 8,56 bilhões (2,9%)
- Ceará: R$ 6,84 bilhões (2,3%)
- Espírito Santo: R$ 5,95 bilhões (2%)
A FecomercioSP observa que São Paulo também se beneficia por estar inserido no principal mercado consumidor do Brasil. Mas, ao contrário da concentração de vendas, as trocas têm se tornado cada vez mais nacionais, com partes relevantes do share divididas entre Minas (12,8%) e Rio (9,3%), além de Paraná (5,9%) e Bahia (5,3%).











