Em Reiquiavique (Reykjavík), a energia geotérmica não aquece apenas casas, piscinas e prédios públicos. Parte da infraestrutura urbana usa água quente e sistemas hidrónicos sob calçadas, entradas e trechos pavimentados para derreter neve, reduzir gelo e melhorar a segurança no inverno.
Como funciona o aquecimento hidrónico sob calçadas e vias?
O sistema hidrónico circula água quente ou fluido aquecido por uma rede de canos instalada sob o pavimento. O calor sobe por condução, eleva a temperatura da superfície e derrete neve ou gelo antes que se acumulem em áreas de circulação.
Em Reiquiavique, essa lógica se conecta ao aquecimento distrital geotérmico. Estudos técnicos sobre a cidade mostram que a água já usada em edifícios pode retornar ainda morna, entre 25 °C e 40 °C, sendo reaproveitada para derreter neve em calçadas e acessos.

Por que a energia geotérmica torna essa solução viável?
A Islândia tem uma matriz térmica incomum: a Autoridade Nacional de Energia da Islândia (Orkustofnun) informa que cerca de 90% da energia usada para aquecimento doméstico vinha de fontes geotérmicas em 2020. Isso cria escala, rede e experiência operacional.
A vantagem está no uso em cascata. Primeiro, a água quente aquece ambientes internos; depois, quando retorna em temperatura menor, ainda pode servir para derreter neve. Assim, a cidade aproveita energia térmica residual em vez de depender apenas de sal, máquinas ou remoção manual.
Quais componentes formam a rede de derretimento de neve?
O sistema não é apenas uma tubulação enterrada. Ele combina energia geotérmica, rede urbana, sensores, pavimento e manutenção preventiva. Para funcionar bem, cada componente precisa suportar variações térmicas, pressão hidráulica e congelamento externo, mantendo circulação constante de água quente ou fluido aquecido sob áreas prioritárias de pedestres e veículos urbanos.
Os principais elementos são:
- Tubulações sob calçadas, rampas, entradas e trechos pavimentados.
- Fonte de calor geotérmico ou água de retorno do aquecimento distrital.
- Bombas, válvulas e controles de circulação.
- Camadas de pavimento capazes de transferir calor.
- Monitoramento de temperatura, umidade e condições de gelo.
- Manutenção contra corrosão, vazamentos e perda térmica.
- Planejamento urbano para priorizar pontos de maior circulação.
Essa integração explica por que a solução é mais realista em cidades com rede térmica madura. Em locais sem geotermia abundante, o mesmo princípio pode funcionar, mas costuma exigir caldeiras, eletricidade ou bombas de calor, elevando custos e emissões.
O sistema realmente evita milhares de acidentes fatais?
A ideia central é reduzir risco de escorregões, colisões e bloqueios por gelo, mas a afirmação de que evita “milhares de acidentes fatais” precisa ser tratada com cautela. Não encontrei base oficial que comprove esse número específico para Reiquiavique.
O benefício mais bem documentado é preventivo: superfícies aquecidas reduzem acúmulo de neve e gelo em pontos críticos. O portal turístico oficial Visit Reykjavík cita calçadas aquecidas ocasionais no centro, enquanto estudos técnicos registram uso crescente de sistemas geotérmicos para derretimento de neve.

Qual é o papel da Reykjavik Energy nessa infraestrutura?
A Reykjavík Energy (Orkuveita Reykjavíkur) é a companhia pública ligada à infraestrutura energética da capital. Documentos técnicos descrevem sua operação como uma das maiores redes municipais de aquecimento geotérmico, com distribuição de milhões de metros cúbicos de água quente por ano.
A empresa e suas subsidiárias operam a base que torna possível o uso urbano do calor. O aquecimento de calçadas não é um truque isolado, mas extensão de uma rede geotérmica planejada para abastecer edifícios, serviços públicos e usos complementares no inverno.
Quais limites ambientais e técnicos essa solução ainda enfrenta?
Mesmo renovável, a infraestrutura exige gestão. O relatório técnico sobre aquecimento distrital em Reiquiavique menciona atenção a corrosão, oxigênio dissolvido, composição química da água e separação de sistemas, pontos essenciais para proteger tubulações e evitar falhas operacionais.
Também há limites econômicos: instalar tubos sob asfalto, concreto ou pedra exige obra, manutenção e priorização. Por isso, a solução costuma aparecer em calçadas centrais, rampas, acessos e áreas de alto fluxo, não necessariamente em toda autoestrada ou rua urbana.











