Os mercados globais começam a semana em modo de aversão ao risco, com o petróleo disparando mais de 4% nesta segunda-feira (28), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito. A decisão aumenta a incerteza sobre o fluxo global de energia e reacende as preocupações com os efeitos da alta da commodity sobre a inflação.
Comece o dia por dentro de tudo que movimentará o pregão desta segunda-feira (28), no Brasil e no mundo, com o Podcast Café do Mercado, uma produção do Monitor do Mercado, e apresentado por Lucas Rocco, CEO da Wiser | BTG Pactual
O impasse ganhou força após a iniciativa apresentada pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Por meio de representantes do Catar, Teerã havia encaminhado uma proposta para normalizar o trânsito de navios petroleiros pelo Golfo Pérsico. Neste sábado (26), porém, Trump afirmou que a oferta havia sido rejeitada.
A proposta iraniana previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada, em até sete dias, das negociações nucleares com Washington. Para isso, Teerã condicionava o acordo a uma série de medidas, entre elas o fim das ações militares classificadas pelo governo iraniano como atos de agressão, a suspensão do bloqueio naval, mudanças nas medidas econômicas impostas ao país e a liberação de ativos iranianos congelados.
Segundo Trump, os termos propostos pelo Irã não foram aceitos pela Casa Branca. Apesar da rejeição, o presidente americano sinalizou que novas negociações ainda podem ocorrer.
O aumento da tensão voltou a pressionar as expectativas de inflação e os rendimentos dos Treasuries, que retomam a alta depois de uma semana em que os juros dos títulos do Tesouro americano atingiram máximas em vários anos. Na Ásia, a valorização do petróleo também levou os rendimentos dos títulos soberanos do Japão e da Coreia do Sul a níveis máximos em anos.
Segundo o The Wall Street Journal, Trump teria comunicado a assessores que espera uma retomada dos ataques dos Estados Unidos contra o Irã após as eleições legislativas de novembro. A possibilidade adiciona um novo elemento de incerteza às perspectivas para o conflito e para o mercado de energia.
Brasil: Lula mira redução da dívida e defende equilíbrio fiscal
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (27) que a dívida pública não lhe provoca “pânico”, ao mesmo tempo em que reconheceu preocupação com o endividamento do país. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, Lula citou as reservas internacionais como um dos fatores que sustentam sua confiança na capacidade brasileira de enfrentar dificuldades econômicas.
“Quando eu digo que a dívida pública não me causa pânico, é a dívida pública irreal. Nós temos uma reserva de 370 bilhões de dólares, feita por mim”, disse o presidente.
Lula afirmou ainda que pretende reduzir a dívida pública em relação ao tamanho da economia. “Tenho uma preocupação com a dívida pública, porque não gosto de dever mais do que recebo. E a gente vai diminuir essa dívida pública com relação ao PIB”, declarou.
O presidente não detalhou, contudo, quais medidas pretende adotar para alcançar essa redução. Lula afirmou que manterá despesas que considera necessárias, incluindo ações de apoio à população mais pobre e aumentos do salário mínimo acima da inflação.
Lula também mencionou a previsão de superávit incluída no projeto de Orçamento encaminhado ao Congresso neste ano. A proposta para 2027 estima saldo positivo de R$ 18,6 bilhões nas contas federais, sem considerar os juros da dívida. O número, porém, é uma projeção orçamentária, e não um resultado já alcançado.
Manchetes desta manhã
- FIDCs chegam a R$ 1 trilhão, mas piora do crédito eleva risco da carteira (Valor)
- China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias (Folha)
- Focus: Mercado eleva projeção para inflação e espera PIB menor em 2026 (Estadão)
- Concessão de BPC para idosos e pessoas com deficiência caminha para recorde em 2027 (O Globo)
Mercado global inicia a semana sob pressão do petróleo
Em Nova York, os índices futuros abriram em queda, enquanto o petróleo avança após Donald Trump rejeitar uma proposta iraniana de trégua de sete dias e reabertura do Estreito de Ormuz. A decisão aumenta as preocupações sobre a oferta global de energia e possíveis impactos sobre a inflação.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, também pressionadas pela alta do petróleo, que levou os juros dos títulos soberanos do Japão e da Coreia do Sul a máximas em anos.
O tom negativo também foi reforçado pela forte baixa das fabricantes de semicondutores, com Samsung e SK Hynix recuando cerca de 5% após a OpenAI pausar parte do treinamento de modelos avançados.
As Bolsas da Europa operam mistas nesta segunda-feira, com viés positivo, impulsionadas pela disparada das ações de construtoras após o governo do Reino Unido anunciar um novo programa de crédito imobiliário para compradores do primeiro imóvel. Persimmon avança 14,60%, Barratt Redrow sobe 11,65% e Taylor Wimpey, 11,56%.
Os ganhos, porém, são limitados pela recuperação do petróleo e pelos elevados rendimentos dos títulos públicos.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,54%
- FTSE 100: +0,23%
- CAC 40: +0,10%
- Nikkei 225: -0,73%
- Shanghai SE Comp: -1,67%
- Hang Seng: +0,54%
- Ouro (jun): -2,95%, a US$ por 4.193,82 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,115%, aos 101,12 pontos
- Bitcoin: -1,69% a US$ 83.371,5
Commodities
- Petróleo: os contratos futuros do petróleo disparam após Donald Trump rejeitar a proposta do Irã de uma trégua de sete dias na guerra no Oriente Médio. Na sexta-feira (25), os preços chegaram a cair após a proposta iraniana, em meio às expectativas de uma saída diplomática para o conflito.
O mercado volta a reagir nesta segunda-feira diante da rejeição de Trump e de novos ataques à Arábia Saudita, após uma semana de forte volatilidade.
Há pouco, o Brent/novembro subia 4,10%, cotado a US$ 108,60 e o WTI/novembro avançava 4,35%, a US$ 96,43. - Minério de ferro: fechou em queda de 0,91% em Dalian, na China, cotado a US$ 105/ton.
Cenário internacional: EUA concentram agenda de dados
A semana será movimentada nos Estados Unidos, com uma bateria de indicadores do mercado de trabalho e o PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve, em foco. Os dados podem alterar as expectativas dos investidores para os próximos passos da política monetária americana.
A sequência começa nesta terça-feira, com a divulgação do relatório Jolts, que mede as vagas de emprego abertas em agosto. Na quarta-feira, será a vez da pesquisa ADP sobre a criação de postos no setor privado em setembro e do relatório de renda e gastos pessoais, que inclui o deflator do PCE.
Em meio à alta do petróleo, o presidente Donald Trump afirmou no domingo que a Casa Branca ainda avalia “muito seriamente” a possibilidade de proibir as exportações de diesel, em meio à pressão provocada pela alta dos combustíveis. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que o governo considera impor restrições, mas não necessariamente uma proibição total.
A eventual medida pode ter repercussões no mercado internacional. Analistas alertam que uma redução das exportações americanas tende a pressionar os preços globais do diesel, com a Europa particularmente exposta diante dos impactos persistentes sobre os fluxos provenientes da Rússia e do Oriente Médio.
No comércio exterior, Estados Unidos e China anunciaram nesta segunda-feira planos para reduzir tarifas incidentes sobre US$ 30 bilhões em produtos importados de cada país. Washington pretende cortar principalmente as taxas sobre brinquedos, artigos esportivos e itens de decoração natalina chineses, enquanto a lista de Pequim é mais extensa e concentra produtos agrícolas americanos.
A China também afirmou que a extensão da trégua comercial por dois meses, até 10 de janeiro, permitirá avaliar a implementação do acordo. A prorrogação esteve entre os principais resultados da cúpula realizada na semana passada em Washington entre o presidente chinês, Xi Jinping, e Trump.
Brasil: Focus eleva projeção de inflação enquanto agenda traz atividade e contas externas
No Brasil, a agenda desta segunda-feira (28) reúne indicadores de atividade econômica e contas públicas. Às 8h25, o Banco Central divulgou o Relatório Focus, com as projeções dos economistas para inflação, crescimento do PIB, câmbio e taxa Selic. A projeção mediana para o IPCA de 2026 subiu pela segunda semana consecutiva, passando de 4,92% para 4,99%. A estimativa está 0,49 ponto percentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Entre as 61 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, consideradas mais sensíveis às informações recentes, a mediana avançou de 4,97% para 5,08%.
Para a Selic no fim de 2026, a projeção mediana permaneceu em 13,50%, após ter recuado na semana anterior. Considerando apenas as 72 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também ficou em 13,50%.
Também em destaque, o BC apresenta os dados do setor externo referentes a agosto, incluindo informações sobre transações correntes e investimentos. Mais tarde, às 10h, será divulgado o Firmus do terceiro trimestre, pesquisa do Banco Central que reúne a percepção das empresas sobre a atividade econômica e deve complementar a leitura sobre o ambiente de negócios.
Destaques do mercado corporativo
- Axia: iniciou nova etapa da conversão de ações ON ou resgate de ações PNC; acionistas podem se manifestar entre 28 e 30 de setembro.
- Multiplan: pagará R$ 139 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,28413 por ação, com papéis “ex” em 1º de outubro.
- Direcional: fará emissão de R$ 150 milhões em debêntures, com prazo de cinco anos, para projetos de eficiência energética e resiliência climática.
- Motiva: Moody’s elevou o rating nacional de AA+.br para AAA.br, com perspectiva estável.
- SLC Agrícola: iniciou oferta de R$ 515,5 milhões em CPR-Fs, com prazo de sete anos e remuneração de 95,5% do DI, destinada ao agronegócio.
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