Os mercados globais operam com desempenho misto nesta quarta-feira (9), enquanto o petróleo dispara diante da intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e Irã. A escalada militar, que também envolve aliados americanos na região, como Arábia Saudita e Jordânia, reacende o temor de uma nova pressão inflacionária global justamente em um momento de aumento das apostas por juros mais altos nos Estados Unidos.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (9), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
Nesse cenário, no início da manhã o Brent avançava mais de 2% e voltava a superar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. A alta ganhou força depois que forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos próximos à Ilha de Kharg, em resposta a uma tentativa de ataque contra um navio de guerra dos EUA. Na sequência, Teerã realizou novos ataques contra uma base americana na Jordânia, ampliando a tensão no Oriente Médio.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira que atacou dez navios e lançou mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. Segundo a guarda, duas embarcações americanas e oito petroleiros foram atingidos no Golfo. A ofensiva, de acordo com os iranianos, foi uma resposta aos ataques americanos contra cinco petroleiros do país realizados na terça-feira (8).
Apesar da declaração iraniana, o Comando Central dos Estados Unidos afirmou que nenhum navio de guerra da Marinha americana foi atingido e que todas as tentativas de ataque da Guarda Revolucionária Islâmica fracassaram. Em visita à Colômbia, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou a ameaça de retaliação ao afirmar que, enquanto o Irã continuar tentando atacar navios da Marinha dos EUA, Washington responderá com novos ataques.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre Teerã avançou no campo econômico. Os Estados Unidos anunciaram 36 novas sanções relacionadas ao Irã, desta vez com foco no setor de aviação. A iniciativa do Tesouro americano busca paralisar as operações da Mahan Air, companhia que já é alvo de sanções de Washington e da União Europeia, além de ampliar as penalidades para as demais companhias aéreas iranianas e restringir seus sobrevoos. As medidas também alcançam empresas de fachada, despachantes de carga e rotas de transbordo utilizadas pelo Irã para obter aeronaves e tecnologia de origem americana.
Com a escalada militar e as novas sanções, o avanço do petróleo passa a representar um risco adicional para a inflação mundial. A preocupação ganha peso porque ocorre simultaneamente ao aumento das apostas em uma elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed). De acordo com o CME Group, os investidores precificam atualmente 60% de probabilidade de uma alta de 25 pontos-base na taxa do Fed ainda neste mês.
Brasil: crise no STF adiciona tensão ao cenário político
No Brasil, o mercado também acompanha uma nova frente de tensão institucional, desta vez envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal. A crise ganhou força após o ministro André Mendonça determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
A decisão veio depois que Mendonça retirou o sigilo de mensagens de Daniel Vorcaro e acusou a Polícia Federal de promover “arapongagem institucional”. A medida, por sua vez, provocou uma reação dentro da própria corporação: 11 dos 15 diretores da PF colocaram seus cargos à disposição, diante do que consideraram interesses político-eleitorais na decisão do ministro. Ficaram fora do documento Andrei Rodrigues e Leandro Almada, que foram afastados, além da corregedora-geral Aletea Vega Marona Kunde e de William Marcel Murad, que assumiu o comando da instituição.
A disputa também chegou à cúpula do STF. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta terça-feira ao presidente da Corte, Edson Fachin, que suspenda a decisão de André Mendonça. Segundo o órgão, o afastamento interfere em uma atribuição do presidente da República e pode comprometer o funcionamento da Polícia Federal.
Na sequência, houve uma nova reviravolta. O ministro Flávio Dino acolheu recurso apresentado por Andrei Passos Rodrigues e determinou sua reintegração ao cargo de diretor-geral da PF. No pedido, Rodrigues sustentou que seu afastamento poderia prejudicar a investigação, uma vez que interferiria na organização da equipe responsável pelos trabalhos, retardaria o acesso ao material disponibilizado e comprometeria a atuação célere da instituição.
Com isso, Dino, na prática, cassou a ordem dada no dia anterior por André Mendonça, que havia afastado Rodrigues e Leandro Almada sob o argumento de que houve direcionamento político na produção de relatórios que questionavam a condução dos casos Master e INSS.
Em meio à disputa institucional, o cenário eleitoral continua sendo acompanhado de perto pelos investidores. A nova Pesquisa Meio/Ideia mostrou mudanças nas intenções de voto para a Presidência da República, reforçando a relevância do trade eleitoral para os mercados.
No primeiro turno, Lula recuou de 43% para 38,4% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 35% para 37,3%. Augusto Cury aparece com 6,6%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado registram 4% cada.
Já em uma eventual disputa de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois aparecem empatados com 46% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, Lula tinha 48,5%, enquanto o senador registrava 43%.
Manchetes desta manhã
- DeepSeek contrata Citic para preparar IPO em Xangai (Valor)
- STJ retoma julgamento para decidir valor dos atrasados pagos a aposentados na Justiça (Folha)
- Banco do Brasil põe mais dinheiro na Argentina e manda recado sobre estratégia (Estadão)
- Com petróleo de volta a US$ 100, Lula deve assinar hoje decreto que reduz tributos sobre a gasolina (O Globo)
Mercado global opera sob pressão do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam em queda, enquanto os mercados avaliam o risco de uma nova pressão inflacionária com o petróleo. O Brent chegou a superar US$ 100 por barril e segue próximo desse nível, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
As bolsas europeias também operam em forte queda, na véspera da decisão do BCE sobre os juros, pressionadas pela alta do petróleo e do gás natural. O avanço da energia reacende os temores de inflação e aumenta a pressão para que o banco central mantenha uma postura mais rígida por mais tempo.
Diante desse cenário, o mercado espera que o BCE eleve as taxas de juros amanhã, em uma decisão que ganha ainda mais importância diante da nova pressão sobre os preços.
Na Ásia, as praças fecharam mistas, em meio ao otimismo com a IA, que sustentou ações de semicondutores, e à pressão sobre os mercados com o petróleo próximo de US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação.
Entre os destaques, a Coreia do Sul cresceu 0,6% no 2º trimestre, acima da previsão de 0,2%, impulsionada pelas exportações de semicondutores. Já no Japão, o PIB avançou 1,4%, abaixo do esperado, mas a alta de 2,4% nos salários reais em julho fortaleceu as apostas de elevação dos juros pelo BoJ.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,40%
- FTSE 100: -0,99%
- CAC 40: -1,94%
- Nikkei 225: -0,19%
- Shanghai SE Comp: +0,28%
- Hang Seng: -0,24%
- Ouro (jun): -0,04%, a US$ por 4.437,15 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,20%, aos 98,66 pontos
- Bitcoin: +1,45% a US$ 79.559,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros mantêm a trajetória de alta, com o Brent rompendo a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 24 de julho. A disparada ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, após novos ataques dos EUA contra petroleiros iranianos e a resposta do Irã, que lançou mísseis contra a Jordânia.
O agravamento do conflito aumenta os temores sobre o fluxo de petróleo na região. No Estreito de Ormuz, apenas seis embarcações de commodities passaram ontem, ante uma média de cerca de 12 nos últimos dez dias.
O Brent/novembro sobe 2,62%, cotado a US$ 100,49, enquanto o WTI/outubro avança 2,13%, a US$ 95,01 - Minério de ferro: fechou em queda de 0,27% em Dalian, na China, cotado a US$ 110,08/ton
Cenário internacional: EUA elevam tensão comercial
No campo comercial, a Casa Branca anunciou que, a partir de 29 de setembro, vai proibir a importação de motocicletas, produtos lácteos e uma série de bebidas alcoólicas do Canadá. A medida substitui, em grande parte, tarifas de 50% que já estavam em vigor e ocorre em meio ao agravamento das relações comerciais entre os dois países.
Na Europa, os dados de atividade vieram abaixo das expectativas. A produção industrial da França recuou 0,4% em julho ante junho, contrariando a previsão de alta de 0,3% do mercado. O resultado veio após a revisão do dado de junho, que passou a indicar queda de 0,1%.
O desempenho mais fraco também foi observado na indústria de transformação, cuja produção caiu 0,8%. Houve retração na maioria dos setores, com destaque para a fabricação de equipamentos de transporte, que registrou queda de 2,8%.
Já na Ásia, a inflação ao consumidor da China ganhou força. O CPI acelerou de 0,5% para 0,8% em agosto, na comparação anual, em linha com o consenso. No mesmo período, o índice de preços ao produtor (PPI) passou de queda de 3,5% para 3,8%, também na comparação anual, superando a projeção do mercado.
A aceleração dos preços refletiu principalmente choques externos relacionados a energia e alimentos, enquanto a demanda doméstica chinesa continua fraca, sinalizando que a pressão sobre os preços não decorre de uma recuperação consistente do consumo interno.
Banco Central prepara “casadão” para aliviar pressão no câmbio
No mercado cambial brasileiro, o Banco Central anunciou, após o fechamento do mercado de ontem, a realização de um “casadão” na próxima quinta-feira, com oferta total de até US$ 1 bilhão.
A operação combinará a venda de dólares no mercado à vista com a compra da moeda no mercado futuro, por meio de swap reverso. O objetivo é aumentar a liquidez e aliviar a pressão sobre o cupom cambial, que corresponde à taxa de juros em dólar praticada no Brasil.
Como a operação envolve simultaneamente compra e venda de dólares, a expectativa é de que o mecanismo não produza impacto direto sobre a cotação do câmbio.
Na agenda do dia, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa da 2ª Reunião dos Ministros das Finanças e Presidentes dos Bancos Centrais do BRICS, em Mumbai, na Índia.
Destaques do mercado corporativo
- Embraer: Imposto Seletivo pode elevar em cerca de 6,5% o custo de aquisição de aeronaves no Brasil sem preservação dos benefícios atuais.
- Hypera: fará emissão de R$ 1,35 bilhão em debêntures, a DI + 0,72%, para recompra ou pré-pagamento de dívidas.
- Copasa: entrou pela primeira vez no IBrX 50, após ingressar no Ibovespa em janeiro.
- Banrisul: pagará R$ 90 milhões em JCP, ou R$ 0,22006263 por ação, em 28/9; papéis ficam ex em 14/9.
- Azzas 2154: confirmou contatos sobre ativos da Farm Rio, sem proposta vinculante ou decisão sobre operação.
- Grupo Mateus: encerrou recompra após adquirir 5 milhões de ON, destinadas à remuneração de longo prazo.
- Marabraz: pediu proteção judicial de 180 dias contra credores e liberação de recursos bloqueados durante análise da recuperação judicial.
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