Pouco mais de dois meses desde que o governo zerou o Imposto de Importação sobre compras internacionais, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”, 66% dos brasileiros afirmam que pretendem manter o atual volume de compras em lojas brasileiras, enquanto 21% esperam ampliar essas aquisições, mostra levantamento da Plano CDE.
Ao mesmo tempo, caso o Congresso confirme o fim definitivo do imposto, 50% dos consumidores afirmam que pretendem comprar mais em plataformas internacionais. Outros 39% dizem que manterão o mesmo ritmo de compras.
Na avaliação da Plano CDE, os dados mostram que o consumidor utiliza lojas nacionais e internacionais de forma complementar, escolhendo onde comprar de acordo com o orçamento e o preço dos produtos.
Apesar da redução temporária da taxa das blusinhas, a mudança ainda depende da tramitação da Medida Provisória nº 1.357/2026 no Congresso Nacional. Até 24 de julho, o texto ainda aguardava a instalação da comissão mista responsável pela análise da proposta, após receber 112 emendas parlamentares.
Para a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE), o período restante de tramitação deve ser aproveitado para transformar o fim da cobrança em uma medida permanente, oferecendo maior previsibilidade aos consumidores.
Rejeição dos consumidores à cobrança
Imposta em agosto de 2024, a taxa das blusinhas enfrentou forte rejeição dos consumidores. Levantamentos da Plano CDE e da PROTESTE mostram que a maioria dos brasileiros considera o imposto injusto e avalia que a medida teve impacto principalmente sobre as famílias de menor renda.
Dados da Plano CDE revelam que 71% dos consumidores das classes C, D e E desaprovam a cobrança, enquanto, entre as classes A e B, o percentual chega a 65%.
O estudo também mostra que a criação do imposto alterou o comportamento dos consumidores. Entre aqueles que acompanharam a implementação da cobrança, 45% reduziram as compras em plataformas internacionais. Nas classes C e D, esse percentual sobe para 47%, indicando maior sensibilidade ao aumento dos preços.
Taxa das blusinhas tem maior impacto entre famílias de baixa renda
Levantamento da Euroconsumers Brasil, da PROTESTE, reforça a elevada rejeição ao imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. Segundo o estudo, 75% dos consumidores classificavam a cobrança como injusta. O índice sobe para 79% entre consumidores das classes C e D e alcança 80% na Região Nordeste.
A pesquisa também mostra que 56% dos consumidores reduziram os gastos em plataformas internacionais após a criação do imposto. Entre as classes C e D, o percentual chega a 59%, evidenciando maior impacto justamente sobre as famílias com menor renda disponível.
Para Henrique Lian, diretor-geral da PROTESTE | Euroconsumers Brasil, a redução das compras demonstra os efeitos da tributação sobre o consumo.
“O efeito da taxa foi concreto, sobretudo entre os consumidores de menor renda. A cobrança encareceu compras de baixo valor e restringiu escolhas. Com a alíquota federal zerada, o consumidor recupera parte dessa liberdade”, afirmou.
Lian afirma que esse debate deve colocar o consumidor no centro das decisões e destaca que as compras internacionais de baixo valor passaram a integrar o orçamento de milhões de brasileiros.
“Essa discussão precisa partir de uma premissa simples: estamos falando de acesso. As compras internacionais de baixo valor já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros, porque ajudam no orçamento das famílias e ampliam as opções de consumo. Quando a tributação desconsidera esse impacto, quem sente primeiro é justamente o consumidor, que tem menos margem no fim do mês. Por isso, o debate precisa colocar o consumidor no centro e o Congresso tem a oportunidade de dar uma resposta concreta a essa demanda”, afirmou o diretor-geral da PROTESTE.
Além da rejeição, 58% dos entrevistados afirmam que a tributação beneficiou grandes empresários, enquanto prejudicou a população de menor renda. Outros 56% entendem que a medida não alcançou um de seus principais objetivos: fortalecer o comércio nacional.











