Apesar da popularização dos pagamentos digitais, o uso de caixas eletrônicos ainda é uma realidade para milhões de brasileiros, o que mantém ativo o perigoso golpe do caixa eletrônico.
Criminosos continuam a aprimorar suas táticas, que vão desde a instalação de dispositivos para clonar cartões até a manipulação psicológica de vítimas no momento da transação. Este artigo é um guia completo e atualizado para você identificar os sinais da fraude, saber como agir caso se torne um alvo e, principalmente, aprender a se proteger de forma eficaz.
Afinal, o que é e qual o verdadeiro objetivo do golpe do caixa eletrônico?

O golpe do caixa eletrônico é uma categoria de fraude que engloba diversas táticas para roubar dinheiro e dados de usuários de terminais de autoatendimento. As estratégias podem ser físicas, com a adulteração do equipamento para clonar cartões e filmar senhas, ou podem se basear na manipulação da vítima por um golpista que se passa por um funcionário do banco ou outro cliente prestativo.
O objetivo final dos criminosos é sempre financeiro. Ao obterem o cartão e a senha da vítima, eles podem realizar uma série de transações fraudulentas, como saques, transferências, pagamentos e até a contratação de empréstimos em nome da pessoa. O prejuízo pode ser devastador, esvaziando a conta em questão de minutos.
O principal componente que viabiliza este crime é a engenharia social, mesmo quando há adulteração do equipamento. Os golpistas criam um cenário de dificuldade ou urgência — como um cartão preso na máquina — para que a vítima, fragilizada e confusa, aceite a ajuda de um estranho ou siga instruções falsas, entregando assim seus dados sigilosos.
Como os criminosos executam este golpe passo a passo?
Da perspectiva da vítima, a fraude geralmente começa com um problema inesperado durante uma operação no caixa eletrônico. Os criminosos preparam o ambiente para criar a dificuldade e, então, se apresentam como a solução, seguindo um roteiro bem definido para enganar e roubar.
O passo a passo da ação criminosa geralmente ocorre nesta ordem:
- A Preparação da Armadilha: O golpista instala um dispositivo no caixa, como um “chupa-cabra” (leitor de dados do cartão) na entrada do cartão ou uma microcâmera para filmar a digitação da senha. Em outra variante, ele insere um objeto que prende o cartão da vítima dentro da máquina.
- A Falsa Ajuda: O criminoso fica por perto e, ao perceber a dificuldade da vítima (cartão preso, erro na leitura), aproxima-se e se oferece para ajudar, fingindo ser um funcionário do banco ou um cliente bem-intencionado.
- A Captura da Senha: Durante a “ajuda”, o golpista observa a vítima digitar a senha ou a convence a ligar para uma falsa central de atendimento (cujo número está em um adesivo colado na máquina), onde um comparsa solicitará a senha como “procedimento de segurança”.
- O Furto e o Prejuízo: De posse do cartão (que ele retira do caixa após a saída da vítima) e da senha, o criminoso realiza saques, compras e transferências até o limite da conta.
A tática de pressão psicológica se baseia no constrangimento e na urgência da vítima em resolver o problema. A oferta de ajuda de um estranho bem-vestido e educado diminui a desconfiança, fazendo com que a pessoa ignore os protocolos básicos de segurança em um momento de vulnerabilidade.
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Quais são os sinais de alerta que você nunca deve ignorar?
A prevenção é a melhor defesa contra o golpe do caixa eletrônico. Os criminosos dependem da distração e da falta de atenção aos detalhes. Estar ciente dos sinais de perigo e adotar uma postura de cautela pode evitar um grande prejuízo financeiro.
Fique muito atento a estes sinais de alerta que indicam uma fraude:
- Peças soltas, sobrepostas ou com aparência diferente na entrada do cartão ou no teclado do caixa.
- Presença de microcâmeras escondidas, geralmente em um falso suporte de folhetos ou na parte superior do terminal.
- Ofertas de ajuda não solicitada por parte de estranhos, não importa o quão prestativos eles pareçam.
- Adesivos com números de telefone de “centrais de atendimento” colados no corpo do caixa eletrônico.
- Dificuldade incomum para inserir ou remover seu cartão do leitor da máquina.
A regra de ouro é: nunca aceite ajuda de estranhos e proteja sua senha. Se o seu cartão ficar preso, não digite sua senha novamente e não aceite orientações de ninguém. Cancele a operação, se possível, e ligue para o número de telefone oficial do seu banco, que consta no verso do seu cartão.
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Fui vítima, e agora? Quais são os primeiros passos imediatos a tomar?
Se você percebeu que caiu em um golpe, a primeira ação deve ser o bloqueio imediato do seu cartão. Ligue para a central de atendimento oficial do seu banco (use o número no verso do cartão ou no aplicativo) e comunique a fraude, pedindo o cancelamento e o bloqueio de todas as funções.
O segundo passo é registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.). Este documento é fundamental para formalizar a denúncia e pode ser exigido pelo banco para a análise do ressarcimento. O registro pode ser feito de forma online no portal da Polícia Civil do seu estado.
Reúna todas as informações sobre o ocorrido: data, hora, local do caixa eletrônico e um resumo de como a abordagem aconteceu. Caso os golpistas tenham realizado transferências via Pix, informe ao seu banco e peça a ativação do Mecanismo Especial de Devolução (MED) para tentar reaver os valores.
Como blindar suas contas e sua vida digital contra essa e outras fraudes?
A segurança de suas transações financeiras começa com hábitos preventivos que dificultam a ação dos criminosos. Adotar uma postura proativa diminui drasticamente os riscos de se tornar uma vítima.
Adote estas dicas práticas de segurança: antes de inserir seu cartão, verifique a aparência do caixa eletrônico. Ao digitar sua senha, sempre cubra o teclado com a outra mão para impedir a visualização por pessoas ou câmeras escondidas. Dê preferência a caixas localizados dentro de agências bancárias ou locais movimentados.
Para se manter sempre informado, consulte as dicas de segurança publicadas por instituições de credibilidade. A FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) oferece guias completos e atualizados sobre os principais golpes em circulação e as melhores práticas para se proteger.
A segurança de suas transações começa com a prevenção
O golpe do caixa eletrônico explora a confiança e a distração, mas o conhecimento de suas táticas anula o poder dos criminosos. Ao adotar uma postura vigilante, verificar o equipamento antes do uso e, acima de tudo, recusar ajuda de estranhos, você cria uma barreira de proteção eficaz. A segurança do seu patrimônio está, literalmente, em suas mãos.
Este guia serve como um alerta educacional. Se você foi vítima de um crime, os passos essenciais e imediatos são contatar seu banco para o bloqueio do cartão e registrar um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil. Sua pronta ação é fundamental para mitigar os prejuízos e auxiliar na investigação.






