Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) ganharam mais espaço nas captações do mercado de capitais em julho, com R$ 11,7 bilhões em ofertas encerradas, mais de três vezes o volume registrado no mesmo mês de 2025, de R$ 3,4 bilhões.
O avanço ajudou a sustentar a movimentação de R$ 67,9 bilhões no mercado de capitais no mês, alta de 4% sobre os R$ 65,3 bilhões de julho do ano passado, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, atribui parte desse avanço à busca por diversificação.
“Os FIIs têm se destacado e ganhado tração ao longo do ano. Assim como as pessoas físicas, fundos de investimento têm enxergado a categoria como uma boa opção de diversificação. Principalmente pelas suas características, que mantêm sua atratividade tanto para os investidores quanto para os emissores, mesmo em um ambiente de juros elevados”, explica.
Resultado mensal é sustentado por debêntures, FIIs e follow-on de ações
No acumulado de janeiro a julho, o mercado de capitais já movimentou R$ 429,8 bilhões, crescimento de 8,8% em relação aos R$ 394,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Maranhão avalia que o mês de julho reforçou o bom nível de atividade do mercado de capitais ao longo de 2026.
“Mesmo em um cenário externo ainda desafiador e com incertezas no ambiente doméstico, a renda fixa corporativa manteve participação dominante, mas houve espaço para um crescimento expressivo no volume de ofertas de FIIs e follow-on de ações”, completa.
Os Fiagros (Fundos de Investimentos em Cadeias Agroindustriais) também avançaram. As ofertas encerradas totalizaram R$ 145,3 milhões em julho, ante R$ 54,2 milhões no mesmo mês de 2025.
Debêntures seguem liderando as captações
Apesar do crescimento dos FIIs, as debêntures permaneceram como principal instrumento de financiamento no mercado de capitais. As ofertas encerradas somaram R$ 33,1 bilhões em julho, equivalentes a 48,8% de todo o volume captado.
No entanto, o montante ficou abaixo dos R$ 46,4 bilhões registrados em julho de 2025.
Follow-ons também ganham força na Bolsa
Na renda variável, os follow-ons movimentaram R$ 9,6 bilhões em julho, contra R$ 400 milhões no mesmo mês de 2025, mesmo sem novas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs).
Para Maranhão, a ausência de IPOs não significa falta de atividade na renda variável. “O volume de follow-ons mostra que as companhias continuam encontrando janelas para captar recursos e que o mercado permanece receptivo a operações de companhias já listadas”, complementa.
FIDCs avançam, enquanto CRIs e CRAs recuam
Os instrumentos de securitização também mantiveram participação relevante nas captações. As ofertas de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) chegaram a R$ 6,7 bilhões em julho, alta de 16,7% ante o mesmo mês de 2025.
Já os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) movimentaram R$ 1,8 bilhão, enquanto os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) somaram R$ 776,8 milhões.
Na comparação anual, porém, os dois instrumentos registraram queda. As ofertas de CRIs recuaram 48,9%, enquanto as de CRAs diminuíram 66,7%.











