O mercado inicia a semana ainda sob forte tensão no Oriente Médio, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endurecer novamente o discurso contra o Irã e afirmar que “o tempo está se esgotando” para Teerã aceitar um acordo. A escalada geopolítica mantém investidores em alerta e sustenta a pressão sobre petróleo, inflação global e juros.
Na manhã desta segunda-feira (18), o Irã apresentou uma nova proposta de paz aos Estados Unidos, com 14 pontos voltados ao encerramento da guerra, segundo a agência iraniana Tasnim. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqaei, afirmou que as negociações seguem em andamento com mediação do Paquistão, mas indicou que os americanos continuam exigindo concessões consideradas inaceitáveis, principalmente sobre o programa nuclear.
“Embora os Estados Unidos tenham rejeitado explicitamente este plano, recebemos comentários e emendas do lado paquistanês. Analisamos as propostas e comunicamos nossos pontos de vista ao lado americano”, declarou Baqaei.
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Apesar da retomada das conversas diplomáticas, o tom em Teerã segue duro. O governo iraniano alertou Estados Unidos e Israel contra novos ataques e prometeu “surpresas” em caso de escalada militar. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também pediu cautela às autoridades do país para evitar a criação de uma “imagem falsa” do Irã durante o conflito.
Enquanto isso, Trump tenta transmitir ao mercado a percepção de que Washington ainda mantém algum grau de controle sobre a crise energética global. O republicano afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, concorda que o Irã deveria reabrir o Estreito de Ormuz, embora Pequim não tenha sinalizado disposição concreta para pressionar Teerã.
Do lado iraniano, o governo anunciou um novo mecanismo para administrar o tráfego no Estreito de Ormuz, prevendo rotas designadas, cobrança de taxas e autorização restrita a embarcações e empresas consideradas cooperativas com o regime. A medida reforça o temor de restrições persistentes ao fluxo global de energia, mantendo o petróleo em patamares elevados e a inflação no radar dos bancos centrais.
O Brent já acumula valorização próxima de 50% desde o início da guerra, enquanto investidores acompanham o risco de ampliação do conflito após um ataque com drone atingir, no domingo, uma instalação ligada ao setor nuclear dos Emirados Árabes Unidos.
Em outra frente do conflito regional, Israel e Líbano concordaram em estender por mais 45 dias o cessar-fogo mediado pelos EUA, em uma tentativa de evitar uma nova escalada envolvendo o Hezbollah no sul do território libanês. O Departamento de Estado americano classificou as negociações como “altamente produtivas”, embora episódios isolados de confronto mantenham o risco geopolítico elevado no Oriente Médio.
No Brasil, o fim de semana trouxe novos desdobramentos da crise envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ampliando o desconforto político que vem pressionando os ativos domésticos.
A Polícia Federal deve abrir um inquérito específico para investigar pedidos de dinheiro feitos por Flávio ao ex-banqueiro do Banco Master, além de apurar se parte dos recursos enviados a um fundo sediado no Texas teria sido utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Reportagens do The Intercept Brasil e da Folha de S.Paulo apontam que Eduardo figurava como produtor-executivo do filme, com influência sobre decisões financeiras do projeto. Outra revelação envolve a compra de uma casa no Texas por um fundo ligado ao advogado de imigração do deputado. Após inicialmente negar participação financeira no longa, Eduardo mudou a versão e admitiu ter investido cerca de US$ 50 mil no projeto, afirmando posteriormente ter recebido os recursos de volta por meio da produtora.
O episódio amplia as dúvidas do mercado sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro e sobre a capacidade de a direita consolidar uma candidatura competitiva contra o presidente Lula, cenário que influencia diretamente as expectativas para a condução da política fiscal.
A nova pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (16), mostrou que a crise ainda não provocou impacto relevante nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, embora tenha elevado o desconforto do mercado com o ambiente político. No primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, ambos aparecem empatados com 45%.
A pesquisa foi realizada majoritariamente entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), antes da divulgação das reportagens do The Intercept Brasil sobre as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Nos índices de rejeição, Lula lidera com 47%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 43%. Na sequência aparecem Romeu Zema, com 15%, e Ronaldo Caiado, com 13%.
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Manchetes desta manhã
- Irã envia nova proposta após Trump alertar que ‘tempo está se esgotando’ (Valor)
- Prefeitos apontam pautas-bomba de R$ 295 bilhões e pedirão fundo para equilibrar repasse de emendas (Estadão)
- Economistas aumentam previsão da taxa de juros e da inflação neste ano (Folha)
- Petróleo supera US$ 110 e tensão no Oriente Médio derruba bolsas globais (O Globo)
Mercado global recua com impasse entre EUA e Irã
As bolsas da Europa operam mistas com a alta dos preços do petróleo ampliando o temor de inflação global, enquanto não há avanço nas negociações entre EUA e Irã para por fim ao conflito em Ormuz.
Na Ásia, a sessão foi instável, refletindo estagnação nos esforços para encerrar a guerra do Irã. A disparada do petróleo leva a apostas em aumentos de juros, derrubando os títulos de Tóquio a NY. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiram 4,631%, os dos títulos japoneses de 10 anos bateram o maior patamar desde 1996.
Na Coreia do Sul, o Kospi se descolou de seus pares com perspectiva de acordo na greve da Samsung.
Em Nova York, os índices futuros abriram em baixa, com cautela em meio aos elevados rendimentos dos títulos globais e às tensões geopolíticas em torno do Irã.
Confira os principais índices do mercado:
- S&P 500 Futuro: -0,41%
- FTSE 100: -+0,24%
- CAC 40: -0,87%
- Nikkei 225: -0,97%
- Hang Seng: -1,19%
- Shanghai SE Comp: -0,09%
- Ouro (jun): -0,18%, a US$ 4.553,57 por onça troy
- Índice do dólar (DXY): -0,18%, aos 99,10 pontos
- Bitcoin: -1,10% a US$ 77.497,6
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Commodities
- Petróleo: os preços seguem em trajetória de alta, com o Brent acima de US$ 110 por barril. Atentos à escalada das tensões no Oriente Médio, investidores ampliam a aversão ao risco.
O Brent/junho avança 1,19%, cotado a US$ 110,56 e o WTI/junho sobe 1,09%, a US$ 106,57. - Minério de ferro: fechou em queda de 1,11% em Dalian, na China, cotado a US$ 117,90
Cenário internacional
Nos EUA, os investidores entram na semana atentos à divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira (20), em meio a um ambiente ainda marcado por incertezas inflacionárias e pressão nos juros globais. A agenda internacional também será guiada pelos PMIs preliminares das principais economias, pela inflação da zona do euro e pelas expectativas de inflação da Universidade de Michigan, na sexta-feira.
O mercado ainda repercute os indicadores de atividade da China divulgados na noite deste domingo, que vieram abaixo das projeções. A produção industrial chinesa avançou 4,1% em abril, enquanto as vendas no varejo cresceram apenas 0,2%, frustrando expectativas de altas de 5,8% e 1,9%, respectivamente. Os números reforçaram preocupações sobre a desaceleração da segunda maior economia do mundo e aumentaram a cautela nos mercados globais.
Na Europa, a aversão ao risco ganhou força diante do temor de deterioração fiscal no Reino Unido. Investidores reagiram à possibilidade de mudança no comando do governo britânico, cenário que elevou a pressão sobre os títulos soberanos e contaminou os mercados internacionais.
No sábado, o ex-ministro da Saúde britânico Wes Streeting confirmou que disputará a liderança do Partido Trabalhista caso seja convocada uma eleição para substituir o premiê. O movimento ampliou o receio de que uma eventual troca de comando leve a uma política fiscal menos rígida no Reino Unido.
A percepção de maior risco fiscal provocou disparada nos rendimentos dos Gilts, os títulos públicos britânicos, e pressionou também os juros dos Treasuries americanos, que já vinham sendo impactados pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.
Cenário nacional
No Brasil, a agenda econômica começa movimentada já nesta segunda-feira, com a divulgação do Boletim Focus e do IBC-Br de março, considerado uma prévia do PIB. O indicador subiu 0,7%, acima da expectativa de queda de 0,2% projetada pelo mercado, reforçando sinais de resiliência da atividade econômica doméstica.
Ainda no cenário local, os ministérios da Fazenda e do Planejamento divulgam na sexta-feira (22) o segundo relatório bimestral de receitas e despesas de 2026, enquanto a Secretaria de Política Econômica publica nesta segunda a nova edição do Boletim Macrofiscal.
No Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa na terça-feira (19) de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos. A sessão deve voltar a abordar a atuação da autoridade monetária no caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. Já o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, está em Paris para participar de reuniões paralelas à cúpula do G7.
No front político, a PEC 65, que amplia a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central, voltou à pauta da Comissão de Constituição e Justiça do Senado para quarta-feira. No entanto, fontes ouvidas pela Broadcast indicam que a tendência é de pedido coletivo de vista, o que deve adiar a votação para o próximo dia 27.
Enquanto isso, segundo o Valor, o governo prepara um projeto para definir quais benefícios poderão continuar sendo pagos acima do teto do funcionalismo público. A proposta deve estabelecer limites para penduricalhos como auxílio-moradia e auxílio-saúde em todos os Poderes.
No Judiciário, o Supremo Tribunal Federal manteve a decisão contrária à chamada revisão da vida toda do INSS. Por 8 votos a 2, os ministros rejeitaram os recursos apresentados por aposentados e reafirmaram o entendimento que derruba a possibilidade de revisão dos benefícios previdenciários.
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Destaques do mercado corporativo
- Petrobras: assinou contrato de R$ 11 bi para construir e operar quatro embarcações de apoio submarino que serão usadas em operações em águas profundas e ultraprofundas.
- Banco do Brasil: captou US$ 200 milhões com o Natixis para financiar edificações verdes.
- XP: discute se compra um banco nos EUA ou se inicia operação do zero, segundo Lauro Jardim/O Globo.
- Telefônica Brasil: aprovou pagamento de R$ 600 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,18775 por ação.
- Cosan: recebeu ao menos oito propostas não vinculantes por fatia minoritária na Rumo, segundo o Pipeline/Valor. Entre os interessados estariam Bunge, Inpasa e o Grupo Ultra.
- Aegea: receberá aporte de até US$ 1 bilhão de acionistas, liderados por Itaúsa e pelo fundo soberano de Singapura, segundo a Bloomberg.











