As apostas online movimentam R$ 2,2 bilhões por ano na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, valor equivalente a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal, segundo levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), divulgado na sexta-feira (19) pela Agência Brasil.
Do total de entrevistados, 22,8% afirmaram já ter participado de apostas online. Nesse grupo, 33% apostam pela chance de ganhar dinheiro rápido e 25,4% veem no jogo uma oportunidade de renda extra.
A busca por ganho imediato, porém, esbarra em sinais de perda de controle: 22,3% disseram ter dificuldade de parar com os jogos, enquanto 29,1% já sentiram culpa por apostar e 34,8% disseram ter sido criticados por causa do hábito.
Segundo o diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, “existe uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido, complementar a renda ou até mesmo funcionar como investimento”.
O diretor destaca ainda que o problema ultrapassa a esfera individual e produz impactos socioeconômicos mais amplos.
Os R$ 2,2 bilhões gastos anualmente em apostas online representam recursos que deixam de circular em outras atividades de consumo e investimento, reduzindo o potencial de movimentação da economia fluminense.
Dificuldade de parar e dívida são maiores problemas das apostas online
O estudo detalha que 5,1% dos entrevistados já se endividaram por causa das apostas. Entre os apostadores, 6,9% afirmaram já ter se prejudicado ou afetado outra pessoa em razão das apostas e, desses, 68% relataram perda de dinheiro.
O gasto médio mensal declarado é de R$ 96,30, o que leva o instituto a estimar 1,9 milhão de pessoas participantes na região e R$ 182 milhões movimentados por mês em apostas online.
Mesmo com o percentual de endividados aparentemente pequeno, o problema se soma a outras fragilidades financeiras: 42,9% dos apostadores disseram possuir alguma dívida e, entre eles, 45,9% não estão com os pagamentos em dia.
Além disso, 42% admitiram que, depois de perder dinheiro, voltaram a apostar para tentar recuperar o prejuízo.
Público de baixa renda é o que mais aposta
A frequência das apostas online também preocupa. Quase um quarto dos apostadores (21,9%) admitiram jogar diariamente e 27,9% apostam de uma a duas vezes por semana. A renda da maioria desses apostadores é baixa: 36% ganham entre um e dois salários mínimos, 19,7% recebem de dois a três salários e 19,4% têm renda de até um salário mínimo.
As plataformas mais usadas são as bets, com 60,9% de participação, seguidas pelo jogo do Tigrinho, com 49,4%.
Nota de transparência: Este conteúdo contou com o auxílio de inteligência artificial na seleção e organização das informações, com base nas fontes citadas, e foi revisado por jornalistas antes da publicação.











