Os mercados globais operam mistos nesta quarta-feira (23), em meio à expectativa de uma saída diplomática para o conflito entre Estados Unidos e Irã. O petróleo enfrenta um início de sessão volátil, com o Brent em leve alta e o WTI no sexto dia de perdas, com os investidores reagindo às condições apresentadas por Teerã para o encerramento da guerra e aos sinais de avanço nas negociações entre os dois países.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta quarta-feira (23), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
A perspectiva de um acordo trouxe alívio aos mercados e levou as cotações do petróleo para abaixo de US$ 100 por barril. O presidente americano, Donald Trump, afirmou ontem que Washington e Teerã avançaram em direção a um entendimento após uma reunião de três horas entre representantes dos dois países. O tom, contudo, havia sido mais duro horas antes, quando Trump declarou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que os Estados Unidos iriam “aniquilar” o Irã caso não houvesse um acordo.
Na Arábia Saudita, testes no oleoduto Leste-Oeste também elevam a expectativa de retomada do fluxo ainda nesta semana.
Nesse ambiente, o mercado também monitora os efeitos do conflito sobre a oferta de energia. O Bank of America (BofA) elevou de US$ 83 para US$ 95 sua projeção para o preço do barril de Brent no segundo semestre, diante das interrupções recentes no fornecimento de energia no Oriente Médio.
Em relatório, o banco ressaltou que o choque do petróleo começa a se espalhar com mais intensidade para o cenário macroeconômico, principalmente por meio de expectativas mais elevadas de inflação e do aumento dos rendimentos dos títulos públicos.
Brasil: Fazenda reduz projeção do PIB e vê juros restritivos
No Brasil, o cenário de atividade econômica ganhou um tom mais cauteloso. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu de 2,3% para 2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a estimativa também foi revisada para baixo, de 2,5% para 2,3%, após o desempenho da economia no segundo trimestre ficar abaixo do esperado e diante dos efeitos do nível restritivo dos juros.
A revisão incorpora ainda uma expectativa de Selic média ligeiramente mais elevada ao longo do período, refletindo, segundo a SPE, um ciclo de flexibilização monetária “marginalmente mais gradual do que o previsto” anteriormente.
Por setores, a redução da projeção para o PIB de 2026 foi determinada principalmente pelas perspectivas mais fracas para serviços e indústria. A estimativa de crescimento dos serviços caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a da indústria recuou de 2,1% para 1,7%. O movimento foi parcialmente compensado pela agropecuária, cuja projeção de expansão subiu de 1,8% para 2,8%.
Além da atividade, o consumo das famílias permanece como ponto de atenção. A SPE avalia que, embora o endividamento das famílias tenha permanecido estável em relação à renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre.
Para o último trimestre do ano, porém, a projeção do governo é de aceleração da economia, com crescimento de 2,1% do PIB na comparação interanual. A expectativa é de que os efeitos da redução da Selic iniciada em março passem a ser incorporados gradualmente pela atividade econômica. A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
As novas projeções foram divulgadas na terça-feira, no Boletim Macrofiscal, que atualiza a grade de parâmetros macroeconômicos utilizada para orientar a execução do Orçamento. Os números também servirão de base para o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, que será divulgado na quinta-feira (24).
Manchetes desta manhã
- Desafio de ampliar Pé-de-Meia vai além do investimento (Valor)
- OCDE vê impulso da IA compensando parcialmente impacto energético da guerra no Oriente Médio (Folha)
- Flávio Bolsonaro pede ao TSE que proíba Lula de usar discurso na ONU em propaganda eleitoral (Estadão)
- Congelamento de recursoss pode chegar a R$ 20 bi, com menor receita de dividendos e mais gastos (O Globo)
Mercado global tem desempenho misto com petróleo e expectativas sobre EUA e Irã
Em Nova York, os índices futuros buscam a estabilidade nesta quarta-feira (23), enquanto o petróleo amplia a sequência de quedas pelo sexto dia, com os mercados reagindo às expectativas de uma possível desescalada na guerra entre EUA e Irã.
As Bolsas da Europa operam em queda, enquanto investidores acompanham o Oriente Médio e a expectativa por um possível acordo diplomático para encerrar a guerra. No radar, também estão os dados preliminares de atividade econômica da região.
Na Ásia, os mercadsos fecharam sem direção única, com o setor de tecnologia sustentando parte dos mercados, enquanto investidores adotaram cautela antes do encontro entre Trump e Xi Jinping. A reunião de amanhã deve abordar comércio, IA, cadeias de suprimentos e questões geopolíticas.
O Kospi avançou 0,90%, na quarta alta consecutiva, impulsionado por Samsung Electronics (+3,3%) e SK Hynix (+1,2%). Na China, ações ligadas à IA recuaram após notícias de investigações regulatórias sobre segurança de dados.
- Quer acompanhar o mercado em tempo real e entender rapidamente o que pode impactar seus investimentos ao longo do dia? Conheça o Monitor+, a nova plataforma do Monitor do Mercado que reúne notícias minuto a minuto, análises, gráficos, comparadores e ferramentas em um só lugar. É a segunda tela perfeita para quem investe — e você pode testar aqui gratuitamente.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,04%
- FTSE 100: -0,02%
- CAC 40: -0,19%
- Nikkei 225: fechado devido a feriados
- Shanghai SE Comp: -0,39%
- Hang Seng: -1,01%
- Ouro (jun): -0,81%, a US$ por 4.341,05 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,42%, aos 100,96 pontos
- Bitcoin: -0,53% a US$ 85.533,8
Commodities
- Petróleo: contratos da commodity operam volátil nesta quarta-feira, com o Brent em leve alta após uma sequência de quedas, enquanto o mercado monitora as negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio. Trump afirmou ontem que EUA e Irã tiveram “uma reunião muito boa”, embora tenha ameaçado “aniquilar” o país persa caso não haja acordo.
Há pouco, o Brent/novembro subia 0,23%, cotado a US$ 99,48 e o WTI/novembro caía 0,74%, a US$ 89,85. - Minério de ferro: fechou em leve alta de 0,07% em Dalian, na China, cotado a US$ 106,16/ton.
Cenário internacional destaca negociações entre EUA e Irã
A agenda internacional desta quarta-feira começa com a divulgação dos PMIs preliminares de setembro na Alemanha, na zona do euro e no Reino Unido. Nos Estados Unidos, os indicadores saem às 10h45, com o mercado projetando uma leve perda de ritmo da indústria, de 53,9 para 53,8, e dos serviços, de 56,5 para 56.
Às 11h05, o diretor do Federal Reserve (Fed), Michael Barr, participa de um evento em Chicago. Na sequência, às 11h30, o Departamento de Energia (DoE) divulga os dados semanais de estoques de petróleo.
No campo geopolítico, a Assembleia Geral da ONU entra no segundo dia de debates em Nova York, com o discurso do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, no centro das atenções. A fala ocorre em meio à retomada dos contatos diplomáticos entre Washington e Teerã, que negociam indiretamente com mediação do Catar.
Segundo informações da imprensa regional citadas pela CNBC, o Irã apresentou aos Estados Unidos condições para encerrar o conflito, que já se prolonga por sete meses. Entre as exigências estão o fim do bloqueio naval, o encerramento da chamada guerra econômica e a liberação de ativos iranianos. Teerã também apresentou condições para a retomada do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica que respondia por cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás antes da guerra.
Um alto funcionário iraniano afirmou que o estreito poderia ser reaberto em uma semana caso Washington reduza a pressão militar e suspenda o bloqueio aos portos do país. As negociações ganharam força depois de o presidente americano, Donald Trump, dizer na Assembleia Geral que precisava escolher entre um acordo e uma ação militar mais agressiva. Mais tarde, Trump afirmou que autoridades americanas haviam participado de uma reunião de três horas com representantes iranianos que classificou como “muito boa”.
Brasil: Na ONU, Lula mira soberania e aproximação com o mercado
No Brasil, a pouco mais de duas semanas da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU para reforçar bandeiras do governo e da campanha à reeleição e enviar recados aos Estados Unidos. Sem citar Trump, Lula criticou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Também defendeu que o país não terceirize o combate ao crime organizado e disse que não precisa de porta-aviões para vigiar suas águas.
Na agenda doméstica, Lula voltou a criticar as bets, afirmando que o setor “transforma vício em lucro”, defendeu o fim da escala 6×1 e disse que o Brasil não cederá a pressões de multinacionais sobre o Pix. O presidente também defendeu a regulação das big techs e da inteligência artificial. Na política externa, fez críticas à atuação da própria ONU, cuja credibilidade, segundo ele, “nunca esteve tão baixa”, e voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança.
Em paralelo ao discurso na ONU, Lula terá na sexta-feira um jantar com cerca de 200 empresários e banqueiros no hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo. O encontro ocorre em meio à tentativa de reduzir o desconforto de parte do mercado com recentes sinalizações do presidente na área fiscal.
A reação negativa ganhou força depois de Lula afirmar, em um comício no dia 12, que era preciso “parar com essa babaquice de fazer superávit”, e foi ampliada pelo reajuste de 15,04% do Bolsa Família e pela preparação de um novo programa voltado à redução do endividamento das famílias. O jantar contará com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Fernando Haddad.
O encontro acontece a poucos dias da eleição, em um cenário de disputa acirrada. Pesquisas recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro em situação de empate técnico em simulações de segundo turno, dentro das respectivas margens de erro.
Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: vai resgatar antecipadamente US$ 1,08 bilhão em títulos globais com vencimento em 2028; TCU também analisa hoje, em sessão reservada, a política de preços da estatal.
- Axia: aprovou resgate compulsório de ações PNC de até R$ 3,9 bilhões, envolvendo até 15,46% da classe.
- Auren/Cesp: Cesp pediu à CVM a conversão do registro de emissor da categoria B para A, dentro da reorganização societária do grupo.
- BMG: fará emissão de R$ 350 milhões em letras financeiras, podendo chegar a R$ 500 milhões, para alongar dívida e reforçar caixa.
- Oncoclínicas: vendeu a espanhola Medsir por 1 euro e encerrou arbitragem que poderia gerar obrigações futuras de até 52 milhões de euros.
Acompanhe as principais notícias do mercado financeiro nesta quarta-feira também no Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual.
O episódio de hoje já está no ar, nas principais plataformas de podcasts. Basta clicar na sua plataforma preferida para ouvir: Spotify; Deezer; Amazon Music; Podcasters. Ou ouvir clicando abaixo:










