Durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, nesta terça-feira (25), o ministro do Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Egito, Ahmed Rostom, declarou que o Egito está pronto para atuar como uma ponte entre o Brasil e os mercados africanos e árabes para expandir os investimentos.
Os números ajudam a dimensionar o mercado potencial citado pelo ministro e o espaço para uma ampliação das relações comerciais — o mercado árabe é o terceiro principal destino das exportações brasileiras, que somam US$ 23,6 bilhões. A relação comercial com os 22 países árabes alcança uma corrente comercial de US$ 33,8 bilhões. Juntos, esses mercados representam um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 3,5 trilhões, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Segundo Rostom, o Brasil e países árabes já usufruem de uma relação baseada em confiança mútua, mas precisam atualizar a agenda econômica bilateral diante das mudanças nas cadeias globais de suprimentos, nas necessidades de segurança alimentar e nas condições de produção, conforme surgem alterações profundas nas cadeias de suprimentos, nas quais há oportunidades estratégicas de novas parcerias.
O ministro destacou ainda o interesse em competências brasileiras na área de agricultura, indústria e energia limpa, que estão alinhadas às estratégias de desenvolvimento dos governos árabes. A avaliação é que o novo cenário internacional cria espaço para parcerias capazes de aproximar as duas regiões.
Rostom também chamou atenção para os efeitos das transformações climáticas e tecnológicas sobre a economia mundial. “A economia global de hoje está navegando também por transformações climáticas e tecnológicas, que exigem que nós passemos das estruturas que nós tínhamos para outras mais resilientes.”
Egito lista 4 pilares para a nova agenda entre Brasil e países árabes
Para o ministro, a construção dessa nova etapa de integração deve se apoiar em quatro frentes: interoperabilidade, flexibilidade dos investimentos, transição energética e questões econômicas estratégicas.
A interoperabilidade, nesse contexto, envolve a capacidade de diferentes sistemas, estruturas e mercados funcionarem de maneira integrada. Já a flexibilidade dos investimentos está relacionada à criação de condições para que o capital possa acompanhar as novas necessidades econômicas e produtivas.
Rostom afirmou que o Egito já vem adotando medidas para sustentar essa estratégia. Entre elas estão investimentos em infraestrutura, inclusive na Zona C, e a ampliação das conexões de transporte com parceiros globais.
De acordo com o ministro, essa estrutura pode favorecer uma distribuição mais eficiente de produtos no Oriente Médio e na África, transformando o país em um ponto de conexão para empresas interessadas nesses mercados.
Cadeias de suprimentos no centro da estratégia
O ministro voltou a destacar que as mudanças climáticas e tecnológicas estão alterando as estruturas tradicionais da economia global. Nesse cenário, a reorganização das cadeias de suprimentos — conjunto de etapas envolvidas na produção, transporte e distribuição de bens — ganha importância para empresas e governos.
Rostom avalia, no entanto, que “os governos podem estabelecer essa visão estratégica, mas é o setor privado que realmente faz a transformação”.
A proposta é que Brasil e países árabes aproveitem a nova configuração da economia internacional para formar cadeias de suprimentos mais integradas e capazes de enfrentar os desafios estratégicos.
“Podemos construir cadeias de suprimentos que vão se sobrepor aos desafios e, juntando as nossas regiões, para o futuro”, declarou.
Energia solar e agronegócio entram no radar dos países árabes
A energia também ocupa espaço central na estratégia egípcia. Rostom afirmou que o país está acelerando investimentos em energia solar para ampliar a disponibilidade de energia limpa e, ao mesmo tempo, criar condições para atrair investimentos industriais, inclusive de empresas brasileiras.
A aproximação, porém, deve ser bilateral. O Egito também demonstrou interesse em ampliar a utilização de tecnologias brasileiras no setor agrícola, criando uma frente potencial de cooperação entre indústria, tecnologia e agronegócio, indo além das iniciativas governamentais, por meio de parcerias privadas.
O ministro defendeu ainda a redução de barreiras e a simplificação de iniciativas econômicas para transformar os entendimentos discutidos entre os governos em operações efetivas.
“Vamos reduzir as barreiras, facilitar as iniciativas, que vão trazer prosperidade para todos. No Egito, estamos completamente comprometidos com essas iniciativas, transformando a visão que debatemos nesse Fórum em algo tangível”, concluiu.











