O setor de Serviços concentra a maior parte das empresas brasileiras, mas apresenta faturamento médio inferior ao registrado pela base geral, aponta estudo da Serasa Experian, que analisou 27,7 milhões de empresas com faturamento anual estimado de até R$ 4,8 milhões.
De acordo com o levantamento, 63,1% das empresas avaliadas pertencem ao setor de Serviços. O faturamento médio dessas companhias é de R$ 332,7 mil, aproximadamente 17% abaixo da média de R$ 402,1 mil registrada por toda a base.
Segundo Viviane Moura, diretora de serviços de crédito da Serasa Experian, “estimar o faturamento real das empresas brasileiras ainda é um dos grandes desafios para quem concede crédito, especialmente diante da diversidade de setores e estágios de maturidade que esse estudo evidencia”.
Para ela, entender como as particularidades de cada negócio — como o setor de atuação — impactam no seu faturamento ajuda credores a calibrar suas análises de forma mais precisa.
Maioria das empresas fatura até R$ 300 mil
A distribuição por faixa de receita mostra uma forte concentração de empresas nas menores faixas de faturamento. Ao todo, 63,4% das empresas analisadas faturam até R$ 300 mil por ano.
Na sequência, 12,1% delas registram receita entre R$ 300 mil e R$ 500 mil; 13,6%, entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão; e 10,9% estão na faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões.
Financeiro fatura quase três vezes mais que Serviços
O ranking muda quando a comparação é feita pelo faturamento médio de cada setor. O segmento Financeiro, embora represente apenas 1,5% das empresas analisadas, apresenta a maior média, de R$ 927,2 mil — quase três vezes o valor observado em Serviços.
O setor Primário aparece em seguida, com faturamento médio de R$ 582,7 mil, seguido pelo Comércio, com R$ 567,3 mil. A Indústria registra média de R$ 389,4 mil, enquanto o Terceiro Setor apresenta R$ 286,7 mil.
Faturamento cresce conforme idade da empresa
A idade das empresas também aparece associada a diferenças relevantes na receita. Entre os negócios com até seis meses de existência, o faturamento médio é de R$ 116,9 mil e aumenta progressivamente conforme avança o tempo de atuação e chega a R$ 858,5 mil entre empresas com mais de 20 anos.
Na comparação entre os dois extremos, os negócios com mais de duas décadas faturam, em média, mais de sete vezes o registrado pelas empresas mais jovens.
A distribuição das empresas por faixa de receita reforça essa relação. Entre aquelas que faturam até R$ 60 mil por ano, 37,7% têm até seis meses de existência.
Já entre os negócios com faturamento de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões, apenas 1,1% está nessa faixa de idade. Nesse grupo, 19,7% das empresas possuem mais de 20 anos de atuação.
Região Norte lidera faturamento médio
A distribuição regional mostra uma concentração de empresas no Sudeste. A região reúne 51,4% da base analisada, seguida pelo Sul, com 18,8%; Nordeste, com 16,1%; Centro-Oeste, com 8,9%; e Norte, com 4,8%.
A maior participação no número de empresas, porém, não significa o maior faturamento médio. O Norte lidera o indicador, com R$ 432 mil, praticamente empatado com o Centro-Oeste, que apresenta média de R$ 431,4 mil. Segundo o levantamento, o desempenho do Norte é influenciado pela maior concentração de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) na região em comparação com as demais áreas.
O Sul aparece na sequência, com faturamento médio de R$ 414 mil, seguido pelo Sudeste, com R$ 395,9 mil, e pelo Nordeste, com R$ 377,1 mil.
Apesar das diferenças entre as médias regionais, a participação de cada região permanece relativamente estável nas diferentes faixas de faturamento. O Sudeste, por exemplo, responde por aproximadamente metade das empresas em todos os grupos analisados.
O resultado indica que, na base estudada, características como setor de atuação e maturidade empresarial apresentam maior diferenciação sobre o perfil de faturamento do que a localização geográfica.
Empresas com maior faturamento têm score de crédito mais alto
O levantamento também identifica diferenças no score de crédito conforme aumenta o faturamento. Entre os negócios que faturam até R$ 60 mil por ano, 86,5% possuem score de até 500. Na faixa de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões, essa proporção cai para 51,8%.
Com isso, a participação de empresas com score acima de 500 passa de 13,5% entre aquelas de menor faturamento para 48,2% entre os negócios da maior faixa analisada.
A diferença é ainda maior nos scores superiores a 700. Apenas 2,3% das empresas que faturam até R$ 60 mil alcançam esse patamar, enquanto a proporção chega a 25,3% entre aquelas com receita de R$ 1 milhão a R$ 4,8 milhões. Isso significa que a presença de empresas com score acima de 700 é cerca de 11 vezes maior entre os negócios de maior faturamento analisados.











