Por João Augusto C. Fernandes*
Nos últimos meses, o investidor acompanhou a impressionante recuperação do Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores, mesmo em uma época de juros elevados por aqui. Trata-se, aliás, de uma combinação incomum: juros altos funcionam para reprimir a economia, ao impor custos mais altos a quem produz e a quem precisa de crédito.
O que explica essa estranha combinação de crescimento do mercado de ações com uma Selic alta tem sido o fluxo de investimentos estrangeiros, devido às incertezas globais relacionadas à geopolítica e macroeconomia.
As movimentações e disputas por poder desencadeadas por Donald Trump acabaram tendo um efeito positivo no Brasil. Apesar de nossos próprios problemas, como a situação fiscal e política, temos uma posição privilegiada geopoliticamente, longe de guerras e sem ameaças territoriais. Com uma boa produção petrolífera, água, alimentos e rico em commodities, passamos a ser vistos como “porto seguro”.
Investidores internacionais que buscam diversificação ainda encontram um mercado com várias empresas de boa qualidade de gestão subvalorizadas.
O Brasil, portanto, tornou-se um “caos previsível” e barato, no qual vale a pena aportar nesse momento. E isso também faz parte das mudanças que ocorrem em ciclos de mercado. Mas daí vem a questão: se o Brasil está performando bem, ainda faz sentido investir no exterior?
A necessidade de ampliar fronteiras ao investir nos EUA
O Brasil continua sendo uma economia emergente, com histórico de volatilidade cambial, desafios fiscais recorrentes e elevada sensibilidade ao cenário político. Esses fatores não impedem ganhos — mas tornam o ambiente mais instável ao longo do tempo.
Nesse sentido, investir no exterior não deve ser visto como substituição ao investimento nacional, e sim um complemento necessário. Não ter esse complemento, mesmo em momentos de euforia local, na prática, aumenta a concentração de risco na carteira, que é justamente o oposto do que se espera de uma estratégia bem estruturada.
A diversificação não pode se restringir a um só mercado: ela envolve também considerar moedas, economias e estruturas de mercado distintas. Ainda que performando bem no momento, o Brasil ainda representa menos de 2% da economia global, com empresas muito dependentes de decisões de um só governo, a situação de uma só moeda e, em grande parte, vendendo a um só mercado.
Por isso, mais do que buscar retornos pontuais, investir fora do Brasil é uma forma de ampliar o leque de oportunidades e, principalmente, de construir uma carteira mais resiliente a diferentes cenários. Em um ambiente global cada vez mais interconectado, depender exclusivamente de um único país pode ser um risco silencioso.
Quando ampliamos o olhar para além do Brasil, o contraste se torna evidente. O S&P 500, por exemplo, reúne algumas das maiores e mais relevantes empresas do mundo, com atuação global, proteção cambial e receitas diversificadas em diferentes regiões. Além disso, oferece exposição a setores pouco representados na bolsa brasileira, como tecnologia, saúde e inovação – áreas que têm sido protagonistas no crescimento econômico global.
A esses fatores somam-se, ainda, a atual cotação do Dólar — com uma das maiores quedas desde 2024 e altamente favorável aos investidores brasileiros – e a diferença entre os mercados acionários: as bolsas americanas contam com mais de 5000 empresas, enquanto a B3 tem cerca de 350, com setores ausentes ou inexpressivos.
Assim, aproveitar momentos como o atual para adquirir ativos de qualidade, em mercados com histórico consistente de crescimento e ciclos distintos dos brasileiros, pode representar não apenas uma decisão tática, mas um passo importante na construção de uma carteira mais equilibrada. Seja por oportunidade ou por proteção, a diversificação internacional deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade.
Quer entender mais sobre como a diversificação pode te ajudar a ter uma carteira mais rentável e com menos risco? Clique aqui e baixe esse e-book gratuito: https://invista.monitordomercado.com.br/e-book-diversificacao-internacional
*João Augusto C. Fernandes é sócio da Wiser Investimentos | BTG Pactual e fundador da plataforma InvestGlobal.











