A técnica de estimulação microbiana realçada de petróleo, conhecida internacionalmente como MEOR, utiliza bactérias extremófilas para revitalizar poços antigos em declínio produtivo. O Ministério de Minas e Energia acompanha essas inovações biológicas, que reduzem os impactos ambientais e aumentam a segurança energética nacional em reservatórios maduros.
O que é a tecnologia MEOR e qual seu impacto em poços antigos?
O método consiste na introdução de microrganismos e nutrientes em reservatórios profundos para reativar a extração de óleo preso nas rochas. Essa tecnologia estende consideravelmente a vida útil econômica de campos petrolíferos que já atingiram o declínio de sua produção convencional.
A aplicação prática do sistema consegue recuperar até 15% adicionais das reservas remanescentes que as bombas tradicionais não alcançam. Esse acréscimo representa um ganho estratégico expressivo para operadoras que buscam otimizar o valor dos ativos sem abrir novas perfurações.

Quais são os cuidados e etapas essenciais na aplicação da MEOR?
A implantação do método requer monitoramento contínuo para evitar o entupimento biológico indesejado das zonas de injeção por excesso de biomassa. A análise da água produzida ajuda a mensurar a eficiência metabólica e o crescimento populacional das bactérias. Conheça os critérios analisados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis:
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- Coleta de amostras do reservatório para testes de compatibilidade bacteriana.
- Esterilização inicial do ponto de injeção para evitar bioincrustações competitivas.
- Dosagem controlada de melaço ou substratos nutrientes na água injetada.
- Período de incubação estática para reprodução celular no subsolo profundo.
- Monitoramento da acidez para prevenir a degradação do documento estrutural do poço.
Como as bactérias extremófilas sobrevivem e atuam em profundidade?
Os microrganismos selecionados em laboratório possuem características extremófilas, resistindo a pressões esmagadoras e temperaturas elevadas no subsolo. Essas bactérias proliferam em ambientes de total anaerobiose, utilizando fontes de carbono injetadas para manter seu ciclo metabólico ativo nas formações rochosas.
Ao metabolizar os nutrientes, as bactérias geram subprodutos químicos que alteram as propriedades físicas do ecossistema subterrâneo. Esse processo biológico contínuo transforma o veículo fluido do reservatório, iniciando a liberação do óleo pesado retido nos microporos.
De que maneira os biossurfactantes bacterianos liberam o óleo preso?
Os microrganismos produzem biossurfactantes biológicos que atuam diretamente na interface química entre o hidrocarboneto e a matriz rochosa. Essas moléculas reduzem drasticamente a tensão superficial e interfacial, que mantinha o óleo fortemente aderido às paredes dos poros minerais.
Uma vez reduzida essa força de atração, o petróleo bruto desgruda com facilidade e ganha mobilidade para se deslocar. O processo modifica a molhabilidade da rocha, tornando-a mais hidrofílica e facilitando o arraste do combustível fóssil.

Qual é o papel dos gases e ácidos orgânicos no reservatório?
O metabolismo bacteriano também gera gases como o dióxido de carbono CO2 e diversos tipos de ácidos orgânicos de cadeia curta. O gás gerado dissolve-se no óleo bruto, expandindo seu volume molecular e reduzindo significativamente a viscosidade do fluido.
Paralelamente, os ácidos orgânicos gerados atacam levemente as rochas carbonáticas, aumentando a permeabilidade local dos canais de fluxo. O decréscimo da viscosidade faz com que o petróleo pesado flua livremente em direção aos poços produtores ativos.
Quais são as exigências técnicas para a injeção do sistema biológico?
O sucesso da operação exige um mapeamento térmico e químico detalhado do reservatório para a seleção da cepa bacteriana correta. Técnicos calibram a dosagem de nutrientes e monitoram a salinidade da água de injeção, evitando a morte prematura dos microrganismos.
A injeção ocorre por meio de equipamentos pressurizados integrados às linhas de captação de água ou vapor do campo petrolífero. O acompanhamento rigoroso do licenciamento ambiental garante que as soluções biológicas não contaminem lençóis freáticos superficiais.











