Os mercados globais iniciam o primeiro pregão de outubro sem direção única, com investidores atentos à escalada dos rendimentos dos títulos públicos e à alta do petróleo. A combinação de maior oferta de dívida pelos governos, preocupações com a inflação associada aos conflitos geopolíticos e a manutenção de políticas monetárias restritivas aumenta a pressão sobre os mercados de renda fixa.
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Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 10 anos avançava 2,6 pontos-base no início da manhã, a 5,32%, após tocar 5,33%, maior nível desde 2002. O título de 30 anos também superava 5,6%, no maior patamar desde aquele ano. No Reino Unido, o gilt de 30 anos alcançou 6%, nível mais elevado desde 1998, enquanto na Europa, as ações recuam diante da preocupação dos investidores com os possíveis efeitos da deterioração do mercado de dívida.
No mercado de energia, o petróleo permanece pressionado pelos conflitos entre Estados Unidos e Irã, no Oriente Médio, e entre Rússia e Ucrânia. A alta ganhou força no início da sessão após a Reuters informar que a estatal chinesa PetroChina Company Limited (PetroChina) cancelou embarques de gasolina e querosene de aviação programados para outubro, em uma medida destinada a preservar o abastecimento doméstico.
Dados da Kpler mostram que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio chegaram a 16,328 milhões de barris por dia em setembro, o maior volume desde o início da guerra, em fevereiro. Apesar disso, segundo o MUFG, a oferta de produtos refinados continua significativamente mais limitada.
Brasil enfrenta sobretaxa em exportação de carne bovina para a China
No mercado brasileiro, o destaque fica para o comércio de carne bovina com a China. O Brasil atingiu a cota anual de exportação para o mercado chinês e, a partir desta quinta-feira, os embarques que excederem o limite estarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%; a carga total sobre a carne que chegar aos portos chineses a partir de agora chegará a 67%.
Para o setor, a tributação adicional praticamente inviabiliza as vendas, em um mercado que é o principal destino da carne bovina brasileira exportada.
A China passou a adotar cotas para a importação de carne bovina neste ano como forma de proteger os pecuaristas e a produção doméstica, que vem crescendo nos últimos anos. A medida vale para todos os grandes exportadores, e não apenas para o Brasil. O país, porém, possui a maior cota entre os fornecedores. Em 2027, o limite brasileiro subirá para 1,128 milhão de toneladas.
Diante do novo cenário, técnicos do Ministério da Agricultura afirmam que o governo brasileiro pretende intensificar as negociações com Pequim na tentativa de conseguir uma cota adicional para 2026.
Manchetes desta manhã
- ‘Spread’ das debêntures incentivadas vai às máximas desde 2024 (Valor)
- Lula determina que INSS pague benefício automático a mulher vítima de violência doméstica (Folha)
- Bolsa Família: cresce a participação de beneficiários no mercado de emprego formal, aponta FGV (Estadão)
- Saldo não sacado das bets será devolvido por bancos e Caixa assume o restante ( O Globo)
Mercado global opera sob pressão dos Treasuries e do petróleo
Em Nova York, os índices futuros operam em alta nesta quinta-feira (1º), mas com o Dow Jones e o S&P 500 ainda pressionados pela elevação dos rendimentos dos Treasuries. O Nasdaq, por sua vez, encontra sustentação nas ações de tecnologia após os resultados positivos da Micron.
Na Ásia, os mercados fecharam em alta, impulsionadas por ações de tecnologia e semicondutores após resultados e projeções da Micron reforçarem as expectativas de forte demanda relacionada à inteligência artificial.
Na Coreia do Sul, exportações recordes em setembro, puxadas por semicondutores, também sustentaram os mercados. Mercados da China e de Hong Kong ficaram fechados devido ao feriado do Dia Nacional.
Já as Bolsas da Europa, iniciam outubro em baixa, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos globais, que amplia a aversão ao risco. As incertezas sobre as negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio também pesam, diante dos possíveis impactos sobre o mercado de energia.
Na agenda econômica, o PMI industrial final da zona do euro atingiu em setembro o maior nível desde maio de 2022. Entre os destaques corporativos, as ações da britânica Gamma recuavam 2,49% após a holandesa Waterland retirar sua oferta de aquisição.
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Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: +0,35%
- FTSE 100: -1,20%
- CAC 40: -0,72%
- Nikkei 225: +3,30%
- Shanghai SE Comp: fechado por feriado
- Hang Seng: fechado por feriado
- Ouro (jun): +0,67%, a US$ por 4.214,82 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): +0,20%, aos 101,65 pontos
- Bitcoin: -1,54% a US$ 83.973,5
Commodities
- Petróleo: Os contratos futuros operam em alta, revertendo as perdas de mais cedo, enquanto investidores avaliam a sustentabilidade da recuperação da oferta no Oriente Médio. As incertezas sobre as negociações diplomáticas para encerrar o conflito na região seguem no radar.
Há pouco, o Brent/dezembro disparava 2,46%, cotado a US$ 100,44, enquanto o WTI/ novembro avançava 1,84%, a US$ 92,08.
G20 e discursos do Fed movimentam agenda internacional
A agenda internacional começou de madrugada com a bateria de PMIs industriais na Europa, incluindo Alemanha, zona do euro e Reino Unido. Nos Estados Unidos, o PMI industrial da S&P Global sai às 10h45, com expectativa de avanço para 57 pontos, ante 53,9 em agosto. Às 11h, é a vez do ISM industrial, projetado em 55 pontos, contra 54,6 no mês anterior.
No radar dos bancos centrais, às 10h, Tom Barkin, Susan Collins e Jeffrey Schmid, dirigentes dos Feds de Richmond, Boston e Kansas City, participam de um evento institucional.
Às 15h30, John Williams, de Nova York, modera um debate com a diretora do Fed Lisa Cook. Mais tarde, às 19h45, Lorie Logan, do Fed de Dallas, participa de evento. Na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa de compromisso público a partir das 10h30.
Em Milwaukee, prossegue nesta quinta-feira a reunião ministerial de Comércio do G20, em meio às negociações tarifárias entre os Estados Unidos e seus parceiros. O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou ontem que dez novos acordos comerciais estão a caminho e defendeu que a política tarifária do governo Trump vem reduzindo o déficit comercial e estimulando empresas a produzir nos Estados Unidos.
Brasil: Eleição concentra atenções no mercado
No Brasil, a agenda doméstica começou com o IPC-S de setembro, divulgado pela FGV, que avançou 0,67% e acumula alta de 3,95% nos últimos 12 meses. A FGV divulga ainda o Índice de Confiança Empresarial de setembro. Às 10h, a S&P Global publica o PMI industrial brasileiro.
A três dias do primeiro turno, as eleições seguem no radar dos mercados. Bancos e corretoras já traçam cenários para o comportamento dos ativos a partir de segunda-feira, tendo a política fiscal como um dos principais pontos de diferenciação para as perspectivas de 2027.
Segundo as estratégias descritas pelas casas, um cenário de reeleição de Lula tende a direcionar a preferência para setores mais protegidos de juros e dólar elevados. Em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, as instituições apontam maior interesse por ações domésticas e cíclicas, mais sensíveis a uma possível queda dos juros.
Na pesquisa Real Time Big Data divulgada há pouco, Lula aparece com 43% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Flávio Bolsonaro, com os dois candidatos avançando 2 pontos percentuais em relação à rodada anterior. Em um eventual segundo turno entre os dois, Flávio Bolsonaro registra 46%, enquanto Lula aparece com 45%. Na pesquisa anterior, divulgada em 24 de setembro, os percentuais eram de 45% e 44%, respectivamente.
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