Os mercados globais operam predominantemente em queda nesta segunda-feira (14), em meio à disparada do petróleo. O Brent supera US$ 108 por barril após o adiamento das negociações sobre o Estreito de Ormuz e novos ataques registrados no fim de semana.
O avanço da commodity se soma à pressão sobre o setor de tecnologia, diante de alertas de executivos de empresas de inteligência artificial sobre uma possível desaceleração, mais rápida que a esperada, na expansão da infraestrutura necessária para os modelos. Nesse ambiente, o pipeline de aberturas de capital de companhias de IA passa por uma reformulação, em meio às crescentes preocupações com segurança, depois de os CEOs da Anthropic e da OpenAI, além de Elon Musk, defenderem maior cautela no avanço da tecnologia.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (14), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
A tensão no Oriente Médio, por sua vez, continua no centro das atenções. As Forças Armadas do Irã informaram nesta segunda-feira ter destruído um drone americano no Estreito de Ormuz, após uma série de operações iranianas contra sistemas navais não tripulados dos Estados Unidos no Golfo. O episódio ocorre um dia depois de o presidente americano Donald Trump sugerir que os EUA poderiam permanecer no Irã e “ficar com o petróleo”, em uma referência semelhante ao esforço americano para assumir o controle de um quinto das reservas de petróleo da Venezuela.
Enquanto as tensões aumentam em Ormuz, a segurança de outras rotas estratégicas de energia também se deteriora. Na última sexta-feira (11), os houthis do Iêmen tomaram as últimas ilhas que ainda não estavam sob seu controle no Estreito de Bab el-Mandeb, passando a controlar integralmente o acesso ao Mar Vermelho. No sábado (12), a Arábia Saudita suspendeu temporariamente o funcionamento do oleoduto Leste-Oeste após um ataque com drones que teria partido do Iraque, onde atuam milícias apoiadas pelo Irã.
A importância dessa infraestrutura ajuda a dimensionar o impacto do episódio. Com 1,2 mil quilômetros de extensão, o oleoduto escoa entre 4 milhões e 5 milhões de barris de petróleo por dia, o equivalente a 4% a 5% do abastecimento global. Assim, o fechamento temporário da rota, combinado ao avanço dos houthis no Mar Vermelho, amplia o risco de interrupções no fluxo de energia e de novas pressões sobre os preços, que já dispararam na última semana.
A rota se tornou a principal alternativa para o escoamento da produção de petróleo do Oriente Médio destinada ao mercado global e permitiu à Arábia Saudita evitar os efeitos mais severos da interrupção que atingiu outros exportadores do Golfo Pérsico. Agora, sua capacidade de transporte está comprometida justamente quando os houthis, aliados do Irã, avançam pelo Mar Vermelho e podem ampliar a disrupção para outra rota relevante de energia.
Nesse cenário de maior pressão sobre os preços do petróleo, a semana também será marcada pelas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), do Bank of Japan (BoJ), do Bank of England (BoE) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Com o petróleo acima de US$ 100 por barril, os riscos inflacionários permanecem no radar e aumentam a preocupação com uma condução mais restritiva dos juros.
Nos Estados Unidos, a expectativa de que o Fed volte a elevar os juros nesta quarta-feira ganhou força após a divulgação do CPI e já se aproxima de 90% no mercado futuro. A maior parte das apostas está concentrada em uma alta de 25 pontos-base, que levaria a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4%.
Brasil: Selic deve cair, mas incertezas sobre 2027 elevam atenção ao Copom
No Brasil, esse movimento deve reduzir o diferencial de juros em relação ao exterior. Enquanto o Fed é esperado para elevar sua taxa, o Copom deve cortar a Selic em 25 pontos-base, para 13,75%, reduzindo a atratividade do carry trade. A decisão é praticamente consensual: das 78 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 75 projetam redução de 0,25 ponto, enquanto apenas três esperam manutenção da Selic em 14%.
A mediana das projeções mantém a taxa em 13,75% também em novembro e no encerramento de 2026. Embora esse movimento seja apontado como o último corte do ano, aumentou o número de analistas que admitem novas reduções, diante de sinais mais disseminados de perda de força da economia e de melhora da inflação subjacente.
Essa discussão ganhou força após a surpresa do IPCA de agosto, que registrou uma deflação acima do esperado. Com isso, o mercado passou a avaliar se ainda existe espaço para novos cortes até o fim do ano. A possibilidade, no entanto, vem acompanhada de cautela diante dos riscos que permanecem no horizonte.
Entre eles, estão as incertezas em torno da política econômica do próximo governo, que tendem a ganhar peso crescente nas decisões do Banco Central. Por isso, embora o corte de 0,25 ponto seja amplamente esperado, a comunicação do Copom deve concentrar a principal atenção do mercado nesta reunião.
Manchetes desta manhã
- BC arquiva inquérito da liquidação da Reag Trust (Valor)
- Nova bolsa brasileira capta R$ 360 mi em rodada liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek (Estadão)
- PGR concorda com Moraes e pede retirada de sigilo de dados sobre rede de pagamentos do Master (Folha)
- ‘O gasto obrigatório vai crescer menos no Orçamento de 2027’, diz Durigan (O Globo)
Mercado global é pressionado por alta do petróleo e alertas no avanço de IA
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa nesta segunda-feira, pressionados pela nova disparada do petróleo, que superou US$ 108 por barril, e por uma sequência de alertas sobre os riscos associados ao avanço da inteligência artificial.
As bolsas europeias predominam em queda nesta segunda-feira, pressionados pela retomada da alta do petróleo após o recuo da sessão anterior, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio durante o fim de semana.
O setor de tecnologia também pesa sobre os negócios após alertas de executivos de empresas de inteligência artificial sobre uma possível desaceleração, mais rápida que o esperado, na expansão da infraestrutura dos modelos. A Soitec despencava 13,67%, enquanto Infineon recuava 8,25% e ASML perdia 5,64%.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, pressionadas por dúvidas sobre o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial e pela cautela antes das decisões de juros do Fed, BoE e BoJ. O petróleo acima de US$ 100 por barril manteve os riscos inflacionários no radar e elevou a preocupação com uma política monetária mais restritiva.
O debate sobre IA ganhou força após os CEOs da Anthropic e da OpenAI, além de Elon Musk, defenderem maior cautela no avanço da tecnologia. A postura reacendeu dúvidas sobre os investimentos no setor e os impactos sobre o crescimento e os lucros das empresas de tecnologia.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,67%
- FTSE 100: +0,65%
- CAC 40: -0,64%
- Nikkei 225: -0,81%
- Shanghai SE Comp: -0,07%
- Hang Seng: +0,45%
- Ouro (jun): -2,01%, a US$ por 4.320,17 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,50%, aos 99,62 pontos
- Bitcoin: +1,39% a US$ 77.825,5
Commodities
- Petróleo: após fecharem em queda na sexta-feira (11), os contratos futuros do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira, diante da escalada das tensões no Oriente Médio e de ataques a navios, que ampliaram os temores sobre o abastecimento.
A pressão aumentou após ataques de drones oriundos do Iraque danificarem o principal oleoduto da Arábia Saudita em direção ao Mar Vermelho, usado para aliviar as restrições no Estreito de Ormuz. Além disso, foi adiada uma reunião em Omã entre o Irã e Estados árabes do Golfo Pérsico, prevista para esta segunda-feira, para discutir um acordo sobre a abertura da via marítima.
Há pouco, o Brent/novembro ganhava 2,67%, cotado a US$ 107,40 e o WTI/outubro subia 2,33%, a US$ 102,38.
Cenário internacional: Risco sobre IA pressiona ações de tecnologia
Nos Estados Unidos, a agenda desta segunda-feira traz como destaque a promessa do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de anunciar sanções contra um “grande banco”, ainda não identificado, por manter relações com o Irã.
Às 23h, o mercado também acompanha a divulgação, pela China, dos dados de produção industrial, vendas no varejo e investimentos em ativos fixos.
No mercado acionário, as empresas de tecnologia enfrentam fortes perdas nesta manhã, em meio à crescente preocupação com a segurança da inteligência artificial e com a possibilidade de uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. O movimento atinge principalmente fabricantes de chips e companhias ligadas ao segmento de memória.
Antes da abertura de Wall Street, investidores passaram a avaliar que um ritmo mais lento de expansão da inteligência artificial poderia reduzir os investimentos em infraestrutura necessários para sustentar o crescimento do setor. No pré-mercado americano, Sandisk, Intel e Micron recuavam mais de 5%. A Nvidia, uma das principais beneficiárias do avanço da IA, caía 2,9%, enquanto a Advanced Micro Devices (AMD) registrava baixa de 5,7%.
A pressão também alcançava outras companhias diretamente relacionadas ao ecossistema de tecnologia. A SpaceX, de Elon Musk, recuava 2,6%, enquanto Meta e Amazon, que operam grandes estruturas de computação em nuvem, registravam quedas superiores a 1,4% cada.
Brasil: Fiscal e eleições colocam contas públicas no centro do debate
No Brasil, a agenda inicia com a divulgação do tradicional Relatório Focus. Na semana, o destaque fica para as vendas do varejo de julho, previstas para amanhã, e para o IBC-Br de julho, na quarta-feira.
Além dos indicadores, o ambiente político-econômico brasileiro permanece no radar. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como interlocutor da campanha eleitoral para temas econômicos. Em meio à desconfiança do mercado sobre o compromisso do candidato do PT com o equilíbrio das contas públicas, Durigan defende que o projeto de lei orçamentária de 2027 representa a resposta mais efetiva do governo. A proposta prevê superávit primário e crescimento dos gastos obrigatórios abaixo do limite máximo permitido pela atual regra fiscal.
Na avaliação do ministro, a prioridade deve ser garantir a continuidade das normas fiscais para criar condições para a redução dos juros. Por isso, defende a manutenção do arcabouço fiscal, mas com “ajustes de parâmetros”.
A posição de Durigan, porém, convive com um discurso diferente adotado por Lula durante um comício em Curitiba, no sábado (12). O presidente minimizou a necessidade de um ajuste fiscal, atribuiu à taxa de juros a responsabilidade pelo rombo das contas públicas e defendeu a ampliação dos investimentos do governo.
Segundo Lula, o crescimento econômico e a geração de empregos dependem de investimentos públicos. Ao defender essa visão, afirmou que o país deveria deixar de priorizar a busca por superávit e controle fiscal e classificou os juros pagos pelo governo como a principal fonte de endividamento, enquanto os demais gastos seriam investimentos.
Lula também citou a descoberta de petróleo na Margem Equatorial e afirmou que pretende direcionar recursos provenientes da extração para investimentos. A proposta apresentada pelo presidente é utilizar a exploração dos combustíveis fósseis antes do fim desse ciclo para gerar recursos e criar novamente um fundo destinado à educação, ciência e tecnologia e saúde.
Destaques do mercado corporativo
- Raízen: aprovou mudanças no estatuto para avançar na conversão do registro na CVM para Categoria A, incluindo autorização para emitir até 2 bilhões de novas ações ON.
- Toky: elegeu João Pedro Maya interinamente como conselheiro independente, em meio a questionamentos de minoritários sobre a composição e atuação do conselho.
- Cemig: elegeu Marco Aurélio Martins da Costa Vasconcelos como presidente da companhia. Alexandre Ramos Peixoto assumiu a presidência do conselho.
- Renova Energia: teve prazo da B3 para adequação do free float prorrogado até dezembro de 2027.
- SLC Agrícola: aprovou emissão de R$ 515,5 milhões em CPR-F, com prazo de sete anos e swap para dólar. Recursos serão destinados às atividades do agronegócio.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta segunda-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:











